O SaaStr 2018 começou em São Francisco, Califórnia, na última terça-feira, 6, e reúne importantes representantes de empresas do ramo de tecnologia. Com uma abordagem mais inclusiva, os palestrantes discursaram para cerca de 10 mil pessoas, empreendedores, líderes e colaboradores de todo o mundo. Um dos diferenciais da edição deste ano é o maior número de palestrantes mulheres. Segundo o próprio CEO do SaaStr, Jason Lemkin, essa foi uma das preocupações da organização: “em 2016, apenas 34% dos palestrantes eram mulheres. Em 2017, aumentamos muito pouco, passamos para 36%, e este ano conseguimos que 60% deste grupo fosse formado essas líderes”.

Além da inclusão e diversidade, o primeiro dia de evento abordou temas relacionados à cultura organizacional, gestão e modelo de negócios. Confira os principais assuntos destacados por empreendedores brasileiros selecionados pelo programa de capacitação do Sebrae SC, Startup SC:

Produto

Existem startups que trabalham não apenas com o produto em si, mas com serviços também. Segundo Des Traynor, cofundador da Intercom, o próprio CEO deve elaborar as estratégias sobre a definição de features. Existem muitas desculpas para fazer o que não deve ser feito, ou que não é tão relevante para o crescimento da empresa. Se não houver essa definição clara por parte do CEO, aumenta-se a complexidade do produto. Com o desenvolvimento de features realmente significativas, os grandes e frequentes problemas começam a ser resolvidos.

Modelo B2B

Por muito tempo, as startups dos Estados Unidos viram no mercado B2C a chave do sucesso. Todos queriam alcançar os consumidores finais e disponibilizavam de vários fundos de investimento para bancar o processo. Para Justin Kan, fundador da Twitch.tv que foi vendida para a Amazon em 2011 e CEO da Atrium, finalmente os norte-americanos começam a olhar o potencial em um mercado diferente: o B2B. O modelo B2B, que já é característica dos países emergentes, tem várias vantagens que acabam se sobressaindo do B2C: os empreendedores não precisam surfar uma grande onda para conseguir sucesso, há um entendimento melhor do que a solução entrega aos clientes e o perfil deles, e mais do que isso, as empresas pagam para ter uma plataforma que realmente entregue valor, diferentemente dos consumidores finais que cada vez mais querem as ferramentas de forma gratuita.  

Cultura Organizacional

Justin Welsh, VP de Vendas da PatientPop, procurou entender o motivo pelos quais os melhores vendedores nunca haviam se desligado da empresa. E se surpreendeu com as respostas, que não tinham relação nenhuma com os ambientes descontraídos de startups e sim com a cultura organizacional. Entre os pontos ressaltados por ele para manter um bom vendedor na empresa estava a capacidade da equipe de ouvir e tomar decisões. Não adianta ter reuniões de feedback se nada é feito para resolver os problemas dos colaboradores e gestores. Ouvir é o primeiro passo de uma caminhada. Por isso, Welsh passou a realizar reuniões de 15 em 15 dias com representantes da equipe, chamados de “senadores”. Os “senadores” repassam as dificuldades encontradas pelo time, suas insatisfações profissionais, e todos têm até a próxima reunião, ou seja, 15 dias, para solucionar as dores discutidas. Nada de postergar as ações.

Código de Cultura

A palestra da Hubspot abordou a importância do código de cultura para as empresas. Não há como crescer sem olhar internamente e ver se os funcionários compartilham dos mesmos valores, missão e visão. Para Dharmesh Shah, CTO e fundador e Katie Burk, diretora de RH, a cultura nada mais é do que um produto que você vende, e a sua equipe, o seu consumidor. Os gestores precisam saber o que realmente está funcionando. Mais do que fazer pesquisas de satisfação com os colaboradores, estilo NPS e de forma anônima, é necessário compartilhar tudo o que foi descoberto com o time. O código de cultura só pode dar certo se há transparência em todo o processo e em todas as informações relatadas, seja nos acertos ou nos problemas.

Inclusão e diversidade

Um tema muito recorrente nas empresas é a necessidade de incorporar ações de inclusão e de programas de diversidade. Shah e Burk também comentaram isso na palestra e frisaram que antes de definir ações de inclusão e planejar o seu código de cultura, os líderes devem conversar com quem já implementou. A rede de empreendedorismo é muito importante no desenvolvimento de empresas e dos seus líderes. Além disso, não podem esquecer de averiguar com as pessoas mais relevantes no processo: os colaboradores. Veja quem são os funcionários que demonstram se importar com esse tema tão delicado e pergunte opiniões deles. De forma geral, pesquisar sempre é necessário e nada vai adiantar criar um código de cultura simplesmente para seguir os exemplos de sucesso de outros negócios. Não adianta fazer por fazer.

*Conteúdo produzido pelas startups Conaz, Cuco Health, Hub2b, Intexfy, JetBov, Applique, PagueVeloz, Smarket e Viajor/Paytrack diretamente do SaaStr.