O ano de 2018 está cheio de desafios para o setor de construção civil. De acordo com a publicação Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria, o setor da construção civil encerrou o ano passado com 44,9 pontos, caindo 1,9 ponto entre os meses de novembro e dezembro, deixando a indústria abaixo da linha divisória de 50 pontos, em uma escala de 0 a 100. Acima de 50, o indicador aponta crescimento do setor. Abaixo disto, significa retração.

Embora o índice venha de um aumento considerável comparado ao ano anterior, quando o indicador fechou o ano de 2016 com 37,9 pontos, os números ainda não são ideais. De acordo com o Ministério do Planejamento, assim como aconteceu em 2017, as indústrias automobilística, de construção civil, energia e de alimentos puxarão a economia este ano. Deste modo, assim como em outros segmentos, como financeiro, jurídico e até a saúde, é em momentos como este que as startups chegam com suas tecnologias disruptivas e quebram paradigmas em seus setores. Agora, é a vez das Construtechs.

Algumas entidades e grandes empresas estão se mobilizando para impulsionar este segmento cada vez mais. A Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) definiu o tema de construção civil como o foco da nova Vertical de Negócios da entidade, cuja primeira reunião foi no início deste mês.

A Andrade Gutierrez lançou, em parceria com a Next Consulting, um programa de aceleração focado em projetos-piloto para a indústria de Engenharia e Construção. Chamada de Vetor AG, a aceleradora pretende desenvolver e testar em campo tecnologias para reduzir custos, mão de obra e a duração dos projetos.

De acordo com o mapeamento realizado pela Construtech Ventures, há mais de 250 startups das indústrias de construção civil e mercado imobiliário no Brasil, as chamadas Proptechs. Estas empresas estão crescendo e se solidificando cada vez mais no Brasil e no mundo, e o Startupi conversou com alguns profissionais e especialistas neste mercado para conhecermos melhor o universo de quem está levando tecnologia à construção.

Construtoras

Para as construtoras, que sentem na pele os desafios do setor e a falta de tecnologia que ainda as acomete, o movimento de transformação digital é mais que vantajoso. “Acredito que as novas tecnologias vieram para auxiliar, agilizar os serviços na construção civil e também proporcionar mais qualidade de vida aos funcionários. Assim como em outros segmentos o uso da tecnologia é uma realidade sem volta. Hoje já começam a falar ate em tecnologia 3D para construção”, diz Dante Seferian, CEO da Danpris.

A construtora paulista já vem utilizando tecnologia principalmente na parte de compatibilização de projetos, o que traz grandes contribuições à companhia, dando cada vez mais precisão e velocidade para o segmento da construção.

Para o CEO, o amadurecimentos das startups deste mercado é vantajoso, já que a tecnologia introduzida nesses setores traz soluções para diversos problemas, agiliza processos, trazer a impressão 3D para o setor de construção civil, promove sustentabilidade, cria orçamentos e projetos de maneira totalmente online, entre outras vantagens.

“A mídia online hoje, como a internet, os portais de venda e vídeos via WhatsApp são fundamentais e tão – ou mais-  importantes do que as mídias tradicionais. Os próprios corretores estão se tornando pequenas imobiliárias. E com certeza dentro do nosso negócio, os avanços tecnológicos também vêm trazendo grandes modificações na parte de vendas”, explica.

Para 2018, Dante diz que enxerga um panorama positivo para a indústria. “O motivo dessa expectativa é que a atividade da construção civil começou a dar sinais de reação, o que também contribuiu para a trajetória positiva da confiança empresarial. O mais importante é que temos que buscar a inovação, a disrupção. Nosso setor precisa oferecer sempre opções e novidades, com empreendimentos completos, além de condições especiais de venda para atrair novos compradores e negociações mais flexíveis.”

Neste cenário, a presença das startups é fundamental. “As oportunidades das startups de construção aparecem principalmente quando se visa facilitar ou agilizar serviços, como no caso de automatizar tarefas tradicionalmente manuais na construção civil, tecnologias de design de construção, entre outros processos”, completa.

De olho neste movimento, outra construtora que também está investindo suas forças na transformação digital é a MRV Engenharia. “A MRV tem equipes exclusivas de Inovação que respondem diretamente à alta gestão da empresa. Este envolvimento dedicado é importante para sinergia das iniciativas inovadoras entre as áreas e alinhamento das mesmas ao planejamento estratégico da construtora. Para captura e geração de ideias, entre outras iniciativas, a MRV busca constantemente ideias e tecnologias no meio externo, como universidades, centros de pesquisa, aceleradoras e startups. Além disso, a MRV, em parceria com a Localiza e o Banco Inter, criou o Órbi Conecta, espaço para startups e iniciativas ligadas a inovação e empreendedorismo. Desta forma, empresas menores e startups possuem espaço na apresentação de novas ideias e tecnologias, aumentando a dinâmica inovadora do setor”, explica Felipe Cardoso dos Reis, coordenador de desenvolvimento de Produto e Inovação da MRV Engenharia.

Para ele, o segmento da construção civil é um dos mais importantes para a economia do país e tende a sentir mais variações de mercado. Apesar do contínuo crescimento, em contramão ao cenário econômico recente, Felipe acredita que investimentos em inovação e em tecnologia são cruciais para manutenção da posição da construtora no mercado. Este movimento já acontece e vem ganhando mais força e expansão.

“A tecnologia se mostra um caminho cada vez mais promissor para competitividade por meio de uso de novos materiais/processos, maior produtividade com menor custo e transformações digitais agregando inteligência e conectividade nos processos internos e nos empreendimentos. O uso de Inteligência Artificial (Machine Learning e Deep Learning), BIM, BOT´s, IOT, Realidade virtual e aumentada e QRcodes começam a ser uma realidade no setor da construção, principalmente naquelas que estão na vanguarda e liderança do setor”, diz. 

De forma a embasar os pilares, da construtora (sustentabilidade, experiência do cliente, mobilidade e inovação), Felipe diz que a MRV aposta no aprimoramento do gerenciamento das obras em conjunto com a implantação de tecnologias de ponta (inteligência artificial, BIM, Impressão 3D e IoT) para estar entre os líderes do mercado de construção civil da América Latina.

Quanto aos maiores desafios para este setor, que também podem ser vistos como oportunidades para as startups, o coordenador destaca a busca por mão de obra qualificada, aumento de produtividade, melhora na gestão do canteiro de obras e superação na experiência do cliente. “Neste contexto, a tecnologia se mostra como um dos pontos-chave para exploração destas oportunidades do negócio. Uso de tecnologia de pontos, novas técnicas construtivas, suporte à conectividade são alguns dos exemplos deste suporte.”

De acordo com a Fiesp, a cadeia de valor da construção civil é dividida em quatro grupos: extração, indústria de materiais, comércio e serviços e construção. Seguindo cadeia de valor da construção civil proposta pela Federação, a MRV Engenharia entende que há também grandes oportunidades para startups na área de gestão de estoque e desperdícios, energia (geração e gerenciamento) e smart cities . “Nos demais elos do setor da construção civil, acreditamos em oportunidades voltadas para o aprimoramento de materiais e serviços, na busca por insumos de maior qualidade agregado ao aumento de produtividade e custos competitivos”, completa.

Entidades

A Construtech Ventures é um venture builder brasileiro focado nos setores de construção e imobiliário. Nasceu em 2017, mas vem sendo estruturado desde o fim de 2016. A princípio, a CV nasceu como parte do desafio da Softplan, que precisava inovar para manter o ritmo de crescimento para gerar mais impacto na cadeia da construção. “Rapidamente ficou evidente que o desafio é muito maior do que apenas da Softplan: a menos que aconteça uma grande transformação e renovação em toda cadeia da construção e do mercado imobiliário, jamais seremos capazes de superar os déficits habitacionais e de infraestrutura mundiais para as gerações presente e futura”, diz Bruno Loreto, cofundador da Construtech Ventures.

E por que um venture builder para estas startups? Por causa da importância desta indústria para o Brasil e o mundo. O setor representa 13% do PIB global, e emprega 8% da força de trabalho no mundo. Mas é marcado pela alta taxa de desperdício de materiais e baixos índices de produtividade de sua mão de obra. “Acreditamos que a tecnologia tem um papel-chave para a transformação dessa realidade, criando e desenvolvendo soluções escaláveis para superação dos desafios habitacionais e de infraestrutura no Brasil e no mundo”, diz Bruno.

A missão da CV é multiplicar e impulsionar o empreendedorismo de base tecnológica para resolver grandes desafios de moradia e infraestrutura no Brasil e no mundo, atuando de diferentes formas no ecossistema de construtechs. “Investimos em startups que se destacam no setor, identificamos problemas relevantes não sendo explorados e trazemos empreendedores para juntos conosco cocriar negócios. Também apoiamos iniciativas que de alguma maneira visam fomentar mais inovação e empreendedorismo na cadeia de construção e imobiliário.”

Atualmente, o portfólio do venture builder já tem oito startups:

CoteAqui – Plataforma para cotação de material de construção online para construtoras. A “Amazon” dos materiais de construção;
Bider – Plataforma web de geração e qualificação de leads para o mercado imobiliário. Coloca em contato potenciais compradores e imobiliárias, construtoras e incorporadoras que podem oferecer imóveis de acordo com as necessidades das pessoas;
ZeroDistrato – Algoritmo que utiliza inteligência artificial para que construtoras e incorporadoras consigam prever o risco de distrato em seus contratos com até 1 ano de antecedência;
Buildin – Pportal de conteúdo sobre construção civil que utiliza inteligência artificial para curadoria e seleção para cada perfil de leitor;
Urbank – Fintech especializada em oferecer a melhor experiência de gestão do repasse de crédito no mercado imobiliário;
Vendo Meu Terreno – Primeiro marketplace de terrenos para empreendimentos do Brasil,
E mais duas startups em estágio mais inicial.

Mercado

Nos últimos dois anos, mais de US$2 bilhões foram investidos em startups da cadeia da construção e imobiliário no mundo. “No Brasil, esse processo ainda é muito tímido. Acreditamos que é o momento de acelerar essa transformação”, diz Bruno. No mundo, a construção ainda é um dos setores com maior atraso na adoção de tecnologia e um dos setores com mais baixos índices de produtividade e eficiência. Nas últimas décadas, enquanto a produtividade da indústria manufatureira quase dobrou, a produtividade na construção teve ligeira queda.

De acordo com estudos da consultoria McKinsey, a baixa produtividade na construção gera custos anuais de 1,6 trilhão de dólares globalmente — volume de recursos equivalente a todo PIB do Brasil em 2017. “Estima-se que se o setor evoluísse do artesanal para um estilo de produção semelhante ao sistema industrial a produtividade da construção poderia saltar de 5 a 10 vezes em relação aos níveis atuais”, diz.

No primeiro mapa das construtechs e proptechs do Brasil, constatou-se que cerca de 60% dos projetos nasceram nos últimos 5 anos, indicando que é recente — e crescente — a proliferação de construtechs e proptechs no Brasil. Apenas uma parcela muito pequena — menos de 10% das iniciativas — já atingiram grau de maturidade avançada, e já estão em estágios de ganho de escala e estabilidade de negócio.

“Assim como em 2017, devemos ver em 2018 inúmeras startups trabalhando com big data no setor, aumentando a captura de dados e transformando-os em informação relevante para a tomada de decisão. A oferta de mais dados também ampliará a capacidade da inteligência artificial gerar valor na cadeia de produção. Em alguns casos, algoritmos simples podem gerar resultados fantásticos para antecipar problemas e otimizar a alocação de recursos. O uso de tecnologias emergentes como drones e blockchain também devem ganhar fôlego, com a ampliação de marcos regulatórios acontecendo pelo mundo, o que deve facilitar a aplicação das mesmas no dia a dia das empresas do setor”, afirma Bruno.

E os impactos da inovação na indústria da construção civil não param por aí. De acordo com a McKinsey, são necessários 11 trilhões de dólares para se resolver o problema do déficit habitacional no mundo. “Suponhamos que as soluções criadas por startups ajudem a melhorar em apenas 1% a produtividade do setor. Estamos falando de um impacto de 110 bilhões de dólares”, diz o cofundador. “Estamos diante de uma oportunidade de fazer história na construção. Se formos capazes de reproduzir no setor o que o ocorreu em outras indústrias, como na automotiva, que em 20 anos aumentou em quase 100% sua produtividade com adoção de novas tecnologias, uma nova era vai emergir nos setores de construção e imobiliário também.”

Iniciativa

Quem também está investindo em ações para aproximação e fomento das startups é o Secovi, o maior sindicato do mercado imobiliário da América Latina. Por isso, a entidade criou o MoviMente, uma iniciativa dos Novos Empreendedores do Secovi-SP (Secovi NE) que tem como objetivo aproximar startups de empresas tradicionais do mercado imobiliário, promovendo, por meio destes encontros, a renovação e oxigenação deste mercado, tão tradicional.

“A ideia de criar o MoviMente surgiu a partir de um Grupo de Trabalho de inovação do Secovi NE, que tem como objetivo mapear as principais tecnologias e comportamentos que afetarão o mercado imobiliário nas próximas décadas”, afirma Marcia Taques, coordenadora do MoviMente, iniciativa do Secovi NE

Para apoiar as startups, o Secovi-SP promove algumas iniciativas, como encontros para apresentação de pitches; mentoria com experts do setor, conforme a área de atuação; aproximação com investidores e potenciais clientes e visibilidade para os vencedores do MoviMente na Convenção Secovi.

Para participar da iniciativa do sindicato, é necessário ter atuação correlata ao mercado imobiliário, ou seja, uma startup do mercado ou para o mercado imobiliário. Além disso, a partir deste ano, será possível participar do MoviMente em três estágios de desenvolvimento: ideação, operação (com MVP) e tração (busca de clientes).

“O movimento de transformação digital destes mercados é absolutamente necessário. O setor da construção civil e, de forma mais abrangente, do mercado imobiliário em geral (incluindo incorporação, comercialização, administração etc.) tem gargalos importantes que há muito são combatidos, alguns sem sucesso. De outro lado, vemos tecnologias já passíveis de aplicação que, dentre outros benefícios, reduzem custos, aproximam os clientes das empresas e as tornam mais eficazes e assertivas no atendimento. Ou seja, para muitos problemas é a peça que faltava”, diz Marcia.

Para ela, o Brasil ainda tem, comparativamente aos EUA ou Londres, poucas construtechs e proptechs, e com muita concentração em relação ao ramo de atuação. “Temos muitas atuando, por exemplo, em administração de condomínios e comercialização, que, embora necessitem também de produtos inovadores, são a ponta da cadeia. Nos últimos meses, no entanto, vimos alguns projetos relacionados a loteamentos e tecnologia da construção, que podem ter boa escalabilidade.”

Ela diz que, em relação às oportunidades no setor para as startups, as maiores estão relacionadas à tecnologia da construção. “A construção civil no Brasil ainda é feita de forma artesanal e temos dificuldade em migrar para um modelo industrializado. Algumas tecnologias, como a impressão 3D, podem nos fazer pular um degrau. Outra oportunidade é machine learning relacionada ao atendimento do consumidor. No que se refere a tendências, em 2018 devemos ter muita coisa relacionada a IoT e prédios/ cidades, além da utilização mais abrangente de Big Data na comercialização”, afirma.

Quanto à importância da aproximação entre grandes empresas e entidades, como o sindicato, de startups, Marcia diz que é uma relação de ganha-ganha. “O Secovi-SP congrega praticamente todas as empresas relacionadas ao mercado imobiliário do estado de São Paulo, ou seja, é uma porta de entrada para o mercado. Assim, por meio do sindicato, as startups podem ter contato não somente com uma, mas com várias empresas do mercado, de vários segmentos. Por meio deste contato, tem a oportunidade de validar sua ideia, de conseguir um cliente-anjo, ou investidor-anjo, ou simplesmente aumentar sua base de clientes. Do lado das empresas, grandes ou pequenas, é importante o contato com as startups para compreender as tendências e o que pode disruptar seu mercado”, completa.

Startups

Entre as 250 startups deste segmento está a OrçaFascio, startup amapaense fundada em 2010. Os fundadores Antônio Fascio e Fábio Santos criaram, há oito anos, um software para ajudar pessoas a fazer cotação de obras de construção com mais economia. A empresa nasceu da necessidade de ter um sistema orçamentário moderno e fácil de usar, que permitisse interações entre os usuários do mundo todo em um mesmo sistema.

O sistema da startup possui mais de 5 mil insumos e 3 mil composições de todas as capitais do Brasil, a partir da composição de custos da tabela SINAPI. Em meio a crise, eles viram uma oportunidade de negócio inovador. Além do orçamento, o programa conta com uma interface intuitiva para controle físico e financeiro, medição de obra, geração de relatórios e a adição de múltiplos usuários.

O investimento inicial da OrçaFascio foi de apenas R$80 por mês para manter o site hospedado no servidor. Hoje, fatura 700 mil, com crescimento médio de 135% ao ano. A empresa exporta para Estados Unidos, Portugal e Angola – o Instituto Aeroespacial da Angola, inclusive, é uma das instituições que utiliza a plataforma da startup. Este ano, a empresa abrirá um escritório no Canadá. “Com isso, no primeiro ano de abertura pretendemos faturar meio milhão de dólares”, diz Antônio, CEO da startup.

“Empreender nesse mercado é um pouco complicado hoje em dia,  pois o mercado está em uma grande recessão e é difícil de inovar, os processos são os mesmos há muito tempo. Vejo o movimento de transformação digital da construção civil ainda tímido aqui no Brasil. Menos de 50 startups do setor estão literalmente no mercado, isso indica que  temos que avançar mais e olhar para essa cadeia de forma diferenciada”, explica Antônio.

Sobre o amadurecimento destas startups no Brasil nos últimos anos, ele acredita que há projetos muito bons em andamento. “Cada vez mais está surgindo startups, porém acredito que é um setor ainda muito carente, mas essa aceleração deve acompanhar a saída do mercado da crise que hoje ainda está estabelecida. Para 2018, acredito que deva surgir um marketplace que consiga trazer uma proposta de valor para as empresas e para os lojistas. Hoje temos grupos isolados e nenhum ainda conseguiu um amadurecimento forte no mercado, além de surgir mais startups voltado para a extração  da matéria prima no caso com implementação de máquinas e automação (indústria 4.0)”, completa.

Mercado Imobiliário

Uma das startups de maior sucesso dos segmentos de construtech/proptech é a QuintoAndar. André Penha, fundador da startup, diz que a empresa foi criada para entender e enfrentar um problema concreto, comum a quase todas as pessoas em alguma fase da vida: a burocracia e a lentidão que prejudicava tanto proprietários quanto inquilinos. “Nesse setor, no Brasil, cada etapa – da busca pelo imóvel até a entrega (depois que a gente mora anos no apartamento) – é uma experiência ruim. Para atuar nesse mercado e fazer um bom produto era preciso cobrir todas as etapas: anunciar, coordenar corretores, ajudar na negociação, avaliar crédito, eliminar a pobre figura do fiador, assinar o contrato sem necessidade de cartório, depositar sempre em dia o dinheiro para o proprietário e ainda garantir a integridade do imóvel. Para criar um produto realmente relevante e inovador, tivemos que construir toda essa operação, o que demorou muito. Esse foi o lado difícil. O lado bom é que tem funcionado super bem e temos alugado muitos imóveis por dia, o que impacta positivamente a vida de muita gente”, explica.

Para André, este mercado passará por muitas transformações nos próximos anos. Ele acredita que a internet e machine learning vão estar mais presentes tanto nos prédios e casas quanto no processo que as pessoas usam para alugar, comprar e vender. Prototipação e mesmo construção com impressão 3D devem se tornar realidades da redução de custos e da customização. São segmentos tradicionais e importantes da economia que até agora não haviam sido revolucionados, mas que já estão como “próximos da fila”.