*Por Exame.com

A onda da alimentação natural chegou ao extremo – agora, empresas nos Estados Unidos estão ganhando dinheiro para vender o que elas mesmas chamam de “água crua”, ou seja, sem tratamento, sem filtragem e sem aditivos como o flúor, que está presente na água distribuída pelos serviços públicos.

A nova onda ganhou força especialmente no Vale do Silício, região conhecida por ser o berço de startups de tecnologia e também por concentrar um público mais, digamos, natureba. Uma das empresas que resolveu apostar no setor é a Live Water, cujo galão era vendido a 38 dólares no início dessa semana, segundo o Business Insider.

O preço aumentou significativamente depois que o New York Times noticiou a tendência. Em reportagem publicada na semana passada, o jornal falou sobre algumas empresas que apostavam na água não filtrada.

Em entrevista ao jornal, o fundador da Live Water, Mukhande Singh, defendeu seu produto e questionou a qualidade da água de torneira: “Água de torneira? Vocês estão bebendo água de banheiro contaminada com drogas de controle de natalidade”, afirmou.

Não admira que a reportagem tenha causado controvérsia para o negócio. Um texto publicado no site da Live Water afirma que a empresa tem recebido muitas críticas. “Recomendamos que as pessoas coletem sua própria água de nascente. Nós simplesmente providenciamos um sistema super conveniente e eficiente para quem prefere receber sua água pura em casa”, diz o texto.

A Live Water não é a única que está apostando nesse nicho de mercado. Outra empresa do setor é a Zero Mass Water, que vende um sistema para capturar a água que está no ar, filtrá-la e adicionar alguns minerais antes de disponibilizá-la para o consumo.

Há ainda a Liquid Eden, loja especializada em água instalada em San Diego e que vende opções da bebida sem flúor e sem cloro. Se a tendência da “água suja” vai vingar só o tempo dirá. Resta saber se essa moda vai levar a uma vida mais saudável, ou a um retrocesso em relação aos avanços no tratamento de água conquistados até hoje.

*Por Mariana Desidério par Exame.com.