* Por Eduardo Tardelli

O Brasil sempre se destacou por sua beleza natural, sua alegria e receptividade. Porém, diante da era digital, a percepção que temos é o quanto nos tornamos dependentes e conectados, necessitados e vulnerabilizados digitalmente. Já parou para pensar que quanto mais desconectados estamos da internet durante o dia, mais afastados nos sentimos do mundo, modificando assim nossa própria cultura em relação aos costumes e comportamentos sociais de outrora. Isso não é uma crítica, e sim uma consequência do avanço digital de uma potência online brasileira.

Nos últimos anos nos tornamos uma potência no consumo de informações, dados, games, compras online e, consequentemente, passíveis de fraudes que se modernizam diariamente. Nas principais pesquisas e levantamentos mundiais de invasões online, o Brasil sempre está nos rankings de monitoramento e avaliação.

Segundo estudo realizado pela Kaspersky Lab, empresa de antivírus com sede na Rússia, cerca de 18% dos brasileiros sofreram phishing (invasão e roubo de dados e de informações pessoais) no último ano no país. Isso representa uma média de 36 milhões de ataques em nosso território.

Já o Relatório de Fraude da RSA, divisão de segurança da EMC, empresa que fornece sistemas para infraestrutura de informação, software e serviços, apontou o Brasil entre os cinco países onde empresas sofreram maior número de ataques relacionados a phishing ou sequestro de dados. As norte-americanas estão no topo dos ataques, com um volume superior a 27%. Somando Brasil, Reino Unido, Austrália e Índia, totaliza-se 25% do volume de ataques mundiais.

Imagem: Reprodução / RSA

Esses números não podem ser deixados de lado. Se levarmos em consideração o levantamento da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) em 2016, o setor de compras online movimentou cerca de R$ 54 bilhões. E o que isso representa para o nosso país? A reflexão a ser feita é o quanto estamos vulneráveis em relação aos nossos dados, pois qualquer compra, acesso ou consulta é necessário realizar o cadastramento de dados, que por sua vez ficam disponíveis em servidores que não sabemos como ou quando a segurança digital é feita.

Recentemente, vimos ações de hackers em aplicativos de mobilidade urbana, e em 2016, o Banrisul também foi vítima de ataques, segundo vazamento de informação da Kaspersky. Por isso, acredito que para evitar o phishing e outros tipos de fraudes, é importante não abrir e-mails desconhecidos, não baixar nada de procedência desconhecida, além de manter o antivírus sempre atualizado e usufruir de ferramentas de combate a fraudes digitais.

O ponto de questionamento é – você sabe quanto que as empresas brasileiras investem em segurança digital? Elas estão prontas para barrar todo e qualquer tipo de fraude? Não basta alertar o usuário somente. Diante dos milhões de dados processados diariamente, estão os possíveis clientes, vulneráveis e que estão associados em bancos de dados comerciais. Por isso, é necessário que haja também o compromisso e investimento do setor privado, que atrelam seus produtos ao comércio eletrônico e melhorem a segurança digital.

A média de fraudes no mercado brasileiro está na casa de 2 a 3%, que utilizam comércio eletrônico. Esse alerta vem da experiência do combate diário no ambiente digital. No ano de 2017, nós da upLexis, processamos cerca de 1 milhão de dossiês, o que evitou mais de 30 mil potenciais fraudes. Esses dados mostram a importância de investir em plataformas e softwares de antifraudes. E aí, o que está esperando para melhorar a segurança do ambiente digital da sua empresa?

*Eduardo Tardelli é CEO da upLexis, uma empresa de busca e estruturação de informações extraídas de grandes volumes de dados (Big Data) extraídos da internet e outras bases de conhecimento