No Brasil, mais de 90% dos negócios de impacto social selecionados pelas aceleradoras, incubadoras e fundos são formados por empresas comandadas por homens, brancos e com ensino superior completo; empreendedores que nasceram em um contexto social privilegiado. Para potencializar os negócios das periferias, A Banca – em parceria com Artemisia e FGV EAESP (Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios) – criaram a Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia.

A iniciativa está com as inscrições abertas até 15 de janeiro para a seleção de cinco negócios de impacto social com atuação nos bairros M´Boi Mirim, Capela do Socorro, Capão Redondo e Campo Limpo. Os empreendedores selecionados receberão até R$ 20 mil de capital-semente para investir no negócio. As inscrições podem ser feitas online por este link.

Segundo DJ Bola, presidente-fundador da A Banca e um dos idealizadores da Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia, uma nova geração de negócios de impacto social só será efetiva se a população das periferias for protagonista de empresas que solucionem os problemas sociais da quebrada – e não apenas cliente ou beneficiária. “Acreditamos que nas diversas periferias do nosso país há empreendedores e empreendedoras com ideias e soluções potencialmente de alto impacto social e ambiental. Esses empreendedores, com o suporte adequado, podem escalar e impactar positivamente milhares de pessoas”, salienta.

Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, afirma que as organizações se uniram por um sonho em comum: potencializar o desenvolvimento de negócios de impacto social na periferia com soluções voltadas para endereçar desafios sociais e ambientais. “Além de apoiar, queremos também incentivar o surgimento de novos negócios de impacto dentro das periferias, que hoje representam uma parcela pequena do ecossistema”. E acrescenta: “Trabalharemos para criar pontes entre empreendedores acelerados provenientes de realidades distintas”.

Critérios de participação

Estão aptos a participar negócios de impacto social com produtos e serviços já desenvolvidos e com potencial de ganhar escala; empreendedores em estágio inicial de vendas; negócios com modelo consolidado e com ganhos na estrutura operacional e desafios de impacto social: empreendedores que desenvolvam produtos e serviços de real impacto social e ambiental positivo, com sustentabilidade financeira e que atuem em M´Boi Mirim, Capela do Socorro, Capão Redondo e Campo Limpo. Ao final do ciclo de aceleração, os empreendedores que tiverem participado ativamente e desenvolvido um bom plano de negócio receberão até R$ 20 mil de capital-semente para investir no negócio.

O programa irá fortalecer uma nova geração de negócios de impacto da periferia. Para isso, os empreendedores e empreendedoras selecionados terão acesso a encontros presenciais mensais, com a duração de até quatro horas no espaço da A Banca (ou de algum parceiro no Jardim Ângela) sobre temas relacionados ao negócio; acompanhamento quinzenal; workshops em conjunto com empreendedores acelerados pela Artemisia em outros programas para promover a interação entre realidades distintas e aprendizado mútuo, acesso a conhecimento e rede de mentores das três organizações realizadoras.

Entre os temas a serem abordados durante o processo de aceleração: mitos sobre a divisão entre impacto social e negócios; impacto social, indicadores e avaliação; gestão financeira; marketing digital; questões jurídicas; inovação; estruturação e refinamento do negócio; e conteúdos adaptativos de acordo com a demanda de cada negócio selecionado.

Após o processo de aceleração, estão previstas mentorias durante seis meses, com possibilidade de cada empreendedor possuir um mentor de acolhimento; e encontros entre os empreendedores de negócios de impacto social com os empreendedores da Rede Artemisia e alunos/professores do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios, FGVcenn.