*Por Anselmo Martini

Não é novidade que o mercado audiovisual está mudando. Assim como em outros setores, ele foi impactado pela inovação tecnológica e mudança nos hábitos de consumo. Marcas e agências estão repensando e adotando novas estratégias para continuarem presentes na mente do consumidor.

Em 2018 vemos o ponto crítico dessa transformação. É o momento em que as distribuidoras de conteúdo estão começando a adotar novas tecnologias e as agências de publicidade precisam mudar o modo como comercializam as marcas de seus clientes, pois o formato tradicional não funciona mais.

Acompanhando as mudanças que acontecem desde 2014, vejo que o foco está em streaming e não podia ser diferente. Há cinco anos no país, a Netflix conquistou o espectador. Uma pesquisa realizada pela RBC Capital Markets, banco de investimento global, em agosto de 2016, aponta que 57% dos usuários entrevistados eram assinantes do serviço de streaming, enquanto nos EUA, seu país de origem, esse número chegou a 46%.

A chegada da empresa no Brasil despertou o interesse do mercado por esse tipo de serviço. Emissoras de televisão começaram a investir e hoje contam com os próprios aplicativos para disponibilizar sua programação e até conteúdos exclusivos, como por exemplo, o Globo Play, que começou a produzir séries especificamente para o streaming.

Mas ainda há muito a ser explorado. Para proporcionar uma maior experiência de compra para o consumidor e gerar receita, é preciso adotar novas tecnologias. Nesse sentido vejo que o mercado brasileiro ainda não encontrou um rumo dentro das grandes novidades e oportunidades que estão surgindo. Quando falamos de T-Commerce, tecnologia que permite unir conteúdo ao e-commerce, muitos desconhecem suas utilidades e essa pode ser uma alternativa para tornar o budget mais rentável, permite um posicionamento de produtos e serviços dentro dos conteúdos por meio de merchandising de forma orgânica que torna o processo mais eficiente para o consumidor conhecer as marcas e seus produtos e também comprar através da tecnologia de T-Commerce.

Para as empresas é inevitável investir no comércio digital, pois é onde o consumidor está. De acordo com o estudo “E-commerce Radar 2017 – Resultados do mercado de e-commerce do Brasil”, realizado pela ABComm, Associação Brasileira de Comércio Eletrônico em parceria com a Neomove, consultoria de Business Intelligence, o setor cresceu 12% em relação ao ano anterior e o principal motivador das compras online são as buscas no Google, já que 52% dos pedidos são originados neste canal.

Além disso, a movimentação no mercado internacional acende uma luz vermelha para as empresas que ainda não pensam em investimento tecnológico. A especulação sobre a compra da Netflix pela Apple, por exemplo, permitirá que a marca insira filmes e séries em seus gadgets. Imagine assistir sua série pelo Apple Watch? Isso seria possível.

Por isso, enfatizo a necessidade de reinvenção. As marcas estão investindo muito dinheiro em um modelo que não é mais tão eficiente e há soluções disponíveis para mudar o cenário. A corrida para alcançar e ultrapassar a próxima novidade está cada vez mais veloz e aqueles que não acompanharem as tendências de mercado ficarão para trás.

E aí, pronto para começar o ano com o pé direito?

*Anselmo Martini é Vice-Presidente de Marketing Global do grupo CinemallTec, responsável pela plataforma Cinemall, tecnologia desenvolvida pela empresa que permite a integração de produtos, marcas e serviços diretamente no conteúdo nas mais variadas plataformas, tais como sites, smartphones e tablets