A norte-americana Docusign, uma das maiores empresas de DTM – Digital Transaction Management – do mundo, está interessada nas startups. Após chegar ao Brasil com a aquisição da Comprova, em 2014, a empresa passou a ter sua plataforma totalmente em português e tem o foco de aumentar no Brasil sua base de usuários, que estão em mais de 180 países e recebe mais de 40 mil novos usuários diariamente. Somente em 2016, a empresa registrou 1.518.933 downloads de seu aplicativo em todos os países onde opera, em 43 idiomas.

Recentemente, a companhia anunciou a aquisição da Appuri, startup norte-americana de machine learning. Segundo o acordo, a empresa adquiriu a licença do código fonte da Appuri, juntamente com os direitos para o avanço independente da tecnologia. A maior parte da equipe – inclusive seus fundadores, Damon Danieli e Bilal Aslam – também se juntarão ao time da DocuSign para o desenvolvimento do produto.

A aquisição resultou de um projeto piloto que as duas empresas têm desenvolvido em parceria ao longo dos últimos meses. A DocuSign agora integrará as tecnologias de machine learning e inteligência artificial da startup direto em sua plataforma e os produtos da Appuri não serão mais vendidos separadamente.

“Como um dos primeiros a adotar a tecnologia de segmentação de público, baseada em machine learning da Appuri, tivemos a oportunidade de conhecer as pessoas e a plataforma de base desenvolvida pela empresa. Rapidamente tornou-se claro que ali existia uma boa tecnologia e um time competente – consistente com os planos para os nossos produtos e que proporcionaria grande valor para os nossos clientes”, explica Tom Casey, SVP de engenharia da DocuSign.

O Startupi foi conhecer a sede da empresa no Brasil, com cerca de 70 colaboradores, localizada na Vila Olímpia. Marco Américo, vice-presidente da companhia para a América Latina, falou sobre a importância da Docusign se aproximar cada vez mais do ecossistema que provê inovação no Brasil. “O que nós fazemos é ajudar as empresas a serem digitais. Não existe meio digital. Ou a companhia é digital ou ainda é analógica. Não dá para se assumir como 100% se alguns processos ainda são realizados como eram há décadas”, diz.

No meio deste ano, a companhia foi citada em um ranking das melhores empresas para se trabalhar no mundo, ocupando a 32ª posição. “Nós ficamos muito honrados por estarmos entre as melhores empresas globais de tecnologia para se trabalhar”, comenta Marco. “A cultura da nossa empresa em São Paulo e em todos os nossos escritórios é realmente especial. Temos pessoas muito talentosas, dedicadas aos nossos clientes e ao sucesso deles”. Atualmente, a Docusign tem mais de 300 mil empresas como clientes globalmente, atendendo mais de 200 milhões de usuários no mundo. Documentos que poderiam ser assinados fisicamente e levavam cerca de 15 dias para ficarem prontos, podem ser assinados pela plataforma em 15 minutos por executivos do mundo inteiro.

“Na plataforma, nós temos o que chamamos de canetas. Um executivo pode ter várias canetas e assinar os documentos de diversas formas, com o documento de identificação no Brasil como o e-CPF ou com o Hanko, no Japão (carimbos japoneses que servem como assinatura”, explica. A autenticação das assinaturas podem ser realizadas com login e senha e com tokens e os documentos são criptografados, garantindo a autenticidade do do documento e das assinaturas durante o processo de formalização. Todos os documentos ficam disponíveis para os envolvidos pelo aplicativo ou pela plataforma 24 horas.

Escritório da empresa

Em 2015, a Docusign e a Visa apresentaram um aplicativo conceito que possibilita que o pagamento do aluguel de um automóvel seja realizado em apenas alguns minutos através do dashboard interno do carro, com a assinatura do contrato e pagamentos totalmente digitais. O aplicativo desenvolvido torna o carro um local inteligente com base em IoT, com a capacidade de gerenciar serviços como contratação de seguros, pagamento de pedágios, estacionamento e até download de músicas. O protótipo foi desenvolvido utilizando uma arquitetura Blockchain, trazendo a plataforma de DTM, em conjunto com a Visa Token Service para processamento de pagamento seguro.

Para 2018, a empresa no Brasil tem o objetivo de trabalhar mais com startups que tenham foco em inteligência artificial, machine learning, assinaturas digitais e blockchain. “É de extrema relevância que grandes empresas, independente do segmento, se aproximem das startups para trabalharem em conjunto, porque elas podem nos trazer inovações disruptivas com uma agilidade muito maior do que geralmente as grandes companhias realizam internamente, completa o executivo.