* Por Vinicius Andrade

Já empreendo há algum tempo e constantemente percebo, durante minhas leituras, em eventos, meetups, ou vendo vídeos de empreendedores e mentores no YouTube – que quase todas as pessoas falam: “Toda startup precisa resolver a dor de um cliente”

Eu mesmo já fui questionado, por inúmeras pessoas que não entendiam o conceito do meu negócio, sobre qual era a dor que minha startup resolvia. Segue uma dissertação do que seria resolver uma dor: “Sua empresa é uma vitamina (nice to have) ou aspirina (must have)?  Imagine-se com uma dor de cabeça horrível que não te deixa fazer nada. A solução: ‘Quero uma aspirina agora e pago o que for necessário!’. Usando essa analogia, sua empresa tem um produto que consegue esse mesmo efeito nos clientes?”

Claro que todo mundo quer construir uma empresa que ofereça ao mercado um produto ou serviço que seja “aspirina”, aquele que todos desejam ter, que se orgulham disso e pagariam o que fosse necessário para tê-lo. Mas, efetivamente, poucos se enquadram nessa categoria.

Dessa forma, acredito que essa abordagem de questionamento que estabelece se o produto ou serviço resolve alguma dor pode acabar inibindo empreendedores de inovarem em determinados mercados e buscarem oportunidades intrínsecas.

Pensem comigo: Qual a dor que o Uber resolveu para os clientes?

Ninguém (ou pouca gente) pensava: “Nossa, eu sinto a necessidade de me locomover com um motorista em um carro de luxo”. Mesmo assim, seus fundadores viram no mercado de locomoção de passageiros uma grande oportunidade e hoje, o Uber é a startup de maior valor de mercado do mundo. Eles conseguiram que, inclusive, milhares de pessoas que nunca pensaram em ser motoristas se dediquem ao aplicativo como profissão em tempo integral. Eles criaram uma dor!

E é nesse ponto que quero chegar. Existem inúmeras oportunidades no mercado para serem trabalhadas ou mesmo criadas. Muitas dessas oportunidades serão rotuladas como “vitaminas” (nice to have) até que a dor seja criada e com isso, elas se tornam “aspirinas” (must have). É o caso do Uber citado acima e de muitos produtos que vemos hoje em dia.

Para investidores que pensam a curto prazo, ou que não conseguem avaliar realmente a essência do negócio, empreender focados exclusivamente na dor do cliente é uma estratégia plausível. Porém, para empreendedores que buscam oportunidades grandes, ou mesmo investidores que buscam aportarem dinheiro naquela startup que pode se tornar um unicórnio, acredito que essa dor não deva ser o principal elemento a ser questionado e avaliado, e sim a estratégia de crescimento e planos futuros que os fundadores traçaram para o negócio. Fazer dessa análise algo assertivo, a dor passa a ser irrelevante.

Existem oportunidades que, na teoria, são péssimas. Porém, na prática, elas são incríveis. Minha dica para empreendedores é que analisem o potencial do seu negócio não como uma dor, mas como uma oportunidade de mercado.

Se o seu negócio não resolve uma dor hoje, mas existem caminhos que você pode tomar para que a necessidade seja criada, execute. Você irá colher os frutos no futuro.


Vinícius Andrade é CEO da Vesteer, maior plataforma de criação, venda e distribuição de produtos personalizados em todo o Brasil.