* Por João Zanocelo

Como designer, sempre fiquei meio com o pé atrás com o conceito de MVP (Minimum Viable Product).  MVP é a parte central e básica do seu produto. Ele é feito para apresentar a sua proposta de valor para o mercado o mais rápido possível, coletar feedback e fazer alterações com base naquilo que o seu consumidor disser.

 Basicamente é uma forma ágil de não fazer um produto caro e complexo que ninguém queira.

 O conceito de MVP foi lançado em 2011 no livro de Eric Ries, Startup Enxuta. O livro é espetacular, muito bem escrito e tem um conteúdo de riquíssimo valor. Não é por pouca coisa que virou uma das bíblias dos empreendedores do Vale do Silício.

 Mas uma coisa me preocupa: o ano em que foi escrito.

 2011 sem dúvida eram tempos mais fáceis, pelo menos em termos de competição. Naquela época, a concorrência era bem menor e os clientes tinham bem menos alternativas. E mais importante que isso, desenvolver software era mais caro, portanto fazia sentido gastar o mínimo possível para construir uma solução apresentável ao mercado.

 Mas quase 7 anos se passaram desde então e seu consumidor não apenas possui novas opções, como também novas maneiras de achar a que mais lhe agrada.

 Além disso, como apontado por Hayden Bleasel da Prototypr, seu cliente não tem a menor ideia de que aquele produto é um MVP. Ou seja, você corre o risco de causar uma péssima primeira impressão, boca a boca negativo, sem ao menos ter aprendido alguma coisa.

 O que eu e muitos outros designers do mercado defendemos é a reformulação do MVP. Ao invés de usar a sigla como desculpa para entregar produtos patéticos, demande um pouco mais de tempo e esforço para apresentar algo relativamente bonito e funcional, ou o que chamamos de MBP (Minimum Beautiful Product).

 Não me interprete mal. Eu acredito que a abordagem de MVP é a correta. O ciclo rápido entre execução, teste e alteração é sem dúvida o mais benéfico para uma startup, que possui tempo e recursos limitados. Contudo, a interpretação do conceito é o que me incomoda. Muitos dos fundadores usam disso para lançar produtos que nada mais são do que mal feitos.

 Em um cenário de altíssima competição, globalização e inovação, cada interação com seu consumidor é importante e pode definir o sucesso da sua startup. Não perca tempo, faça com capricho.


João Zanocelo é fundador bossabox.com e responsável pelas áreas de Design de Produto e Crescimento. Escreve sobre empreendedorismo, marketing e UX.