A Anjos do Brasil e a Bossa Nova Investimentos anunciaram esta semana um programa inédito de retorno antecipado para investidores-anjo. O Exits Anjo, nome dado ao programa, prevê que os investidores brasileiros tenham uma alternativa de saída de seus aportes e usem parte deste valores para apoiar mais startups.

De acordo com João Kepler, sócio da Bossa Nova Investimentos, o programa prevê R$5 milhões para recompra de participação de anjos entre 40 e 70 startups. “Como investidor-anjo, eu tenho consciência de que a saída é um dos pontos críticos dos investidores pois o prazo médio para isso no Brasil é de seis a oito anos, o que é muito tempo”.

Com o programa anunciado, até 90% da participação poderá ser comprada pela Bossa Nova, no caso de haver somente um investidor-anjo na startup. O programa prevê também que metade da quantia resgatada pelo anjo seja reinvestida em outras startups do portfólio da Anjos do Brasil, em até três meses após o retorno. “O que nós não queremos com esta iniciativa é deixar as startups sem o smart money. O investidor-anjo dá às startups muito mais do que o capital, por isso existem estas regras no programa”, diz João. Se no mesmo investimento tiverem dois investidores-anjo, há a opção de um sair do investimento e o outro continuar acompanhando a startup.

Maria Rita Spina Bueno e João Kepler, durante o anúncio do Programa

Como funciona

Para participar, o investidor deve preencher e submeter um formulário para análise e seleção. Os segmentos alvo da Bossa Nova são de educação, saúde, fintech, agro, lawtech, soluções para PME e softwares para varejo (mas não venda de produtos no varejo). A Bossa Nova não investe em negócios de mídia (adtech), governo, e-commerce (que vendam produtos), games ou hardware. Além disso, otros ontos serão levados em consideração: modelo de negócios, tração, time e tam (Total Adressable Market). As startups alvo devem ter soluções B2B e B2B2C, com o negócio validado, operando com mais de um ano de vida e com clientes, já em estágio de faturamento.

A partir daí, a Bossa Nova convidará o investidor que aplicou para negociar. Outras condições para o negócio são: o limite de ganho de capital é até três vezes superior ao investimento aportado inicialmente na startup para que a Bossa Nova possa se manter em estágio pré-seed e seed. Obviamente, o investidor-anjo após selecionado pela Bossa Nova, deverá ter anuência dos fundadores e demais investidores da startup para concluir a transação.

Sobre a parceria com a Anjos do Brasil, João diz que a ideia é que esta iniciativa se estenda para além da Bossa Nova Investimentos. “Mais e mais anjos, superanjos e venture capitals vão seguir o mesmo modelo para fomentar o ecossistema”, explica.

Este programa, além de dar fôlego aos investidores-anjo do País, também ajudará a aumentar o portfólio de startups da Bossa, que tem o intuito de investir em até mil startups até 2020.  No início deste ano, o Grupo BMG associou-se ao micro venture capital liderado por João Kepler e Pierre Schurmann. O Grupo investiu 100 milhões de reais na Bossa Nova.

Abaixo, João Kepler, sócio da Bossa Nova Investimentos, explica em detalhes sobre o funcionamento da iniciativa:

Atualmente, a venture capital conta com 170 startups em seu portfólio investidas diretamente. Com a parceria com a ACE – uma das maiores aceleradoras da América Latina também investida pela Bossa Nova -, este número chega a quase 300, somando um valuation de R$3.8 bilhões. “Atualmente, realizamos cerca de 15 investimentos ao mês”, finaliza.

O investidor que queira aplicar para o programa deve acessar o site da Bossa Nova neste link.