Empreendedores de 14 startups brasileiras participaram de um seminário sobre empreendedorismo, financiamento e pesquisa de mercado no ecossistema de inovação da França. Eles integram a primeira missão do StartOut Brasil, novo programa de internacionalização de startups do governo federal. O seminário aconteceu na Embaixada do Brasil em Paris.

Na abertura do evento, Alexandre Barral, da Business France, explicou que a França pode ser uma porta de entrada para o mercado europeu e africano. “Nosso país pode ser um hub muito interessante para a Europa e também para a África, pois temos uma convergência cultural, logística e linguística com diversos países africanos. O setor tecnológico também é bastante atrativo aqui. As startups podem contar com incentivos e financiamentos do governo e instituições privadas”, destacou.

De acordo com dados apresentados por Barral, os custos de implementação e operacionais na França são mais baixos que no Reino Unido, Alemanha, Japão e Estados Unidos. Como ele destacou, a Business France oferece acompanhamento gratuito no processo de abertura de empresa no país e apoio em missões de prospecção. O país também é signatário de acordos para evitar a dupla tributação de empresas.

Para Barral, o mercado de inovação será ainda mais interessante nos próximos anos. “Em 2024, sediaremos os jogos Olímpicos, o que, naturalmente, significará investimentos em diversas áreas. Além disso, o presidente Emannuel Macron deverá realizar, em breve, mais uma edição do French Tech Ticket, programa de aceleração do governo francês”, explicou.

Laurence Kirsner, também da Business France, apontou em sua apresentação outras vantagens do mercado francês. “Na França há disponibilidade de mão de obra e os profissionais são extremamente qualificados. Também temos muitos bancos instalados aqui. E a nossa economia é bastante diversificada: não é um país que vive do setor financeiro. Temos uma economia voltada a questões sociais, indústrias e startups.”

O cenário político e econômico também seria um fator bastante atrativo para os empreendedores. “As instituições políticas e jurídicas francesas são bastante estáveis. Os governos mudam, mas há segurança jurídica para as empresas. Também estamos simplificando e flexibilizando nossa legislação trabalhista, o que terá impacto positivo para a contabilidade das empresas”, apontou Kirsner.

Nova capital da economia europeia

Odin Demassieux, da organização Cap Digital, compartilhou com os empreendedores brasileiros informações sobre o efetivo processo de instalação no país, chamado de softlanding. A Cap Digital, como ele explicou, ajuda a conectar os empreendedores inovadores a investidores e fundos públicos.

“É importante que vocês conheçam nosso ecossistema antes de virem pra cá. Sugiro que, se possível, façam testes para saber se sua estratégia de internacionalização é sustentável. Além disso, é interessante que um fundador da empresa se mude para o país para garantir que todo processo ocorra da melhor maneira possível”, aconselhou.

Para Demassieux, a França é o local certo para quem quer entrar no mercado europeu. “Somos a porta de entrada. Na Espanha e em Portugal não há tantas empresas grandes como aqui. Na Alemanha, existe uma barreira linguística grande e, no Reino Unido, o cenário é bastante competitivo. Quem se estabelecer na França, ganhará outros mercados”, disse.

Em seguida, Aurelies Capus e Frederic Boute da F Initiatives apresentaram aos empreendedores algumas das vantagens fiscais e tributárias que as empresas brasileiras irão encontrar na França, como um crédito para realização de pesquisa e desenvolvimento e mecanismos de fomento do governo para jovens empresas inovadoras.

Daniel Coutinho, empreendedor brasileiro sediado na França, também conversou com os representantes das startups que integram a missão do StartOut. Ex-diretor de uma empresa da holding Louis Vitton, ele acredita que a França é a “nova capital da economia europeia”.

“Nunca foi tão bom para uma empresa brasileira se instalar na França. O contexto do Brexit [saída do Reino Unido da União Europeia] fez com que o país se tornasse um destino para muitas empresas. O mercado tem se modernizado com a reforma trabalhistas. A mão de obra francesa é muito qualificada. A localização é central para acessar muitos mercados aqui na Europa”, disse.

Pitch

No começo da tarde, houve uma rodada de palestras com prestadores de serviços franceses. Advogados, consultores de mercado, representantes da Câmara de Comércio Brasil-França e especialistas da área de recursos humanos explicaram aos participantes da missão as particularidades do mercado francês.

Em seguida, os empreendedores apresentaram suas startups a um investidor francês e dois outros convidados ligados ao ecossistema de inovação do país. Em quatro minutos, eles falaram a respeito do seu modelo de negócio, do mercado em que se inserem e das parcerias que buscam na França para ampliar suas operações.