A Serasa Experian inaugurou hoje, em São Paulo, seu novo laboratório de inovação. A nova versão do Datalab, inaugurado em 2015, fica no bairro da Vila Olímpia e tem cerca de 700 metros quadrados, que pode abrigar até 50 cientistas de dados, engenheiros de software e outros tipos de especialistas que desenvolvem soluções que envolvam Big Data e inteligência artificial, entre outros. Hoje lá estão 20 cientistas de dados, 6 pessoas ligadas a projetos e 4 que compõem equipe de clientes.

A Serasa Experian tem ainda dois outros laboratórios de inovação, localizados em San Diego e em Londres. “Estes laboratórios trabalham juntos, trocam informações e utilizam dados que já trazem e que ainda vão trazer benefícios não só para as empresas, mas para o mercado e para a comunidade em geral”, explica Paulo Melo, diretor de relações institucionais da empresa. De acordo com ele, R$47 milhões serão investidos nos próximos cinco anos no laboratório, um aumento de R$22 milhões em relação ao investimento anunciado em 2016.

Abaixo, Rodrigo Sanchez, VP de Estratégia e Gestão de Dados da Serasa Experian, fala sobre o relacionamento da companhia com startups:

Espaço

O objetivo da nova estrutura do laboratório é representar um espaço urbano, com arquibancadas, um coffee truck e um grande painel representando os dados e a tecnologia desenvolvida lá dentro. O espaço, para clientes, parceiros e colaboradores também é acolhedor. A prova disso é que todas as salas de reunião têm os nomes de alguns dos artistas preferidos dos funcionários, como Jimmi Hendrix e Pink Floyd, por exemplo. Nas paredes e no teto também há quadros de grandes nomes da ciência e de outros meios que, de alguma forma, influenciaram estes cientistas. Por lá, é possível ver quadros que vão desde Silvio Santos a Salvador Dalí e Santos Dumont.

“Acreditamos que o espaço é uma das partes mais importantes. Queremos que a equipe trabalhe feliz e confortável, e que isso também seja levado aos nossos clientes.”, diz Marcelo Pimenta, diretor do Datalab. Os cientistas do laboratório também podem usufruir de um “espaço de descompressão”, com redes, games e fliperama e, futuramente, uma churrasqueira na varanda. “Tudo aqui é pensado para que a equipe se inspire. Por isso, estimulamos que todos participassem da criação do espaço”, explica Marcelo.

O espaço foi construído para, de acordo com Marcelo Pimenta, “se mover rápido, trabalhar novas fontes de dados e testá-los no mercado”. Para realizar isso, a Serasa Experian se alia a grandes empresas e/ou startups. Uma das soluções desenvolvidas ali, por exemplo, foi usar dados de usuários de redes sociais, baseado em reviews de redes de restaurantes e hotéis, para criar um mapeamento de risco de crédito destas empresas.

Marcelo Pimenta, diretor do Datalab, fala ao Startupi sobre o que é produzido dentro do laboratório:

Ao falar sobre a atuação do laboratório, o diretor explica o papel fundamental do cientista na criação de tecnologias desenvolvidas naquele espaço. “Acreditamos que dados gerados por empresas, pessoas, sensores e coisas que estão na cidade nos ajudarão a explicar o comportamento preditivo, desde compras até eventos catastróficos. A composição de dados que é gerada por essa massa de informação que vem de todos os lados vai falar muito sobre nós mesmos, para onde as cidades vão crescer, para onde os serviços serão criados e assim por diante. Entender o que estes dados estão dizendo, tirar insights e criar novos serviços é a nossa missão.” Os cinco pilares utilizados no Datalab são: infraestrutura Big Data, Armazenamento e Geração de Dados na Nuvem, Social Media e Inteligência Artificial.

Produtos

Na sala de IoT são trabalhados equipamentos em hardware aberto, e o objetivo é dominar uma tecnologia e, uma vez que isso é realizado, implementar a solução em clientes com produtos bem mais baratos e específicos para cada um. Um dos exemplos que Marcelo apresentou foi um carrinho autônomo. A ideia é que se coloque este dispositivo em uma loja ou shopping center durante a noite, quando o estabelecimento estiver vazio, e o carrinho caminhará de maneira autônoma pelo local. “Neste percurso, ele vai fazer duas coisas: um mapeamento da intensidade de sinal do wi-fi e também o caminho inverso, que é emitir o wi-fi e ler o caminho de volta”, diz Marcelo. Com isso, é possível criar um ambiente 3D, como uma maquete, daquele espaço de maneira autônoma.

Além disso, o Datalab também abriga o Sinergy, um coworking de inovação para clientes da Serasa Experian que buscam desenvolver soluções de Big Data. Com o novo espaço, o Sinergy pode receber até cinco empresas simultaneamente para o programa de desenvolvimento de inovação. Rodrigo Sanchez, vice-presidente de estratégias e gestão de dados da Serasa Experian, explica sobre o coworking. “O Sinergy existe para que possamos trazer nossas clientes para trabalharmos todos os processos da criação desta inovação, que vai desde o desenvolvimento até a implantação do produto, em conjunto com nossos cientistas e especialistas”. O programa atende também startups interessadas em criar produtos em parceria com a Serasa Experian.

Pesquisa

Um dos novos produtos desenvolvidos pelo Datalab é o RWA (Real World Analytics), uma plataforma de dados de geolocalização desenvolvida em parceria com a startup In Loco. O produto permite entender melhor o comportamento do consumidor dentro e fora de estabelecimentos comerciais, baseado no tempo que ele passa no local, distância que a pessoa percorre até chega lá, faixa etária e até classe econômica dos clientes.

O primeiro estudo divulgado realizado com a plataforma mapeou o comportamento de frequentadores da 25 de Março, em São Paulo, e do Saara, no Rio de Janeiro, ambas regiões de comércio popular. O objetivo desta ferramenta é auxiliar comerciantes a otimizar seus esforços de marketing, a partir do mapeamento dos hábitos dos consumidores. Entretanto, esta tecnologia pode ser utilizada para inúmeros outros fins. “Este conceito pode ser utilizado para entender melhor políticas públicas para determinada região, melhorando mobilidade etc.”, diz Paulo Melo.

Djalma Padovani, especialista da Serasa Experian responsável por desenhar a ferramenta RWA

De acordo com a segmentação Mosaic Brasil, modelo do Serasa Experian que se baseia em dados socioeconômicos, demográficos, geográficos e comportamentais, 29,49% dos visitantes da 25 de Março são jovens adultos da periferia. Este grupo é composto por pessoas de até 35 anos, e são os protagonistas da ascensão da nova classe média do Brasil. Em segundo lugar, com quase 18% das visitas à região está a chamada Elite brasileira, que são adultos acima dos 30 anos, com alta escolaridade e bem empregados, desfrutando de alto padrão de vida.

Um padrão similar se repete no Rio de Janeiro, com 25% dos visitantes sendo jovens adultos da periferia e 23% da elite. Para Marcelo Pimenta, um dos motivos que explica esta inesperada quantidade de visitantes de classe econômica alta a uma região de comércio popular é a praticidade. “Quem vai à 25 de Março ou ao Saara vai para resolver um problema, não para ter uma experiência de compra. Por isso, muitas vezes estas pessoas preferem ir a estes lugares porque ali sabem que vão encontrar o produto que precisam e a um preço abaixo do encontrado em outros lugares”, diz.

Para Paulo Melo, outro fator que atrai este público é que, por conta da crise econômica que o país tem passado, pessoas de classes mais altas estão saindo das lojas e supermercados e indo para os atacarejos, por conta do valor dos produtos”, diz.

Atualmente, mais de 20 varejistas utilizam a ferramenta, que é comercializada pela In Loco, para conhecer seu público. Acesse abaixo o vídeo de apresentação da RWA: