* Por Maria Alice Maia

Quando o NaHora.com veio para o Chile, a decisão foi ambígua, mesmo para nós. A dúvida foi grande: Não sabíamos se valia a pena, se concentrar parte dos esforços por lá nos prejudicaria no Brasil e, principalmente, o impacto de participar de um novo programa de aceleração. Ouvimos por algumas vezes que a nossa ida era “coisa de maluco”. Hoje, temos a certeza de termos feito a escolha certa, e por isso compartilhamos alguns pontos após a nossa premiação por lá:

Start-up Chile

O primeiro passo para entender o Start-up Chile é saber que eles não são um programa de aceleração comum. É um programa que exige disciplina e capacidade de aprendizado por parte do empreendedor, mas, principalmente, exige auto-conhecimento. É preciso se conhecer para saber o que buscar, quando buscar e como buscar. O programa tem conteúdos semanais, que são como palestras ou aulas, mas o empreendedor não precisa parar seu negócio para seguir no programa. A ideia é o contrário: a agenda do programa potencializou o negócio do NaHora.com.

Incentivos

O Chile é um país com muitos incentivos para negócios, empreendedorismo e, principalmente, inovação. O incentivo é financeiro, mas, principalmente, em termos de contatos, networking, apoio e abertura. Os bancos, as grandes empresas e principalmente o governo chileno apoiam a inovação. Lá, o tema não é assunto da área de inovação, mas da empresa como um todo. Assim, é mais acessível recorrer a parcerias, grandes clientes e, principalmente, smart money. No NaHora.com, conseguimos parceiros estratégicos, não só para a América Latina, mas globais.

Room for Innovation

A América Latina tem espaço para inovação, e não é pouco. Os governos ainda são muito intervencionistas em relação à economia, e isso abriu espaço para oligopólios e ineficiências de mercado, que as startups estão mais que preparadas para resolver. Se as startups do brasil soubessem os mercados que estão perdendo, estariam lançando missões à América Latina, antes de se forcar em mercados saturados. Para nós, do NaHora.com, precisamos de tempo para entender as regulações e a composição do mercado de turismo. Mas quando entendemos, percebemos que as oportunidades de lá transcendem o que vemos por aqui.

Nascer no Brasil, Crescer Global

Nós, startups brasileiras, temos uma vantagem competitiva: nascemos em um mercado gigantesco. Para nós, qualquer participação de mercado já garante uma receita razoável e qualquer mercado possui espaço para crescimento alto. Mas isso pode se converter em ameaça: nos focamos tanto no Brasil e nos formamos tanto para nosso cliente brasileiro, que nos tornamos específicos para um mercado, e enfrentamos dificuldades quando pensamos em expandir. O risco disso é levar para um momento de estagnação: você só vai atingir um máximo de market share, e depois disso, vai crescer pra onde? As startups que nascem na América Latina, já nascem em mercados menores, e por isso pensar em outros países e se preparar para diferentes culturas e necessidades. E se provar em outros mercados é,  principalmente, se provar uma necessidade maior. E o tamanho da necessidade é que faz o tamanho da startup.


Maria Alice Cabral é CEO do NaHora.com, a primeira plataforma de ofertas relâmpago de passagens aéreas da América Latina.