A Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos cuja finalidade é incentivar o investimento anjo no Brasil, lançou um estudo elaborado em parceria com a Grant Thornton Brasil, uma das principais firmas de auditoria e consultoria do país, que revela a importância de estímulos para esse tipo de investimento em tempos de crise. O estudo revela que investimento em Startups ajuda a tornar as economias mais fortes. Para ter mais aportes deste tipo, é preciso conceder estímulos aos investidores, especialmente em um cenário ainda de desemprego elevado no qual há perda de confiança.

“Os estímulos propostos não são renúncia fiscal. Eles geram aumento de arrecadação e, ao mesmo tempo, startups passam a ter mais acesso a recursos”, explica Cassio Spina, presidente da entidade. O levantamento simula isenção total do imposto sobre ganho de capital e uma compensação de até 50% do valor de investimento nos impostos devidos pelo investidor, seguindo o modelo implantado pelo Reino Unido, demonstrando que mesmo com estes estímulos, para cada R$ 1 investido, são gerados pelo menos R$ 2,21 em tributos.

No total, a cada R$ 1 investido em uma Startup, R$ 5,84 são injetados no mercado local em um prazo de cinco anos. No mesmo período, pode ser gerada uma massa salarial de mais de 2,8 vezes o valor dos investimentos.   De dez economias emergentes analisadas, o Brasil é o penúltimo em porcentagem do PIB alocado em investimentos, a frente apenas da Turquia. China, Coreia doSul e Cingapura ocupam o pódio. “Fizemos uma modelagem bastante conservadora, para termos confiança nos números levantados. Como o investimento anjo é de alto risco, para que o Brasil avance nessa área são necessários os estímulos”, explica Paulo Funchal, líder de transações da Grant Thornton.

Cassio Spina ainda destaca que “estes estímulos propostos são fundamentais para o desenvolvimento do empreendedorismo inovador brasileiro e também, no mínimo, uma equiparação para outros setores como investimentos imobiliários, agrícolas e empresas listadas na bolsa de valores com faturamento menor de R$ 500 milhões, que possuem isenção fiscal, lembrando ainda que o investimento em startups possui um risco maior, assim, nada mais justo que tenham também mais estímulos”

Com relação a esta questão, o deputado federal Otavio Leite, parlamentar que tem atuado pelo ecossistema do empreendedorismo no país, afirma que “O Brasil não pode ficar parado no tempo. Quanto mais capital investindo no empreendedorismo inovador, mais chances de entramos de fato na economia do século XXI. O Congresso nacional precisa estar antenado. Por isso queremos regras jurídicas que estimulam e animem as atividades econômicas. Isso passa pela desoneração do Investidor ” e como relator do PLP 341/2017 está propondo os mecanismos de estimulo para investimento em startups utilizados neste estudo.

Importante destacar que na simulação de um investimento total de R$ 4 milhões, o retorno em pouco mais de dois anos em impostos já seria acima dos R$ 5,9 milhões, ou seja, a arrecadação tributária seria efetivada antes da compensação doinvestimento, gerando um fluxo de caixa positivo para a Receita Federal. Outra conclusão muito relevante é que sem os estímulos, pela simulação, o retorno do investimento para os investidores é de apenas 14,17% ao ano, o que considerando pelo risco elevado tomado, não é muito atrativo. Por outro lado, com os estímulos, o retorno sobe para 29,05% ao ano. Também vale observar que mesmo que o responsável pelo aporte não tenha retorno, o governo ganha nos três cenários traçados.

Para acessar o estudo completo clique aqui.