Na última quarta-feira (8), aconteceu no CUBO Coworking o Reveal & Invest Day, evento realizado pela Business France – a agência nacional de apoio à internacionalização da economia francesa – para promover a geração de negócios entre a França e o Brasil. Através de um concurso de pitch, startups competiram diante de um júri formado pelos por alguns dos principais atores do ecossistema tecnológico brasileiro.

Por que a França?

Durante o evento, foram apresentados diversos motivos pelos quais os empreendedores devem considerar a França na hora de internacionalizar suas startups. Abaixo, listamos alguns deles:

Uma potência econômica mundial: A França é a terceira maior potência da União Europeia, segundo o FMI, a sexta maior exportadora mundial de bens e a quarta exportadora mundial de serviços, de acordo com a OMC. O país possui ainda 31 empresas entre as 500 melhores do mundo, diz a Fortune.

Aberto ao investimento internacional: O país é o primeiro destino europeu para os investimentos estrangeiros na indútria. Em termos de estoque de investimento estrangeiro direto, a França ocupa a sétima posição mundial e o terceiro lugar europeu.

Um dos mais importantes mercados da Europa: A França é o segundo maior mercado europeu, com mais de 66 milhões de habitantes. Ela também possui a maior taxa de fecundidade da Europa, de acordo com o Eurostat.

Conexões eficientes com a Europa e o mundo: A maior rede rodoviária da Europa é francesa. O país também é conhecido por seus aeroportos. O Roissy-Charles de Gaulle está em segundo lugar para passageiros e cargas na Europa. A rede ferroviária de alta velocidade do país é a segunda mais eficiente da Europa. Em 2013, Marselha foi classificada em quinto e Le Havre em oitavo porto da Europa em arqueação.

Custo de mão-de-obra: Na França, o custo geral do trabalho por trabalhador é menor do que no Japão, EUA ou Alemanha. Os custos operacionais e de implantação também são menores na França do que na Itália, Japão, EUA ou Alemanha.

Mão-de-obra qualificada: O país investe mais em seu sistema de ensino (mais de 6% do PIB) do que a Alemanha, Itália ou Espanha. Para a produtividade horária da mão-de-obra, a França ocupa o sétimo lugar mundial, na frente da Alemanha e do Reino Unido.

Fiscalidade: O crédito fiscal para a competitividade e o emprego permitiu a redução no custo do trabalho em 6% em 2015. O benefício para as empresas é de 20 bilhões de euros por ano. O crédito fiscal para pesquisa é um incentivo fiscal sem equivalente na Europa: um crédito de 30% dos gastos para P&D até 100 milhões de euros e 5% acima desse montante.

P&D e Inovação: A França ocupa o quarto lugar do mundo para o depósito de patentes internacionais. Está também em primeiro lugar do ranking Deloitte Technology Fast 500 EMEA 2015 pelo quinto ano consecutivo, com 87 empresas entre as 500 com o melhor desempenho no setor de tecnologia da região EMEA. A França também está em primeiro lugar dos países europeus no top 100 das empresas mais inovadoras do mundo.

Boas vindas ao talento estrangeiro: A entrada de talentos estrangeiros é facilitada sobretudo pelo visto de residência “habilidades e competências” indicado para os estrangeiros fora da UE nomeados dirigentes de uma subsidiária da França. O visto “funcionário expatriado” é destinado para a mobilidade intragrupos e o “cartão azul europeu” para funcionários altamente qualificados. Além disso, o French Tech Ticket oferece aos empresários estrangeiros que criem sua startup na França um pacote de boas vindas: concessão de 12.500 euros por fundador, visto, representante local helpdesk, apoio para instalação etc.

Internacionalização e Investimentos

Rafaela Herrera, da Startup Farm, e Maria Rita Spina, da Anjos do Brasil, participaram de um bate-papo sobre internacionalização de startups e investimentos durante o Reveal & Invest Day. Maria Rita falou sobre como os empreendedores pode tirar vantagem das conexões de seus investidores na hora de internacionalizar. “É importante olhar para a rede de contatos internacional do seu investidor na hora de escolher um. Porque, para abrir portas no exterior, os investidores conversam entre si e falam de igual para igual, o que é pode fazer uma grande diferença para a startup investida”, diz.

O que uma startup estrangeira precisa levar em consideração na hora de abrir uma operação completa em outro país? Para Rafaela, a principal preocupação deve ser com a legislação do novo país. “Quando o empreendedor vai para outro país, ele precisa de um advogado. É preciso conhecer as leis e os impostos que terá que pagar. Depois disso, é importante conhecer bem a cultura deste país, para saber como seu produto funcionará com as pessoas daquele local. É preciso construir uma relação com este país”, explica Rafaela.

Empresas Francesas

o pitch das empresas francesas da noite foi realizado por About Innovation; Book my Helo; Digitevent; Ignilife; Hadagio e Webdrone. A vencedora da noite foi Ignilife, uma plataforma móvel de treinamento de saúde que ajuda as pessoas a preservar e monitorar seus dados de saúde.

Além de passagens aéreas França-Brasil pela AirFrance, a empresa ganhou também um mês de soft landing oferecido pela Bossa Nova Investimentos e pelo Parque Tecnológico de São José dos Campos.

Empresas Brasileiras

Os pitches de startups brasileiras foram realizados pela Connectcons; Crowd; Filho Sem Fila; Luztr; Piipee; Rio Analytics; SheetGo e Voix. A startup vencedora foi a Piipee, uma solução biodegradável que substituiu a água da descarga na hora de eliminar a urina no vaso sanitário.

Ezequiel Vedana da Rosa, fundador e CEO da startup, falou ao Startupi sobre a premiação e os planos da startup para o produto. Por enquanto, ele explica que as vendas do Piipee são realizadas exclusivamente pelo site da empresa. “Não adianta colocarmos no varejo agora se as pessoas não sabem ainda usar o produto”, explica. Atualmente, grande parte das vendas do produto vem de vendas para empresas, onde é mais fácil trabalhar o comportamento de um grupo de pessoas a utilizarem o produto para substituir a descarga do xixi.

“Estivemos na França há 15 dias visitando algumas cidades que nos convidaram para conhecer a infraestrutura que elas podem oferecer para startups. Foi muito legal para nós, que somos uma startup brasileira e tivemos essa oportunidade. A Business France está do nosso lado também para entendermos qual o melhor momento para irmos para lá e muito mais”, explica Ezequiel. A Piipee foi premiada com um mês de soft landing oferecido pela incubadora francesa Paris&Co, além de passagens aéreas fornecidas pela AirFrance.