O clima na quadra esportiva da escola era o mesmo de uma sessão de pitch nas incubadoras de startups. A banca de “investidores” convidados ouviu, atenta, e fez muitas perguntas às turmas de 4º ano do Centro Educacional Pioneiro, que apresentaram suas “empresas” e seus “produtos“, desenvolvidos ao longo de oito meses, no projeto Empreendizagem: aprender a empreender, da área de Ciências. As crianças explicaram, apoiadas por apresentações digitais feitas por elas mesmas, como foi o processo de trabalho, suas dificuldades e tomadas de decisões para desenvolver seus “negócios”.

Organizados em “departamentos” – financeiro, marketing, inovação do produto – os alunos começaram construindo as composteiras. Cada “empresa”, ou, cada sala, montou a sua. Depois de decidir que iriam comercializar o chorume e o húmos produzidos nas composteiras, os pequenos empreendedores saíram a campo para realizar “pesquisa de mercado”, avaliar a concorrência. Para compor os produtos, tiveram que aprender a construir planilhas de investimentos edespesas, estudar o custo unitário de cada produto, calcular porcentagem de lucro e estabelecer preço final. A equipe de marketing estudou e desenvolveu a marca, a logomarca e a embalagem.

Na sessão de pitch, a animação era total. Os meninos e as meninas se revezaram nas apresentações, sem se intimidar diante da plateia de cerca de 300 pais e amigos. Também não titubearam ao responder às dúvidas da banca: contaram como resolveram, por exemplo, um problema recorrente entre todas as turmas, a morte das minhocas! “A gente aprendeu que não pode colocar casca de frutas ácidas na composteira. E precisa ter bastante ar!”, disse Thaís Leonardi. “Eu gostei mais é de treinar para falar em público, apresentar nossa ideia”, ressaltou Gabriela Ono.

A família de Helena Yshimine Maria ficou encantada: “Nunca pensei que uma criança de 9 anos fosse capaz de assimilar tantos conceitos, e um processo tão complexo em sua totalidade, como o funcionamento de uma empresa”, disse o pai da aluna.

Márcia Nobue Sacay, coordenadora de Ciências do Pioneiro, conta que o projeto teve a ajuda de parcerias importantes na escola. Além da forte integração entre as professoras dos 4ºs anos, colaboraram para os trabalhos as equipes de Tecnologia Educacional, Marketing e o setor Financeiro.

O projeto foi aceito pela Associação de Aprendizagem Baseada em Problemas (Problem Based Learning Association), e será apresentado na Conferência Internacional da entidade, que acontecerá em fevereiro de 2018, na Universidade de Santa Clara (EUA). Professoras do Pioneiro vão levar a experiência ao encontro de especialistas, que desafia os participantes a refletir sobre a contribuição das Metodologias Ativas de Aprendizagem para melhorar e reinventar a educação.