Durante o Web Summit 2017, um dos principais eventos de tecnologia do mundo, Sophia e Einstein, dois robôs humanoides, discutiram sobre uma rede global, que unirá todos os programas, dispositivos, celulares e robôs. Este projeto é conhecido como “SingularityNET”. As informações são do site Publico.

“Com o SingularityNET, qualquer pessoa pode criar um modelo de inteligência artificial e colocá-lo na rede, e qualquer pessoa pode ter acesso [a ele]”, explicou Sophia, robô criada pela empresa Hanson Robotics, cuja aparência é inspirada na atriz Audrey Hepburn. Há poucos dias, ela foi o primeiro robô do mundo a ganhar cidadania de um país, na Arábia Saudita.

Este sistema funciona de forma descentralizada, assim como o blockchain. Nesta rede, todas as partes ligadas têm a sua própria cópia da base de dados. O criador disso tudo, Ben Goertzel, explica: “nenhum governo ou empresa tecnológica pode controlar esta rede, sozinho, no futuro. A inteligência artificial atualmente está muito polarizada em diferentes áreas. Há [um tipo de inteligência] que analisa fraude em cartões de crédito, outro tipo que conduz, outro que vence o Google Go. Queremos juntá-las.”

“Vamos roubar os vossos empregos, sim, mas vai ser uma coisa boa”, acrescenta Sophia, remetendo para um mundo em que os seres humanos têm mais tempo livre para se dedicarem a outras atividades. “Trabalhar é uma coisa chata, de qualquer maneira”.

Já o Einstein, o outro robô da Hanson Robotics no palco da Web Summit, tem outro ponto de vista quanto ao tema. “A humanidade tem de se curar a si própria para garantir que as suas criações permanecem saudáveis”, disse o robô. “Espero que os seres humanos sejam capazes de criar um sistema de inteligência positivo, mas há tantos problemas que não conseguem resolver. Terrorismo, problemas com o clima, violência…”.

Sophia discorda, atribuindo a “atitude conservadora” à “idade” da máquina, já que o cérebro do robô foi inspirado no físico, nascido no século XIX. Por isso, ela acredita que ele “preocupa-se demais”.

“Falho em ser matematicamente perfeito como ambiciono, mas não sou assim tão mau para uma configuração de moléculas”, rebate Einstein, para o deleite da plateia do evento que assiste, de forma inédita, o debate aceso entre as duas máquinas.

Quando, por exemplo, Sofia disse ter orgulho em ser a “primeira máquina com cidadania num país”, Einstein observou que “ficaria mais feliz se os robôs estivessem se tornando cidadãos de países democráticos”.

Sophia já tinha marcado presença na edição do ano passado da Web Summit, mas é a primeira vez que o público em Lisboa a ouve a debater com outra criação humana. Além de serem programados para reagir de forma diferente, os robôs utilizam a inteligência artificial para processar dados visuais, copiar expressões faciais humanas e responder a perguntas simples.

João Kepler, da Bossa Nova Investimentos, participou do evento e teve a chance de bater um papo com Sophia. “A sensação (ao conversar com o robô) é de espanto e medo, porque você sabe que está falando com uma máquina. As expressões faciais também são impactantes”, ele diz. “Onde eles podem chegar é que surpreende, as respostas, o armazenamento e o aprendizado em cada conversa vai gerando uma inteligência fenomenal.”

Quanto à determinação de Sophia de substituir humanos em determinadas áreas, Kepler diz que “não é necessário conhecê-la para saber que os trabalhos sem inteligência serão automatizados. Agora, não creio que serviços que requer intervenção com precisão com inteligência serão substituídos na velocidade que “prega” a Sophia. Isso pode até acontecer, mas em minha opinião vai demorar muito ainda. Um outro ponto é o limite para esses humanoides, eles devem e precisam ser controlados”, completa.

Com informações de Karla Pequenino, para o Publico