*Por Fernanda Santos e Marystela Barbosa

Essa semana aconteceu a quarta edição do CASE – Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo. Organizado pela Associação Brasileira de Startups, o evento reuniu mais de oito mil participantes na Zona Norte da capital paulista.

Durante os dois dias de evento, 26 e 27, foram promovidas palestras, workshops e painéis divididos em três áreas: hustler (marketing e vendas), hacker (desenvolvedores) e hipster (criativos e designers), para potencializar o aprendizado dos profissionais de cada área.

O presidente da ABStartups, Amure Pinho, disse ao STARTUPI que a organização do evento está muito satisfeita com o formato utilizado neste ano para as palestras. “Com o formato deste ano, fomos muito assertivos. Quando o empreendedor chega, ele consegue decidir sobre o que ele quer aprender mais: se ele é mais de tecnologia, vai aprender com um CTO na prática; se é de design, tem uma arena exclusiva para este conteúdo. No palco principal, colocamos os maiores destaques que queríamos que todos assistissem”, explica.

Grandes nomes do empreendedorismo nacional e internacional passaram pelos palcos da Conferência, como Adeo Ressi, da Founder Institute, Mackenzie Kosut, da AWS e Marcio Kimruian, da Netshoes.

Amure Pinho explicou ainda sobre a parceria da ABS com o FIEMG Lab, que levará a Associação para diversas cidades brasileiras. “Para 2018, o nosso grande plano são as comunidades. Passamos 2017 rodando muitas cidades e percebemos que o que a gente mais pode fazer de impacto é entender o nível de maturidade de cada comunidade e ajuda-las na medida dos desafios que elas têm”, explicou.

Para isso, a Associação precisa estar ainda mais perto destes empreendedores. “Precisamos tirar um pouco o pé de São Paulo e do Rio de Janeiro e entrar um pouco mais no Brasil. Para isso, estaremos presentes em muitas cidades, em mais de 70 comunidades.” O ponto de partida para este objetivo é Minas Gerais. A partir dali, virão Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul, a princípio.

Daniel Hoe, diretor de marketing da Salesforce, falou sobre 5 dicas que a companhia gostaria de ter tido enquanto ainda era uma pequena startup. A primeira delas é: qual a sua cultura corporativa? Para ele, isso não significa apenas um ambiente descolado para trabalhar. São precisos valores sólidos que se mantenham e se amarrem com a história da empresa enquanto ela cresce. “Como você vai admitir e demitir pessoas na sua empresa? O que faz da sua uma empresa única?”. Para ele, estas são perguntas essenciais que devem ser respondidas desde o início pelo empreendedor.

Outra dica é sobre como criar um alinhamento na empresa entre os valores dela, das equipes e dos funcionários. Para isso, a empresa criou o V2MOM, método que alinha as metas de cada célula da empresa, garantindo que todos andem a par dos objetivos da empresa e dos demais colegas.

Outras dicas são: prospecção é uma ciência. É preciso criar um time de inbound, que recebe leads, e outro de outbound, para prospecção ativa, para que os vendedores foquem realmente no que é importante; em qual direção você orienta seus negócios? A Salesforce literalmente já beirou à falência por causa de churn. A experiência do cliente é fundamental; e qual sua grande jornada? “A da Salesforce é transformar os leads em trailbrazers”, finaliza Daniel.

Já Adeo Ressi, do Founder Institute, fez uma provocação para a plateia dizendo que no mundo existem dois tipos de pessoas, as que observam e as que acreditam e fazem. Ele questionou quantos problemas existem no mundo e principalmente no Brasil.

“Quanto tempo você demorou para chegar aqui no evento hoje? Você usou transporte público? O que você comeu no café da manhã? As pessoas tendem a achar normal demorar mais de duas horas para chegar no trabalho, muitas vezes em condições precárias e se contentam em se alimentar com alimentos totalmente industrializados. Por quê?”

Segundo Adeo, não estamos automatizando as coisas e estamos usando nossas energias à toa. Para ele, nós precisamos acordar para construir um mundo que seja bom para nós e nossos filhos.

Ele afirma que muitas indústrias estão passando por uma transformação, não que amanhã o bitcoin irá substituir o dinheiro que usamos hoje por exemplo, mas a forma como ganhamos e gastamos dinheiro irá mudar. O conceito de trabalho vai se transformar, as hierarquias não vão mais existir e as pessoas trabalharão de forma autônoma, e não mais para você, mas sim com você. Além disso, Adeo garante que muitas delas serão substituídas por robôs e o conceito de conglomerado, será substituído por startups. 

“Precisamos acordar para esse movimento, e não é amanhã, é hoje, agora, as pessoas são inteligentes, elas precisam apenas rever os seus objetivos e despertar e repensar o mundo em que querem viver”. E a missão do Founder Institute é justamente essa, auxiliar pessoas que querem fazer algo pelo mundo. A instituição está presente em mais de 155 cidades, de 60 países diferentes e já lançou mais de 2.500 startups, que criaram, juntas, um número superior a 20 mil empregos.

Nuno Cadima, Diretor de Estratégia, Transformação e Novos Negócios da Oi, falou sobre aceleração corporativa e afirmou que a maioria das empresas já entenderam que se quiserem acompanhar o mercado precisam se aproximar das startups. As grandes empresas possuem diversos desafios como objetivos a longo prazo, questões jurídicas e engajamento dos executivos que muitas vezes dificulta para que um projeto saia do papel, já as startups possuem agilidade. “Na Oi nós percebemos isso e começamos a nos aproximar dos empreendedores assim que não conseguimos resolver algum problema internamente. Também buscamos as startups para desenvolverem apps para os nossos clientes”.

Esse ano a empresa deu um passo a mais e lançou um hub de empreendedorismo e inovação no Rio de Janeiro, intitulado como Oito. “O Oito atuará em três frentes, o que representa um diferencial por tornar a iniciativa completa: o programa de Incubação de startups em estágio inicial; a seleção de startups mais maduras para aceleração, com acesso à área de coworking e aos parceiros do Oito; e o IoT Lab, laboratório para desenvolvimento e teste de soluções de Internet das Coisas em parceria com a Nokia. Essas frentes terão o suporte de um espaço totalmente dedicado ao ecossistema, voltado para eventos e programação cultural, para inspirar ideias e criar conexões entre pessoas e empresas”.

Paul Walsh, Vice-Presidente de Estrategia e Inovação da Plataforma Visa, falou sobre o futuro dos meios de pagamento. Ele contextualizou contando sobre a sua rotina. Paul acorda todos os dias às 5 da manhã e antes de ir para o trabalho passa sempre em uma cafeteria e pede sempre o mesmo café com os mesmos ingredientes. Ele precisa ficar na fila, fazer o pagamento e aguardar para que seu pedido seja preparado. “Agora imagine se quando eu entrasse no carro a cafeteria recebesse a informação de que eu estou indo pra lá, e já fosse preparando o meu pedido e quando eu chegasse no estabelecimento eu só precisasse pegar o meu café e minha carteira digital automaticamente descontaria o valor da minha conta, não seria o máximo?”.

E é exatamente essa a aposta da Visa para os próximos anos, tornar a tecnologia invisível e diminuir qualquer ruído que possa existir nas transações. Segundo Paul, hoje existem mais de 3 bilhões de cartões no mundo e em 2020 teremos mais de 21 bilhões de dispositivos conectado e com isso, serão 22 bilhões de novas formas de pagamentos. “Você poderá fazer pagamento usando a sua geladeira, sua calça, o seu carro fará automaticamente o pagamento da gasolina, ou seja, existem muitas possibilidades”. 

Paul destaca que essa transformação está acontecendo em todos os mercados e por isso é preciso ir além do fato de pensar como os seus clientes interagem com você, é importante pensar como eles poderiam interagir com você e se você não pensar nisso, eles não serão mais seus clientes. E como fazer isso? Dados é a resposta! Nos dias de hoje, todas as pessoas estão produzindo dados a todo minuto e 99% dos dados que temos hoje foram gerados nos últimos 2 anos. “Precisamos aprender a utilizar esses dados e saber usar a favor das marcas para criarmos experiências mais ricas para os nossos clientes”.

Geoff Ralston, sócio da Y Combinator, uma das maiores aceleradoras de startups do Brasil, veio ao Brasil pela primeira vez e marcou presença no Case. Ele se mostrou muito positivo em relação ao ecossistema de startups do país e deixou algumas dicas para os empreendedores brasileiros. Confira abaixo!

  • Comece com um time muito bom;
  • Imagine grandes oportunidades;
  • Resolva um problema real;
  • Construam soluções;
  • Obtenha usuários;

A Y Combinator investe duas vezes ao ano aproximadamente US$120 mil em um grande número de startups que por três meses passam por uma imersão no Vale do Silício.

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