* Por Edson Sadao

Embora exista uma melhora nos últimos meses nas taxas de emprego, o Brasil possui mais de 13 milhões de desempregados, conforme dados divulgados pelo IBGE no final de setembro. A parte da população brasileira mais afetada é composta por jovens, negros e mulheres. Apenas para exemplificar: enquanto a média nacional de desempregados é de aproximadamente 13% no País, entre os jovens de 18 a 24 anos o índice alcança a marca de 27%, ou seja, mais do que o dobro da média geral.

De maneira aparentemente paradoxal, talvez sejam os próprios jovens o caminho para a melhoria dos indicadores de emprego, trabalho e renda no Brasil. De acordo com o censo da educação superior do MEC de 2016, o País possui 2.407 instituições de ensino superior, dentre as quais 87,7% são privadas e 12,3%, públicas (federais, estaduais e municipais), e em torno de 3 milhões de estudantes universitários, considerando-se as modalidades de ensino presencial (2,1 milhões) e à distância (850 mil).

Diante de crises como a que estamos vivendo, uma parcela considerável das pessoas é obrigada a assumir riscos, buscar alternativas de trabalho e renda e o empreendedorismo, nesse contexto, se apresenta como alternativa. Da mesma forma, as empresas, o governo, a sociedade civil e até mesmo as instituições de ensino buscam maneiras para se tornarem mais eficientes e eficazes, ou seja, procuram aumentar a sua produtividade e melhorar os seus resultados.

Neste 5 de outubro, data em que se comemora o Dia do Empreendedor, uma boa notícia é o lançamento do Programa Instituição Amiga do Empreendedor. Essa iniciativa foi elaborada por representantes da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC, da Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa (Sempe) e do Ministério da Indústria e Comércio (Mdic) e conta com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), do Conselho Federal de Administração (CFA), do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad).

A proposta é que as faculdades, centros universitários e demais instituições de ensino superior abram as suas portas para os empreendedores mais pobres e, em geral, sem conhecimento técnico de como se pode gerir um negócio. Os estudantes universitários, especialmente dos cursos de Administração, são muito relevantes, pois eles podem ser os protagonistas no Programa Instituição Amiga do Empreendedor.

Serão disponibilizados cursos de capacitação para os que nunca empreenderam (curso Começar Bem) e para os que atuam como Microempreendedores Individuais (curso “SEI”). Os conteúdos foram cedidos pelo Sebrae e já foram utilizados junto a esse mesmo público-alvo. A diferença é que há muitas instituições de ensino superior espalhadas pelo País e também o número de estudantes e professores universitários podem impactar os brasileiros que se encontram em situação de desemprego.

Na fase inicial do programa, os cursos superiores mais demandados serão os da área de Gestão e Negócios, conforme declarou o secretário Paulo Barone, da Sesu: “Inicialmente, os cursos serão de Administração, Gestão e Ciências Contábeis, mas depois desse período de adaptação todos os cursos poderão participar do programa”. As instituições filiadas ao mesmo receberão o “Selo Faculdade Amiga do Empreendedore, a cada seis meses, será feita uma avaliação para saber se a instituição de ensino permanecerá com o selo, conforme explicou Barone numa das reuniões de trabalho no MEC.

O Centro Universitário FEI está se organizando para atuar no contexto do Programa Instituição Amiga do Empreendedor. Dentre as diversas formas para contribuir, uma delas é fundamental: mobilizar as empresas juniores da instituição, de tal forma que os alunos da FEI possam contribuir na capacitação dos microempreendedores. Sendo o representante da Angrad no comitê do interinstitucional do Programa Instituição Amiga do Empreendedor e também do Centro Universitário FEI, acredito na importância das instituições de ensino superior na melhoria do País e, em particular, na atuação dos professores e, principalmente, dos alunos da FEI junto aos microempreendedores da região central de SP (campus SP) e de São Bernardo do Campo.

Assim, neste 5 de outubro, além de se comemorar o Dia do Empreendedor, podemos celebrar a iniciativa de apoiar e acolher parte dos 13 milhões de desempregados pelas instituições de ensino superior. E a melhor notícia de todas é que o jovem universitário pode ser o mais importante personagem em todo o processo. Tenho certeza de que isso contribuirá não apenas para os microempreendedores, mas também na formação de profissionais mais conscientes e preparados.

*Edson Sadao Iizuka é vice-presidente da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad) e professor dos cursos de graduação e pós-graduação em Administração do Centro Universitário FEI