* Por Eduardo L’Hotellier

Muito tem se discutido nos últimos dias sobre o formato de escritório de plano aberto, ou horizontais, que deixou de ser exclusivo das empresas inovadoras e passou a fazer parte do dia a dia de negócios mais tradicionais. Os principais pontos de discussão do momento passam por questões como dispersão e perda de foco dos funcionários. Quando se trata de startups, esses pontos perdem relevância justamente porque é o tipo de ambiente ideal para potencializar negócios que precisam crescer rápido.

Ao contrário do que Pilita Clark, colunista do Financial Times, escreveu recentemente em sua coluna sobre escritórios de plano aberto, a natureza desse ambiente está longe de ser deprimente. É claro que empresas mais tradicionais podem não se adaptar tão facilmente, mas para modelos de negócios inovadores, esse é um formato que traz muitos benefícios ao desenvolvimento da empresa e entrosamento dos funcionários, especialmente se considerarmos que boa parte deles são jovens e preferem interagir a se isolar numa sala fechada.

Escritórios horizontais veem sendo usados por startups e também pelas maiores empresas, que querem manter aquele espírito inovador do início, como é o caso do Facebook, que em 2015 inaugurou o maior escritório de plano aberto do mundo, o segundo da sede de Menlo Park. Esse tipo de ambiente, sem dúvidas, promove uma troca de informações, torna o ambiente mais horizontal, reduz hierarquias e ajuda na tomada rápida de decisões, além de colaborar para dar novos rumos a estratégias que não funcionam mais.

Com uma liberdade maior para trocar ideias e informações, os escritórios de plano aberto permitem também uma integração e interação maior das equipes. Isso faz com que pessoas de áreas distantes e sem ponto de contato troquem experiências e se colaborem para projetos mais completos ou complexos.

No GetNinjas, por exemplo, as equipes estão divididas por squads, sendo formados por pessoas de formações e experiências diferentes e complementares. Isso faz com que a comunicação entre esses times flua mais livremente, ajudando na construção de negócios com modelos disruptivos, como é o nosso caso, onde ainda não existe um formato pronto ou pré-estabelecido. As estratégias precisam ser testadas e comprovadas.

Nesses ambientes, onde habitam negócios que já começam a ditar a nova economia, menos é mais. Nas paredes, nas telas dos computadores e nas lousas vê-se um negócio em construção e crescendo a todo vapor. A concepção desse negócio parte do zero e o aprendizado sobre o que funciona dá-se no dia a dia. Justamente por isso ambientes horizontais sejam tão mais produtivos do que escritórios pré-formatados. Desculpe-me a colunista do FT.


Eduardo L’Hotellier é CEO e fundador da GetNinjas, uma plataforma que conecta clientes a prestadores de serviços com mais de 150 mil profissionais cadastrados em mais de 100 categorias em todo o Brasil. A empresa já captou mais de R$ 47 milhões de investimento da Monashees Capital, Kaszek Ventures e Tiger Global desde seu início, em 2011.