Aconteceu esta semana a primeira edição do BlastU, festival de empreendedorismo e tecnologia, em São Paulo. O evento reuniu empreendedores, startups, investidores, estudantes e nomes de diversas outras áreas para se atualizarem sobre os mais diversos assuntos e construção de relacionamentos valiosos, tanto para inspirar como para fazer negócios.

“Essa primeira edição do blastU se consolida como uma oportunidade para sair da zona de conforto e conversar com pessoas, ouvir experiências de quem desenhou o próprio caminho. Por isso, reunimos os mais diversos assuntos para abrir a cabeça e ampliar o olhar. De empreendedorismo à Inteligência Artificial, de engenharia genética a negócios de impacto social. Há espaço para múltiplos assuntos no blastU. Somos diversidade.” , explica Kelly Cordes, idealizadora do Festival.

Durante dois dias, no Pavilhão Bienal, no Parque Ibirapuera, temas como internacionalização, empreendedorismo de impacto, design thinking, criptomoedas e inteligência artificial foram abordados.

Expansão

Thomaz Srougi, fundador do dr. Consulta, negócio de impacto social que oferece um conjunto de centros médicos particulares voltados para as classes C e D, falou sobre a trajetória do negócio e dos planos de expansão para que os pacientes se sintam 100% protegidos nos atendimentos, indo além dos atuais serviços de baixa e média complexidade.

Sobre o tema da palestra, como empreender no Brasil com pouco, Thomaz trouxe uma série de dicas, entre elas, a necessidade de ter foco. Por isso, ao ser questionado pela plateia sobre planos de expandir para outros estados, Thomaz reforçou o valor do mercado paulista, que ainda oferece muitas opções a explorar e aproveitar. Hoje, o dr. Consulta tem 45 centros médicos em São Paulo.

Alexia Ohannessian, da Trello

Também falou sobre expansão Alexia Ohannessian, lead de marketing internacional da Trello, ferramenta de gerenciamento de projetos. Em sua palestra, sobre como transformar uma startup global, ela enfatizou a importância das boas traduções da página web de uma empresa que quer internacionalizar e formas de realizar este trabalho de forma barata – ou, como no caso da startup, de forma gratuita.

“Traduzimos nossa plataforma para 16 idiomas em 4 meses. Para isso, contamos com a ajuda de 500 tradutores voluntários, o que é muito pouco. O Facebook, ao traduzir sua plataforma para turco, usou milhares de pessoas, por exemplo”, explica Alexia. Ela também deu dicas importantes sobre este processo: “não adianta traduzir apenas algumas páginas. Isso oferece uma experiência ruim ao usuário. Também é importante conhecer a cultura do cliente do país que usará a plataforma no novo idioma e adequar o produto às necessidades deles”, diz.

Impacto

“O Brasil apresenta várias possibilidade de investimentos de impacto social porque temos vários problemas sociais para resolver”, ressaltou Fernanda Wright, sócia fundadora da Wright Capital, que gerencia o patrimônio de famílias que desejam investir em impacto social. Fernanda se uniu a Daniel Izzo, da Vox Capital, para falar sobre crescimento e oportunidades no setor. Para Daniel, a explicação para as oportunidades nos negócios de impacto no Brasil está em duas características : é a quinta maior economia do mundo, ao mesmo tempo que tem uma das piores distribuições de renda do planeta.

Para quem está pensando em investir no setor, deseja ter retornos muito além do financeiro, a mudança no mindset das novas gerações, como os millenials, abre novas perspectivas: 67% das decisões de investimento da geração millenial refletem valores sociais e ambientais. Hoje, no mundo, são 208 os investidores sociais que investiram 170 bilhões de dólares em negócios de impacto.

Em outro painel do evento, Bernardo Bonjean, da Avante, e a conferencista Rajshree Patel falaram sobre a importância de engajar o time para que uma empresa tenha sempre bons colaboradores ajudando-a a crescer. “Se uma empresa fosse um time de futebol, na maioria das vezes teríamos 3 jogadores engajados em contribuir com o sucesso do time, 6 que estão mais ou menos e 2 dos que chamamos de inimigos da empresa”, disse, enfatizando a necessidade de motivar os colaboradores para que todos estejam em sintonia dentro da equipe.

“É importante colocar-se no lugar do outro em diferentes situações, medir o que somos e o que podemos levar para os outros dentro das empresas, agregando ao próximo”, completa Rajshree. Bernardo, ao falar sobre a necessidade de sentirmos segurança no ambiente corporativo, cita que, segundo uma estimativa da OMS, mais pessoas se matam anualmente do que morrem em desastres e guerras. “Cada líder e membro de um time deve ter empatia e se conectar com o outro, porque é de pessoas que as empresas são feitas”, pontua Rajshree.

Tecnologia

Fred Saldanha (foto de destaque), diretor executivo da Huge – agência digital de marketing, estratégia, design – apresentou, durante uma palestra, modelos de startups que criaram softwares de reconhecimento emocional e falou sobre como alguns destes recursos de inteligência artificial já estão inseridos no cotidiano, como os acessórios eletrônicos Google Home e o Alexa, da Amazon.

O publicitário comentou sobre a importância de designers e publicitários criarem produtos, ferramentas e softwares que estabeleçam conexões mais profundas com as pessoas e suas emoções. “Para isso, é preciso a aplicar a psicologia em suas criações.” E a aposta mundial é de crescimento neste setor, com expectativa de 36.7 bilhões de dólares para o mercado de software de reconhecimento emocional até 2021.

João Canhada e Bernardo Faria, da Foxbit

João Canhada, CEO da Foxbit, e Bernardo Faria, vice-presidente da empresa, também participaram do evento. Eles falaram sobre a crescente tendência das criptomoedas e da tecnologia blockchain. “Estamos falando de algo descentralizado que roda no maior país do mundo, que é a internet, e que cresce cerca de quinze vezes ao ano”, diz João. Hoje, a capitalização de mercado desta moeda já chega perto dos 100 bilhões de dólares. Isso representa um ganho de mais de 600% em 2017, após o início do ano em aproximadamente 15,6 bilhões de dólares.

Imersão

O evento também recebeu mentorias, nos dois dias. Foram mais de 30 mentores de áreas que foram desde investimento a internacionalização. Foram mais de 100 sessões de bate-papo com estes especialistas. Fernanda de Arruda Camargo, fundadora da Wright Capital e mentora do evento, falou sobre a experiência. “Atendi aqui desde projetos grandes imobiliários envolvendo esporte até projetos sociais que focam na primeira infância. A troca que acontece durante as mentorias, principalmente como este, é fundamental”, diz.

Por fim, outro ponto de destaque do festival foi o estande da Árvore Experiências Imersivas. Lá, os participantes do BlastU puderam participar de jogos com experiências sensoriais e assistir a um premiado filme em realidade virtual, sobre uma prisão de segurança máxima nos Estados Unidos.