* Por Kleber Piedade

A união de empreendedorismo, aprendizado e entretenimento é o tipo de programa que desperta a minha atenção. Por esse motivo, desde 2014, quando vi pela primeira vez a versão americana de Shark Tank, passei a admirar e acompanhar o programa, sempre na expectativa de lançarem a versão brasileira.

Em 2016, quando anunciaram a primeira temporada, conversei com o meu sócio e decidimos inscrever a E-Moving, mas não fomos convocados. Olhando para trás, ficamos felizes que não fomos, pois na época o business estava em um estágio muito inicial (tínhamos menos de 50 bikes) e vimos que os investidores também estavam pedindo um percentual muito alto das empresas.

Em 2017, sentimos que era a nossa hora. Submetemos a inscrição e um vídeo com o nosso pitch. Semanas depois finalmente recebemos o tão esperado e-mail, falando que tínhamos sido chamados para realizar a gravação.

A preparação

A partir do momento que recebemos a informação que iríamos gravar, começamos a buscar informações relevantes sobre o nosso negócio e apurar dados que vão do índice de manutenção, passam pelo NPS e incluem até o número de e-bikes vendidas na China no último ano.

Construí um “one-page summary” com todas essas informações e começamos a estudar, noites adentro. Alinhamos também o percentual que estávamos dispostos a ceder da nossa empresa e quem seriam os parceiros ideias.

Por último, estudamos o perfil de cada um dos tubarões, e buscamos pontos de alinhamento com a E-Moving. Com um detalhe: 18 horas antes da gravação, descobrimos que o nosso episódio contaria com um convidado, o Edgard Corona, da Smart Fit e Bio Ritmo. Lá se vai mais uma noite buscando informações na internet sobre ele.

Luz, câmera, ação

17 de Maio de 2017. Esse foi o dia em que gravamos a nossa participação no programa. O meu sócio Gabriel tinha chegado da China há 2 dias e passou mal na noite anterior, mas aquela era nossa única chance. Pela manhã gravamos a nossa entrada de bike e a entrevista prévia com o repórter. Após o almoço, eles passaram a ordem de gravação das empresas que iriam participar. Éramos a segunda. A tensão tomava conta do ambiente onde os empreendedores aguardavam sua vez. Por volta das 14h45 a produção nos chama, colocam microfones e decidem arrumar um medidor de batimentos cardíacos em mim.

Apesar do nervosismo, nesse tipo de situação, utilizo uma máxima da Regina Brett, que diz: “Over prepare, then go with the flow”, ou seja, prepare-se muito e depois, deixa rolar. Afinal, era o nosso negócio, e conhecemos melhor do que ninguém.

Finalmente, entramos e demos de cara com os 6 tubarões. Fizemos o pitch da empresa e depois passamos para uma bateria intensa de perguntas.

Ficamos cerca de 1h10 no tanque, recebendo diversos questionamentos. Tínhamos de cabeça o número de estabelecimentos que a Smart Fit, Chilli Beans e China In Box tinham na nossa área de atuação e outros dados que trouxeram confiança para os tubarões. Estávamos preparados e acabamos gerando uma discussão produtiva entre eles.

Acabamos optando pelo Caito Maia da Chilli Beans e  Edgard Corona da Smart Fit e Bio Ritmo. Apesar de eles terem feito uma proposta em que cedemos um pouco mais da empresa, acreditamos que o fit deles com o nosso negócio era maior. E ainda poderíamos ter os outros três tubarões interessados como possíveis clientes.

O significado dessa experiência

Participar do Shark Tank Brasil foi uma mescla de realização de um sonho com afirmação enquanto empreendedor. Especialmente porque tivemos um desempenho acima da média. Para a E-Moving foi um divisor de águas, que nos traz mais credibilidade e lastro para continuar crescendo cada vez mais rápido e com consistência. Desde a exibição do programa, temos crescido cerca de 15% ao mês.

Trabalhar com os tubarões tem sido uma experiência ímpar. Eles abrem as portas das suas empresas e nós podemos acessar executivos de diversas áreas, que sempre nos atendem com muita atenção e nos ajudam em nossos desafios.

Sinto que é só o começo de uma longa jornada, com o objetivo de revolucionar a mobilidade urbana! E com estes parceiros de peso, estamos mais confiantes de que chegaremos lá!


Empreendedor serial focado em soluções de impacto. CEO da MatchBox, que nasceu como Seja Trainee em 2011 e a partir de 2017, passa a ter um novo posicionamento, trazendo tecnologia e inovação para o mercado de Talent Acquisition.