Aconteceu esta semana a 21º edição do SAP Forum Brasil, um dos maiores eventos de negócios da América Latina. Este ano, entre os dias 12 e 13 de setembro, o evento recebeu milhares pessoas no Transamérica Expo Center, em São Paulo, e contou com mais de 90 empresas expondo suas soluções e mais de 450 painéis e keynotes.

Dentro dos principais acontecimentos do evento, a SAP anunciou uma parceria com a prefeitura paulistana, um estudo sobre as principais características das empresas em transformação digital no Brasil, apresentou soluções de Machine Learning para vitrines inteligentes e falou ao STARTUPI sobre o Startup Focus, programa da empresa para apoiar startups e acelerar a inovação no País.

Startup Focus

Em entrevista ao Startupi, Franklin Bruno, responsável pela iniciativa, diz que o Startup Focus é o programa global da SAP para o apoio das startups, e está crescendo e se remoldando no Brasil. “Nós oferecemos diversos benefícios para quem ingressa nele, como coaching tecnológico, coaching funcional, tecnologia para a startup desenvolver sua plataforma e uma das coisas mais importantes para uma startup, que é acesso ao mercado”, explica.

O funcionamento do Startup Focus é bastante simples. Não há um período de inscrição, por exemplo. Durante todo o ano, as startups interessadas podem aplicar para participar do programa. No Brasil, ele está em ação contínua desde 2015, e já beneficiou 22 startups. No mundo, agindo desde 2012, mais de 270 soluções já participaram do programa. “Startups focadas em B2B são nosso principal interesse, e também empresas que desenvolvem sistemas ou produtos aplicáveis”, diz o gerente de soluções e head de startups da SAP.

Franklin Bruno, da SAP (Foto: Divulgação)

Após passar por um filtro para que a companhia entenda o nível de maturidade da startup, uma vez que ela entra no programa seu produto desenvolvido ou em desenvolvimento é levado para a plataforma SAP Cloud Platform. Assim, os produtos da startup ficam mais acessíveis aos clientes da própria SAP. “Com o desenvolvimento da startup homologado na nossa plataforma, nossos vendedores, em conjunto com os da startup, vão oferecer este novo produto aos nossos clientes. Este é o maior ativo que podemos oferecer a elas.”

As soluções das empresas podem ser comercializadas livremente pelas startups, e também recebem um selo de validação da SAP. “Este selo assegura que estas soluções são compatíveis com a nossa plataforma”, diz Franklin. “É um verdadeiro passaporte para os mais de 340 mil clientes corporativos da SAP, internacionalmente”, diz. Atualmente, já são mais de 200 negócios fechados pelas startups aceleradas pelo programa com o mercado. “Não cobramos nenhum tipo de fee ou equity das empresas. Nosso único interesse é que elas embarquem suas soluções em nossa plataforma para terem acesso ao nosso portfólio de clientes de forma mais rápida e segura”, completa.

Startups que já estejam operando, tenham um número mínimo de clientes e tenham sinergia com o proposto pelo programa podem se candidatar a qualquer momento pelo site da iniciativa.

Latin Code Week

A SAP e a Prefeitura de São Paulo – via  Secretaria Especial de Relações Governamentais, Secretaria Inovação e Tecnologia e Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo – anunciaram durante o Fórum a realização do Programa Latin Code Week, uma das iniciativas do Programa Profissão Cidadão. O vice-prefeito da cidade, Bruno Covas, participou do anúncio, junto com a secretária do Trabalho e Empreendedorismo, Aline Cardoso.

O objetivo do programa é a capacitação de 400 jovens estudantes de São Paulo em tecnologia e linguagens de programação. A ação terá inscrições abertas e gratuitas de 5 de outubro a 7 de dezembro, para estudantes de 16 a 25 anos. Os treinamentos acontecerão entre dezembro e janeiro próximos.

“Iniciativas como o Latin Code Week , além de contribuírem decisivamente para a inclusão social e digital da nova geração, plantam sementes de inovação que vão se multiplicar e resultar em soluções criativas para vários setores da sociedade, inclusive para a própria administração pública”, diz Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil.

“Nossa preocupação foi a de produzir um conteúdo que envolvesse também o desenvolvimento de habilidades não cognitivas, como Design Thinking, comunicação e trabalho em equipe, para jovens que estão que querem um lugar no mercado de trabalho”, destaca a secretária Aline Cardoso.

Com os recursos das subprefeituras da cidade e das UniCEUs, o Latin Code Week terá seis grandes etapas descentralizadas e abrangerá estudantes de todas as regiões de São Paulo. “Cada etapa terá um grupo de cerca de 60 jovens, subdivididos em grupos de seis a sete componentes”, explica. Serão 20 horas de capacitação para cada um, completamente gratuitas, distribuídas ao longo de uma semana, sempre às tardes.

Os responsáveis pelos treinamentos serão monitores especializados e funcionários voluntários da SAP. De acordo com a empresa, devem ser mais de 80 mil horas de capacitação, mais de 50 profissionais envolvidos e 1200 horas de voluntariado no total.

Estudo

A SAP anunciou o SAP Digital Transformation Executive Study: 4 Ways Leaders Set Themselves Apart, um dos mais amplos estudos sobre características das companhias globais em transformação digital do mercado. O estudo abrangeu a participação de mais de 3 mil executivos seniores em 17 países. A pesquisa aponta os desafios, oportunidades e tecnologias mais relevantes utilizadas na transformação digital destas empresas.

De acordo com a pesquisa, mais da metade das empresas na América Latina e no Brasil esperam aumentar seu faturamento entre 2017 e 2018, mas têm consciência de que, nos próximos dois anos, a velocidade das mudanças no mercado deve aumentar, gerando uma necessidade de acelerar também o “go to market”.

Claudio Muruzabal, presidente da SAP para América Latina e Caribe, destaca a importância, para todas as indústrias, da transformação digital. “Já não se trata mais, para as empresas de todos os segmentos, hoje, de uma simples escolha. A transformação digital é o motor essencial para receitas, lucros e crescimento no mercado”.

A pesquisa aponta também que 56% das empresas brasileiras esperam um crescimento de receita de 5,1% a 10% a partir da transformação digital já a partir do próximo ano. E 51% delas querem acelerar o mercado.

Enquanto hoje as empresas investem mais em  Big Data and Analytics (63%), Plataformas de segurança (59%), Mobile (51%), Cloud (50%), Iot (45%), nos próximos dois anos elas investirão prioritariamente em Big Data e Analytics (78%), Cloud (61%), Plataformas de segurança (58%), IoT (53%), Mobile (44 %), Aprendizado de Máquinas / AI (29%).

O estudo também mostra que os maiores desafios às iniciativas de transformação digital no Brasil são a  falta de liderança (24%), falta de gerenciamento (19%) e de habilidades na força de trabalho (16%).

Embora todos os segmentos estejam passando por uma importante mudança tecnológica, em especial a indústria de varejo está em plena transformação digital. Segundo dados da Nielsen, já em 2018, os millenials representarão metade do consumo global e este número aumentará para 75% em 2025.

“O Varejo está se consolidando como uma das indústrias estratégicas da SAP na América Latina. No primeiro semestre deste ano, as vendas deste setor totalizaram dois dígitos, tanto em soluções na nuvem como em instalações on premises”, diz Claudio. “A experiência do cliente é a porta de entrada para uma transformação digital bem sucedida e as ferramentas do dia a dia, como as que proporcionam dados emergentes para entender os padrões de comportamento do cliente; a omnicanalidade para gerenciar o relacionamento, e as tecnologias  emergentes como a aprendizagem de máquina – capazes até de detectar o humor da pessoa de acordo com seus comentários – são vitais para gerar as respostas desejadas pelas empresas.”

Para conhecer todos os dados apresentados pelo estudo, acesse aqui.

Machine Learning

O Fórum expôs uma solução que a SAP desenvolveu para o varejo. Uma vitrine inteligente que recomenda produtos e transforma vitrines de moda em auxiliares inteligentes de venda.

“A solução Vitrines Inteligentes foi desenvolvida para atender simultaneamente às necessidades de dois públicos: dos administradores do Varejo e dos consumidores”, explica Elia Chatah, especialista em soluções de Varejo da SAP Brasil. “Ao invés de rodar softwares para concluir tarefas específicas, a plataforma usa Big Data e algoritmos sofisticados para aprender, sozinha, a executar as tarefas”, conta Elia. “Dessa forma, é possível ir muito além da simples capacidade da análise preditiva e das funções analíticas de Big Data, superando até, muitas vezes, a capacidade do próprio ser humano”.

Quando um consumidor fica diante da loja, uma câmara capta a imagem do cliente e identifica algumas de suas características relevantes, como a cor do cabelo, idade, sexo, as cores de suas roupas e acessórios (entre eles, blusa, calça, sapatos e óculos, por exemplo) e até o humor.

SAP Forum Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

A partir daí, através da tecnologia SAP Leonardo Machine Learning, o sistema fará uma sugestão de compra, visualizada em uma tela, aliando combinações de roupas e acessórios que se alinham ao gosto do consumidor. Para a SAP, o resultado disso é que os consumidores se tornam mais propensos à compra.

Para os lojistas, o sistema pode se conectar à Internet para descobrir o que está na moda, conforme as funções analíticas da plataforma coletam e analisam informações em tempo real de feeds sociais, incluindo publicações e imagens de blogueiros de moda, Instagram e Facebook, por exemplo.

“Através dessas informações, a solução calcula previsões de demanda, propiciando decisões mais assertivas para as compras e evitando tanto a falta de produtos quanto estoques excessivos”, diz Elia. “O impacto no design, planejamento da produção, controle do estoque e determinação dinâmica de preços é enorme, ajudando a garantir que os itens certos cheguem aos lugares certos e alcancem os clientes certos”, finaliza.