Por Eduardo L’Hotellier

No Brasil, 74% das startups encerram operação após cinco anos de existência e 18% antes mesmo dos dois anos. Os dados são da aceleradora Startup Farm. Mas qual seria o motivo? Pode ser o simples desentendimento entre sócios, mas, principalmente, porque essas empresas não entregam uma proposta condizente com o mercado. Nesse último caso, a implementação de uma estratégia de MVP(Minimum Viable Product) poderia ter salvo o negócio.

O conceito de MVP nada mais é do que estruturar a proposta de negócio de forma que se crie primeiro um protótipo, com recursos ainda que de uso limitado. Essa primeira versão já colocada no ar permite ouvir desde o início as necessidades e sugestões dos usuários e remodelar o produto de acordo com o que o mercado realmente precisa.

Onde, então, os empreendedores falham nesses primeiros anos de criação de uma startup? Muitas vezes por acharem que precisam colocar o produto no ar somente quando estiver perfeito. Sem realizar testes com os usuários fica quase impossível saber o que de fato é bom para o mercado e realmente necessário.

De acordo com o conceito de startup enxuta proposto por Eric Ries no livro de mesmo nome, ou The Lean Startup, as startups fracassam por terem uma fascinação associada a um bom plano, uma estratégia sólida e uma pesquisa de mercado completa. Segundo ele, planejamento e previsão são precisos apenas quando baseados num histórico operacional longo e estável, e num ambiente relativamente sério. Considerando isso, as startups não têm nenhum dos dois.

Sempre que me perguntam como fazer um negócio ter sucesso e superar os cinco primeiros anos de trabalho e esforços, digo que antes de mais nada é preciso saber correr risco e ser rápido para tomar decisões ou mudar o rumo do negócio. No conceito de Ries, isso seria o equivalente a permitir realizar previsões que podem ser testadas e alteradas, se consideradas erradas.

A primeira versão do GetNinjas que lancei no mercado sofreu inúmeras evoluções ao longo desses seis anos. Isso porque decidi comprar uma plataforma na Índia por US$700, trabalhar nela em apenas duas semanas e já lançar no mercado. A ideia era um protótipo bem simples, mas que já atendia a necessidade básica de mercado.

Você pode imaginar como essa primeira versão estava longe do que se tornaria hoje. Porém, já funcionava o suficiente para iniciar. A partir dessa versão, fomos ouvindo os usuários e melhorando os recursos até chegarmos ao que somos hoje.

Por isso, vejo o risco e a agilidade como duas das melhores qualidades de um empreendedor. É preciso aceitar que não é de primeira que se vai conseguir disponibilizar a melhor proposta para o mercado. Pelo contrário, é o mercado quem vai ajudá-lo a encontrar a melhor solução, juntos, numa interação colaborativa.

Grandes e valiosas empresas de hoje, como Facebook, Apple e Dropbox, também utilizaram o conceito de MVP para se consolidarem em suas áreas de atuação. Hoje, líderes em seus segmentos, elas continuam ouvindo os usuários, porque sabem o peso que isso tem na experiência do produto.

Para quem está começando, ou já teve experiências intensas de empreender, mas não inseriu o conceito de MVP na estratégia de negócios, posso garantir que tem sido algo essencial para o crescimento e desenvolvimento do meu negócio ao longo desses anos e muito possivelmente o que levará a empresa para o futuro.


20150917-getninjas-baixa-05Eduardo L’Hotellier é CEO e fundador da GetNinjas, uma plataforma que conecta clientes a prestadores de serviços com mais de 150 mil profissionais cadastrados em mais de 100 categorias em todo o Brasil. A empresa já captou mais de R$ 47 milhões de investimento da Monashees Capital, Kaszek Ventures e Tiger Global desde seu início, em 2011.