Pense bem: quando você está saindo de casa, qual a primeira coisa que você procura consigo para ver se não esqueceu? Quando acorda, qual a primeira ação do dia? O que está ao alcance das suas mãos a maior parte do dia, inclusive neste exato momento? Se todas as suas respostas tiverem a ver com o celular, você faz parte da maioria.

Atualmente, o Brasil já possui quase 200 milhões de smartphones ativos. Nos próximos dois anos, esse número deve alcançar 236 milhões, o que representa 1,1 dispositivos por habitante, segundo uma pesquisa da FGV. Estes pequenos aparelhos, embora seja uma tecnologia recente, são parte essencial das nossas vidas.

Números

Alguns dos maiores varejistas do país, como Netshoes, Magazine Luiza e Dafiti, estão aproveitando esta onda crescente e investindo cada vez mais na cultura mobile-first, em experiências personalizadas e em novas tecnologias para vendas via dispositivos móveis. No caso da Netshoes, por exemplo, mais de 50% das transações já são móveis.

Algumas das tendências mais significativas que esse mercado está trazendo ao Brasil são as novas formas de pagamento de serviços pelo smartphone, como o conceito de carteiras digitais, tokenização de dados e pagamentos praticamente invisíveis no nosso dia a dia, como é feito pela Adyen com os principais apps no país.

De olho na oferta de experiências especiais para consumidores do ambiente mobile, que exige praticidade e personalização, o big data também desempenha papel primordial para conhecer hábitos de clientes no ciclo de compras e desenvolver estratégias assertivas de marketing.

Estamos testemunhando uma transformação definitiva do varejo e outras indústrias, como o de serviços de transporte e hospedagem, além de caminhar cada vez mais em direção à democratização e globalização do acesso a esses serviços por meio de novas tecnologias, colocando o Brasil no mapa dos investimentos em mcommerce.

Abaixo, alguns números sobre este mercado:

  • Em 2016, 21,5% de todas as transações online no Brasil foram processadas de dispositivos móveis. No ano anterior, o mcommerce representava apenas 12% desse mercado. (E-bit, 2017)

  • Praticidade e agilidade foram as principais razões para comprar via smartphones e tablets para 81% e 71% dos consumidores, respectivamente. Além disso, 30% dos consumidores compraram seis ou mais vezes via mobile em 2016, e 18% usaram exclusivamente apps para os pagamentos (Digitalks, 2017)

  • Brasil teve crescimento de 38% em consumidores digitais em 2016, com as mídias de streaming (Netflix, Spotify) e transporte (Uber) liderando. É um sinal de que os pagamentos via mobile são uma tendência crescente no Brasil e os maiores tickets de compras estão vindo de clientes de empresas mobile-first (Visa, 2017)

    Fonte: Estudo ComScore

  • Segundo pesquisa da Adyen, mais de 37% das transações online no mundo já são via dispositivos móveis, e em algumas localidades, como a o Reino Unido, já ultrapassa metade das transações. Entre março de 2016 e março de 2017, houve um aumento de 55% nas transações via dispositivos móveis (Adyen, 2016-2017)

  • A Dafiti tem 30% de suas vendas processadas via dispositivos móveis e esse número continua aumentando. No caso da Netshoes, mais de 50% das transações já são mobile. Para a Magazine Luiza, que começou no mundo físico, já tem 24% das transações via e-commerce e o aplicativo da marca contou com mais de 4,5 milhões de downloads (Dafiti, 2017 | Netshoes, 2016 | Magazine Luiza, 2017)

  • 75% da internet no mundo deverá ser mobile até 2017 e 60% dos gastos em publicidade na internet deverão ser direcionados a plataformas móveis em 2018, atingindo US$ 134 bilhões (Zenith, 2016)

  • 43% dos consumidores que têm uma experiência ruim no mobile buscam concorrentes, principalmente se demora para carregar os processos ou não disponibilizam informações com fácil acesso. O Walmart dos EUA teve aumento de 2% nas conversões depois que melhorou o tempo de carregamento. Além disso, 56% preferem comprar em sites móveis ou apps que oferecem personalização, permitindo salvar preferências, número que sobe para 64% com o público de 18 a 34 anos (Google, 2017).

  • O número de usuários do mobile commerce cresce, em média, 170% ao ano, frente a um aumento de 50% de consumidores online que compram via desktop (Cuponomia, 2016).

  • O aplicativo WeChat Pay é a mais recente adição ao crescente conjunto de métodos de pagamento global oferecido pela Adyen. Originalmente um app de troca de mensagens com mais de 800 milhões de usuários pelo mundo, agora passa a oferecer a possibilidade de pagamentos P2P (Pessoa para pessoa). Na China, onde se concentram a maioria desses usuários, são cerca de 400 milhões de usuários já usando o app como “carteira digital” (Adyen; WeChatPay, 2016).

  • Parceria global entre Adyen e a plataforma cloud para e-commerce VTEX, que tem 84% de marketshare nesse segmento,  fornecerão uma integração inovadora de cloud software e pagamentos com mais de 150 moedas e 250 bandeiras ao redor do mundo. O mercado de cross border no exterior chega a representar até 25%, e as marcas brasileiras são muito competitivas também fora do país. Com a abertura de transações internacionais, a expectativa é de acelerar a descoberta desse potencial pelos empresários brasileiros (Adyen; VTEX, 2016)

  • No Brasil, estima-se que 5% dos celulares em uso no país já possuem tecnologia capaz de substituir o cartão de crédito nas compras, transformando o dispositivo em uma carteira digital. (Abecs, 2017).

    Fonte: Estudo ComScore

Pirâmide de Maslow

Diante deste cenário, a ComScore, líder global em medições multiplataformas, realizou um estudo mostrando a relação entre a Pirâmide de Maslow e a relação da sociedade com seus aparelhos celulares na atualidade.

A Pirâmide de Maslow é uma divisão hierárquica proposta pelo psicólogo americano Abraham Maslow, que divide as necessidades do indivíduo da mais baixas para as mais altas, onde as primeiras devem ser saciadas primeiro e as do topo em seguida. Desta forma, a “escalada” desta pirâmide é o caminho para a autorrealização.

“A teoria de Abraham Maslow, de 1943, ainda é considerada uma estrutura importante para a compreensão do comportamento do consumidor. Muitos comportamentos digitais altamente inclinados ao mobile se encaixam nessas necessidades”, explica Luciana Burger, diretora-geral da ComScore no Brasil.

 

Pirâmide de Maslow. Fonte: Estudo ComScore

Base

De acordo com a a hierarquia de Maslow, os requisitos físicos para a sobrevivência e saúde são os devem ser satisfeitos primeiro. “Essas necessidades incluem ar, água e alimentos, bem como roupas e abrigo para a proteção desses elementos”, explica Luciana.

Em geral, o tempo gasto no varejo de alimentos aumenta mais rápido do que no mobile como um todo, de acordo com o estudo da ComScore. Os dados do Reino Unido mostram como a compra de alimentos / refeições (especificamente serviços de entrega) ultrapassou o crescimento do uso geral do mobile. O que nos mostra que, hoje, quando sentimos fome, é cada vez mais natural recorrermos a apps como iFood, UberEats e SpoonRocket antes de observamos a geladeira de casa. Ligar para o delivery, então? Raridade.

O mobile também lidera o topo do funil de compra do mercado imobiliário. Na maioria dos países pesquisados pela ComScore, as audiências do mercado imobiliário são maiores no mobile do que no desktop, mas o tempo investido ainda fica atrás, sugerindo que o uso do mobile ainda ocorre geralmente no momento da pesquisa do funil de compra.

Alcance / minutos da categoria imobiliária:

Fonte: Estudo ComScore

A compra de vestuário também é uma alavanca importante do varejo no mobile, “principalmente nos mercados norte-americano e europeu, a moda é um dos principais interesses de usuários de varejo em dispositivos móveis”, diz a diretora.

Além disso, os smartphones agora permitem hábitos saudáveis diários. “A criação de hábitos é um tema comum no setor de saúde. O crescimento dos apps de monitoramento de atividades físicas e saúde proporcionou aumentos nas audiências diárias de smartphones na categoria de saúde”, diz Luciana. Nos EUA, por exemplo, a média de usuários diários em apps de saúde cresceu 18% em janeiro deste ano, se comparado ao mesmo mês do ano passado. No Canadá, este crescimento foi ainda maior: 43% de usuários a mais em janeiro de 2017, em comparação a janeiro de 2016.

Segurança

Hoje, nossos smartphones nos ajudam a satisfazer as necessidades humanas modernas de segurança. Seja segurança física, como condições climáticas, ou segurança financeira e de carreira, está tudo dentro do mobile. Por exemplo: as audiências dos serviços bancários confiam no mobile e não utilizam mais o desktop, de acordo com a multinacional de pesquisas.

Apesar das preocupações históricas dos consumidores em relação à segurança no mobile, as audiências estão aos poucos migrando para o mobile. Mais de 50% dos usuários abandonaram completamente o desktop para a realização de serviços bancários. Nos EUA, a quantidade de usuários mobile para serviços bancários já ultrapassa a quantidade de usuários do desktop, enquanto os mobile only estão em constante ascensão. No Brasil, os mobile users superam em pouco os desktop users, mas os usuários apenas do mobile também crescem em ritmo acelerado.

O rumo e o avanço das nossas carreiras profissionais também estão, literalmente, nas palmas das nossas mãos. “A maioria dos usuários da categoria de desenvolvimento de carreira / trabalho estão nas plataformas móveis, e em vários casos já abandonaram totalmente o desktop – já que o mobile oferece mais privacidade, especialmente durante o horário de trabalho”, esclarece Luciana.

Porcentagem do total de usuários dos serviços de carreira por plataforma:

Fonte: Estudo ComScore

Antes de sair de casa, você se baseia no que disse o telejornal da noite anterior sobre a previsão do tempo ou corre para o smartphone checar como será o clima? Ainda falando em segurança, o nosso celular hoje é a nossa principal “garota do tempo”. “Quando a localização deve ser levada em conta, o uso do mobile aumenta. O clima é uma das
categorias mais inclinadas ao mobile em todos os mercados observados”, diz a diretora. Na Indonésia, 94% das consultas do clima são realizadas via smartphone. No México, 88% e, no Brasil, 78% pesquisa a previsão do tempo pelo celular.

Relacionamento

Seja relacionamento social, amoroso ou o conceito de pertencimento. Do romance às conexões familiares, o estudo prova que a comunicação pelo mobile construiu mais vias para criar, manter e desenvolver relacionamentos humanos.

Uma das provas disso é que o estudo aponta claramente o amadurecimento dos relacionamentos online. Geralmente, o consumo do mobile é mais comum entre pessoas com menos de 35 anos, mas a categoria de relacionamento pessoal é mais uniforme, com os minutos por usuário acima de 35 anos correspondendo ou ofuscando os usuários mais jovens em muitas regiões.

Nossos celulares também continuam facilitando a comunicação. “Em relação à riqueza de opções de comunicação, os canais como conversa por vídeo e troca instantânea de mensagens estão substituindo a função do SMS, demonstrada aqui pelos dados da Espanha”, diz.

Os dados abaixo, mencionados por Luciana, são a porcentagem dos usuários do mobile que realizam as funções de troca de mensagens:

Fonte: Estudo ComScore

O estudo diz que os apps de troca de mensagens dispararam fora dos EUA / Canadá / Reino Unido. O share do total de minutos no mobile entre os cinco principais apps de troca de mensagens (Facebook Messenger, WhatsApp, Line, WeChat, QQ messenger) disparou, principalmente na Europa continental, América Latina e Ásia.

Enquanto isso, a opção pelo app de troca de mensagens é uma escolha local. O Facebook Messenger é responsável pela maioria dos minutos entre os principais apps de troca de mensagens nos EUA, enquanto que o WhatsApp domina a Europa e a América Latina. Na China, o WeChat é líder absoluto, responsável por mais da metade do tempo. Na Espanha, o aplicativo dominante é o WhatsApp, assim como no Brasil.

Estima

“O respeito representa o desejo de ser aceito e valorizado pelos outros, o que pode se manifestar no comportamento social, hobbies e interesses”, explica Luciana. a ComScore diz que as mídias sociais são responsáveis por cerca de 1/3 dos minutos do mobile hoje em dia.

As mídias sociais sempre foram vistas como uma categoria importante do mobile e os números globais confirmam isso, representando entre 20-40% de todos os minutos gastos nos dispositivos móveis. Com o estudo, percebeu-se também que o compartilhamento de conteúdos nas mídias sociais cresce mais rápido do que as atualizações de status pessoal. Enquanto isso, o consumo do conteúdo nas mídias sociais cresce substancialmente.

Porcentagem do total de minutos do mobile na categoria de mídias sociais:

Fonte: Estudo ComScore

Autorrealização

De acordo com a pirâmide, em seu topo está a realização do potencial de uma pessoa. Pode envolver ambições artísticas ou conquista de desejos aspiracionais, como viagens. O que isso tem a ver com o mobile? Tudo. Apps e o conforto nas transações pelos dispositivos móveis impulsionam as viagens.

Apesar de serem compras de valores altos, os minutos gastos com viagens estão indo em direção ao mobile. A experiência refinada do usuário dos apps está aumentando seu share em um ritmo ainda mais rápido.Os apps criativos também estão prosperando no mobile no mundo todo. Por fim, as câmeras cada vez mais sofisticadas e sempre presentes, e os serviços de streaming de músicas, transformaram os dispositivos móveis em um hotspot para as aspirações criativas dos consumidores.

Total de visitantes únicos dos apps selecionados no EUA, Reino Unido e Brasil:

Fonte: Estudo ComScore