A agropecuária brasileira é uma das que mais cresce no mundo. Isso é o que aponta um estudo realizado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Segundo esta pesquisa, entre 2006 e 2010, o rendimento da agropecuária aumentou 4,28% ao ano no Brasil.

O Brasil está a frente de países como a China (3,25%), Chile (3,08%), Japão (2,86%), Argentina (2,7%), Indonésia (2,62%), Estados Unidos (1,93%) e México (1,46%).

O Ministério da Agricultura diz que os pesquisadores americanos usaram o indicador expresso em Produtividade Total dos Fatores (PTF), que considera todos os produtos das lavouras e da pecuária e os relaciona com os insumos usados na produção.

A Organização Mundial do Comércio publicou um relatório recentemente dizendo que o Brasil está perdendo espaço no mercado internacional. Ainda assim, o País é o terceiro maior exportador do mundo, atrás apenas da Europa e EUA. Apesar disso, a OMC garante que o Brasil – que tem a quarta maior superfície agrícola do mundo – ainda é o maior exportador de açúcar, laranja e café do planeta.

O especialista  James Cisnandes, da  Engineering do Brasil acredita que estas startups estão diante de um cenário que é um caminho sem volta. “O movimento das agtechs é constante e estão atuando em nichos, levando uma oferta bastante aderente a diversos processos de negócios. Esse cenário é também muito forte lá fora. Temos vários casos na Itália, onde fica a sede global da ENGdB e observamos esse movimento em toda Europa e Estados Unidos”, explica.

Frente a este cenário tão promissor, como as startups nacionais estão lidando com este mercado? O STARTUPI entrevistou algumas agtechs para conhecer um pouco mais de perto este universo que une tecnologia e produção agrícola.

Premiações

Um dos maiores nomes deste mercado no Brasil é a Agrosmart. A startup, criada por Mariana Vasconcelos, Raphael Pizzi e Thales Nicoleti, foi fundada em 2014 e já recebeu uma série de premiações, reconhecimentos e aportes. Este mês, a empresa anunciou o lançamento de um programa de jovens embaixadores para fomentar a agricultura digital.

O programa é liderado por Mariana Vasconcelos, CEO da startup. “Observamos de uns anos para cá um problema sério para a população mundial: em pouco mais de 25 anos, se não superarmos os atuais níveis de produtividade percebidos no campo, não haverá alimento suficiente para todos no planeta. Então precisamos desde já conscientizar as novas e próximas gerações e nos mobilizarmos para amenizar ou até mesmo acabar com esse problema. Temos certeza que esse programa de jovens embaixadores pode ser o início dessa grande mudança”, explica.

agrosmart sócios

Sócios da Agrosmart

Esta semana, a empresa também foi premiada na categoria Empreendimento Líder Global na Expo Agrofuturo, evento mundial de sustentabilidade, inovação e conhecimento da América Latina, realizado na Colômbia. Além do destaque na América Latina, a Agrosmart também está ganhando espaço nos EUA. A empresa foi convidada para participar do Demo Day no “Climate Ventures 2.0 Investor’s Showcase”, iniciativa do Governo Americano, iniciado na gestão Obama, com o destaque para as dez empresas que lideram o caminho na Inovação para a Adaptação Climática.

No cenário das startups que trabalham neste mercado, Mariana acredita que um dos maiores desafios a serem superados atualmente é a sucessão. “Hoje é muito difícil, porque quase ninguém mais quer estar no campo. E as startups deste segmento estão permitindo que se abra uma porta para que os filhos dos produtores se identifiquem mais com este trabalho, usem as tecnologias que eles gostam ou desenvolvam novas tecnologias para que sejam usadas no campo”, explica.

Software

Também criada em 2014, a Aegro é um app para gestão agrícola que começou a ser programado a partir da demanda de Valmir Menezes, agrônomo com mais de 30 anos de experiência em consultoria agronômica e sócio da startup. Pedro Dusso, CEO da startup, explica que desde sua criação a empresa recebeu diversos aportes e investe muito na usabilidade do produto, porque, segundo ele, o homem do campo não tem tempo para perder na frente da tela de um computador. A empresa espera fechar este ano com o faturamento de R$500 mil.

Sobre o uso de tecnologia no campo, Pedro afirma que há décadas os agricultores já a utilizam. “Piloto automático, aplicações de taxa variável, biotecnologia e outras inovações foram rapidamente adotadas por proprietários rurais de todos os tamanhos. Entretanto, esses mesmos produtores não investiram tão fortemente em programas de computador como outras indústrias. Há quem acredite que é porque os agricultores são hesitantes em adotar ferramentas digitais ou que a agricultura é tão única e complexa que programas de computador não seriam capazes de atender as demandas. A verdadeira razão, entretanto, não está tão ligada diretamente aos agricultores, mas aos recursos que lhes faltam (ou lhes faltavam, até bem pouco tempo atrás). Não faz muitos anos que softwares não podiam acrescentar tanto valor para fazendas porque quatro tecnologias fundamentais faltavam no ambiente rural”, diz ele. Estas tecnologias são: Redes de telefonia móvel; Smartphones; Internet de banda larga e Máquinas conectadas.

Equipe Aegro

“Estes blocos fundamentais se reuniram na última década, e agora a indústria de software para agricultura está mudando rapidamente. Pela primeira vez, empresários experientes e investidores de tecnologia estão sendo atraídos para o mundo do agronegócio. É um bom momento para os agricultores estudarem esses novos produtos e refletirem sobre como programas de computador e aplicativos se encaixam em sua estratégia de negócios de longo prazo”, completa.

Drones

A Horus surgiu da paixão por drones dos três sócios, Fabrício Hertz, Lucas Bastos e Lucas Mondadori, que na faculdade de engenharia mecânica, já eram colegas e participavam de projetos de pesquisa na área. Perceberam então, que havia uma demanda no mercado e assim, fundaram a empresa em 2014. “Em todo o período de existência da Horus, obtivemos vários aportes, sendo o maior deles agora em 2017, pela SP Ventures”, diz Fabrício Hertz, CEO da empresa.

Os drones fabricados pela Horus são do tipo asa fixa, específicos para mapeamento aéreo, diferente dos multi motores, que são mais utilizados na área da publicidade e entretenimento. Além disso, os drones da Horus são fabricados no Brasil (na sede de Florianópolis), com estrutura inteira em fibra de carbono. A startup oferece uma solução completa em mapeamento aéreo, que vai desde os VANTs até a Plataforma de Processamento de Imagens, em que é possível obter análises e resultados precisos da área mapeada.

CEO da Horus Aeronaves

Fabrício diz que uma das dificuldades de empreender neste mercado é que, como toda nova tecnologia lançada, o uso de drones no mapeamento aéreo passou por alguns obstáculos, por ser diferente dos modelos de entretenimento que a maioria das pessoas conhece, pelo fato de as pessoas não conhecerem seu uso fácil e prático, e terem pouco conhecimento acerca dos resultados obtidos. “Por isso, desde o início, trabalhamos com bastante conteúdo educacional, participando em eventos, estando lado a lado dos clientes, para que a confiabilidade na tecnologia e nas soluções fosse estabelecida. Assim, hoje, vemos um cenário bem diferente, em que as pessoas procuram pelos drones, entendem melhor os benefícios e conhecem o valor agregado das nossas soluções”, diz.

Fabrício acredita que as agtechs não são mais “coisa do futuro”. “É real, presente e necessária para os produtores rurais aumentarem sua produtividade. Cada vez mais será necessário investir em análises e gestão da plantação, pois os recursos naturais estão cada vez mais escassos e é preciso estar atento a isso. Por isso, entendemos que o mercado em geral está aberto e propenso para inovação no segmento”, conclui.

E você, conhece outra agtech que esteja movimentando o mercado? Deixe nos comentários abaixo!