* Por Tomaz Chaves

Olá pessoal, tudo bem?

Em nossa última conversa, relatando para vocês a história do Juris, demonstrei porque acredito que é preciso largar tudo para empreender. Retomando a linha do tempo, a última coisa que contei para vocês foi que meus sócios aceitaram a proposta de compra da parte deles e, de repente, eu estava sozinho à frente de uma startup que acreditava ter muito potencial.

O investidor que mencionei anteriormente continuava sendo um investidor em potencial, mesmo porque a pessoa que estava me sondando não era o único responsável por tomar a decisão. O que talvez ainda não tenha contado é que o Juris não tinha uma sede física, e que eu trabalhava na empresa de casa. Foi um momento difícil, pois estava empreendendo com uma plataforma parcialmente construída e utilizando meus recursos de advogado metido a publicitário e administrador (que não eram muitos) para fazer a coisa acontecer.

Eu mesmo atendia os clientes, programava postagens nas mídias sociais, criava e disparava campanhas de e-mail, pagava as contas e ainda tinha que arranjar tempo para aprender a como fazer tudo isso! Ao me ver nessa situação, esse investidor me convidou para trabalhar na sede da empresa deles, como forma de se aproximar de mim, do negócio e como forma também de me oportunizar um ambiente melhor para trabalhar. E eu aceitei.

Não foi fácil entrar para dentro de uma empresa onde não conhecia ninguém. Além disso, eu mal tinha dinheiro para me transportar até o local e para pagar as minhas próprias refeições. O que fiz? Comecei a andar à pé e a levar marmita para o trabalho.

Não posso reclamar, num país como o nosso, devemos ser gratos por termos uma casa para morar, um lugar para comer e pais para nos apoiarem, mesmo que eles questionem as nossas escolhas e decisões. Nada mais natural, hoje sei que o nome disso é amor, demonstrado através de preocupações.

Enfim, com poucos recursos, as dificuldades me deram uma injeção de ânimo. Aprendi, principalmente nessa época, que orgulho é pura vaidade e que, para dar certo, é preciso muita resiliência e persistência. Assumi a rotina de dar duro sem grana, de ver meus amigos prosperarem enquanto eu vivia de sonhos, de ser questionado por muitos, por todos, inclusive por mim mesmo. Nessa mesma época, comecei a trabalhar como advogado voluntário. Descobri que se preocupar com o próximo, mesmo quando as coisas não estão bem para nós mesmos, é a melhor forma para recuperamos a autoestima perdida.

Após algum tempo de muita ralação pesada e solitária, comecei a me aproximar das pessoas que me rodeavam na empresa que me “incubou” e comecei a demonstrar para esse investidor o valor de tudo que eu estava fazendo. As conversas sobre receber um investimento começaram a evoluir, e comecei a enxergar uma luz no fim do túnel.

Estaria o Juris próximo de resolver todos os seus problemas? Pode ter certeza que não! Essa pessoa que fazia parte da empresa investidora em potencial conseguiu convencê-los a investiram no Juris, mas não com dinheiro, e sim com um suporte tecnológico. Se aceitei? Eu precisei aceitar, mas nem tudo foram flores. A continuação dessa história conto para vocês na semana que vem.

Abraços e até lá!


Empreendedor por vocação e advogado formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Tomaz Chaves é CEO da Dubbio e da Juris Correspondente, e cofundador da AB2L, associação que reúne empreendedores de lawtechs – empresas inovadoras que desenvolvem soluções tecnológicas para a área do Direito.