Nama, startup que desenvolve Inteligência Artificial genuinamente brasileira, acaba de vencer o pregão eletrônico da prestação de serviços para implementação do assistente virtual do Poupatempo. Chamado de Poupinha, o chatbot desenvolvido pela própria Nama já atende a população desde dezembro por meio do Programa Pitch Gov – no qual startups apresentam soluções para desafios da administração pública e, em troca, recebem visibilidade junto a potenciais parceiros e investidores. Desde então, o Poupinha já trocou 36 milhões de mensagens com os cidadãos, facilitando o acesso às informações sobre serviços e agendando atendimentos no Poupatempo.

Na cerimônia de lançamento da 2ª edição do Pitch Gov, na última sexta-feira (15), Lúcio de Oliveira, diretor de operações da empresa, falou sobre a experiência de prestar este serviço. “O Poupinha é um divisor de águas dentro da história da Nama porque nos permitiu tangibilizar a Inteligência Artificial para o mercado e mostrar a capacidade de nossa plataforma de chatbots”. Oliveira disse ainda que o modelo do PitchGov é disruptivo não só porque atrai startups para levar inovação de fora para dentro do serviço público, mas também pela agilidade dos processos internos, flexibilidade e engajamento por parte dos times envolvidos.

No entanto, o diretor acredita que a forma de contratação precisa ser repensada. O valor pelo qual a Nama foi contratada no pregão é pelo menos 100 vezes menor do que o que foi investido no desenvolvimento e suporte do Poupinha. E só foi possível fazer esta oferta porque o sistema estava pronto e rodando, através do Pitch Gov. “Então foi motivo de surpresa quando, posteriormente, ficamos sabendo dos outros valores oferecidos na concorrência pública. Seria lamentável se ela fosse vencida por uma empresa menos preparada e sem potencial para entregar um serviço de qualidade para a população”, avalia.

De qualquer forma, Oliveira ressalta que o mérito desta parceria transcende a questão financeira. “Poderíamos fazer uma conta rápida, comparar os números de atendimentos com os preços praticados no mercado e mensurar a economia gerada pelo chatbot aos cofres públicos, mas o valor que importa mesmo é aquele que é percebido pelo cidadão”, disse.

Para o diretor da Nama, o Poupinha teve um papel democratizador essencial, principalmente na vida das pessoas mais pobres e com menos acesso à tecnologia: “Recentemente, produzimos um vídeo institucional e entrevistamos dezenas de usuários do Poupatempo. Descobrimos que, antes do Poupinha, um grande número de usuários perdia a viagem porque chegava ao posto sem a documentação necessária. Muitos contaram que o valor gasto nessas passagens de ônibus de ida e volta pesava no final do mês”, comentou.

Outra característica do Poupinha que corrobora este argumento da democratização tecnológica é a sua capacidade de compreender e processar linguagem natural (NLP). Os registros das conversas do chatbot com a população revelaram que ele foi bem sucedido em entender desejos e corresponder os anseios de pessoas de todas as idades e classes sociais, mesmo aquelas com menos familiaridade em manejar dispositivos tecnológicos.

Todos os dias o Poupinha atende uma média de mais de 7 mil pessoas, através do portal do Poupatempo e pela fanpage do programa no Facebook, fornecendo orientações detalhadas sobre os serviços oferecidos e agendando atendimentos em qualquer uma das unidades doPoupatempo. Desde que começou a operar, já agendou 1 milhão de atendimentos para os cidadãos. Tamanha a eficiência do serviço prestado que o Poupinha já recebeu 140 mil expressões de agradecimento de todos os tipos, incluindo milhares de mensagens dizendo “Deus te abençoe”.