* Por Fernanda Santos e Marystela Barbosa

O Cubo, iniciativa do Itaú Unibanco e da Redpoint eventures, comemorou seu segundo aniversário. Prestes a mudar-se para um prédio com três vezes seu tamanho atual, o Cubo celebrou a data em um evento cheio de conteúdo sobre startups, empreendedorismo, inovação e corporate venture.

O evento contou com a presença do diretor-executivo do Itaú Unibanco, Ricardo Guerra, do diretor do Itaú responsável pelo Cubo, Lineu Andrade, do diretor do Cubo, Flavio Pripas e Anderson Thees, managing partner na Redpoint eventures, Anderson Thees.

Anderson Thees, da Redpoint eventures

Uma das novidades anunciada durante o evento é que a iniciativa deixa de se chamar ‘Cubo coworking Itaú’ e passa a ser ‘Cubo Itaú’. Segundo Flavio Pripas, “a nova marca reflete melhor a atuação do Cubo no mercado, na medida em que não limita o valor que entregamos. O Cubo já era muito mais do que um espaço de trabalho compartilhado. Hoje, é referência como hub de conexões do Brasil e queremos posicioná-lo como um hub global de empreendedorismo”.

O diretor-executivo do Itaú Unibanco, Ricardo Guerra, aproveitou para compartilhar alguns resultados do espaço. “Desde que foi inaugurado, em setembro de 2015, mais de 200 negócios foram gerados entre grandes empresas e startups residentes, mais de 850 startups foram avaliadas, mais de 650 pessoas circulam por dia no prédio, mais de 1.300 oportunidades de trabalho em startups foram divulgadas pela plataforma de vagas do Cubo, mais de 1.400 eventos foram realizados e mais de 65 mil pessoas participaram dessas atividades”.

Para Anderson Thees, cofundador e managing partner na Redpoint eventures, o Cubo causou um impacto profundo no ecossistema digital nos últimos dois anos. “Entre as premissas que tínhamos, a maior conquista foi ver o espaço tornar-se o principal ponto de encontro e de referência para o empreendedorismo digital no Brasil. Criar densidade e ver negócios reais surgirem a partir de encontros casuais são verdades frequentes nos corredores do Cubo”, diz o executivo.

Lineu Andrade, do Itaú

E para levar a experiência do Cubo para outros empreendedores, foi anunciado o lançamento do Cubo Digital, uma plataforma de serviços e ferramentas onde os empreendedores poderão reservar salas de reunião e estações de trabalho no prédio do Cubo, criar anúncios de vagas de emprego e buscar serviços de outros empreendedores.

Lineu Andrade, diretor do Itaú Unibanco explicou que o espaço do Cubo beneficiou muitos empreendedores e a ideia de criar a plataforma surgiu para expandir essa atuação e beneficiar também empreendedores de outras partes do Brasil. O curioso é que todos os serviços disponíveis na plataforma serão pagos com uma moeda própria: o CuboCoin. Flavio Pripas conta que em breve a plataforma contará com novos serviços como mentoria, bibliotecas de vídeos e fóruns de conteúdos.

Corporate Venture

Um dos assuntos mais discutidos durante Cubo Conecta foi a relação entre grandes empresas e startups. Agentes do ecossistema e líderes de mercado debateram o tema, como Accenture (representada por Paulo Costa), Saint Gobain (com Fabiano Sant’Ana) e Itaú (Lineu Andrade). Eles falaram sobre a importância de criar uma relação sólida e benéfica entre as companhias e as startups na prática.

“No mercado financeiro, não criamos um produto de desejo, nós vendemos serviços. Por isso, trabalhar com as startups nos provoca a fazer diferente. Hoje, próximos às startups, trabalhamos de forma mais ágil e muito no modelo lean”, disse Lineu, do Itaú.

“36% das startups residentes do Cubo já fizeram negócios com a Accenture”, explicou Paulo. Para ele, os líderes das empresas devem ficar atentos a quatro grandes fases que as companhias passam ao começar a se aproximar das startups: rejeição, atenção, aproximação e colaboração. No início, ele diz que as grandes empresas tendem a repelir a ideia de trabalhar em conjunto com as startups. Depois, ao perceber que este movimento ganha força e é benéfico para outras companhias, elas tendem a se atentar. Familiarizando-se com esta tendência, as companhias começam a se aproximar das startups e colaborar com elas.

“Nestes dois primeiros estágios, é necessário que se trabalhe a cultura da companhia e os incentivos para a colaboração com startups, desde que tudo esteja de acordo com a estratégia da empresa. É preciso responder: por que você quer trabalhar com startups? É necessário ter claro o que é sucesso para a empresa antes de entrar na última fase, da colaboração, para que a parceria dê certo”, explica ele.

Em outro painel, importantes agendes do ecossistema se reuniram para falar sobre corporate venture. Estavam presentes representantes da Apex Brasil, 100 Open Startups, TechStars, Startup Farm, Ace, Endeavor, ABStartups e STARTUPI.

Luiz Felipe, da Endeavor, explicou que a instituição atua desde programas de corporate venture – como no caso da Algar Ventures, que é um programa realizado pela Endeavor -, até programas onde o objetivo no curto prazo não é necessariamente um investimento, mas objetivos estratégicos ou posicionamento de marca, por exemplo. “Este ano analisaremos mais de cinco mil startups scale ups para apoiar nestes programas cerca de 250 empresas”, diz.

Geraldo Santos, diretor-geral do STARTUPI, explicou aos presentes o posicionamento do portal, focado em fomentar, desenvolver e fortalecer o ecossistema empreendedor por meio de três pilares: informação, educação e matchmaking. No Startupi Education, Geraldo anunciou um novo programa para capacitação de grandes empresas para colaboração com startups, com duração de 90 dias. “Este programa está sendo lançado com vários parceiros e com isso, vamos levar inovação, tecnologia e laboratório de inovação para as grandes empresas”, explica.

Para permitir que as empresas, após passarem por esta esteira de aprendizados, continuem trabalhando a colaboração com startups, o STARTUPI está lançando um espaço de mil metros quadrados no World Trade Center São Paulo, que abrigará grandes corporações com projetos de inovação aberta junto com suas respectivas startups. “Estamos investindo nisso porque acreditamos fortemente que com capacitação do empreendedor, dos investidores-anjo e das grandes empresas, o objetivo de fortalecer o mercado e gerar mais negócios será alcançado.”

Diversidade

Um dos painéis do evento falou sobre diversidade como fator decisivo para a inovação. Participaram Cristina Palmaka, presidente da SAP no Brasil; Priscyla Alves Laham, VP de Vendas e Consumo da Microsoft Brasil; Ana Paula Assis, Gerente-Geral América Latina da IBM e Flávia Picolo, Managing Director da Accenture Brasil.

“Na SAP nós falamos muito sobre LGBT, autismo e outros temas, porque queremos abrir um ambiente inclusivo para todos”, explica a presidente da empresa. Hoje, 32.6% da empresa é composta por mulheres, e 25% da liderança da corporação é feminina. “Olhamos a tecnologia como um propósito, por isso a diversidade faz toda a diferença”, explica. Ano passado, a companhia foi a primeira multinacional de tecnologia a receber o Certificado Global de Igualdade de Gênero (EDGE), lançado pelo Fórum Econômico Mundial.

“A diversidade para a Microsoft é questão de sobrevivência e motor de inovação”, diz Priscyla. 43% da liderança da empresa é composta por mulheres. Recentemente, a Microsoft possibilitou a casais homoafetivos a possibilidade de adquirirem ambos licença maternidade e paternidade ao terem um filho. Quando apenas um dos pais ou mães é colaborador da empresa, esta pessoa também pode escolher se tirará licença maternidade ou paternidade, esta última de 43 dias.

Ana Paula Assis, da IBM

Ana Paula, da IBM, também apresentou a história pioneira da empresa nesta questão. Em 1914 foi contratada a primeira pessoa com deficiência da empresa nos EUA. Em 1943, pela primeira vez uma mulher chegou ao cargo de vice-presidente. Em 2004, no Brasil, a empresa implantou uma política de direitos para casais homoafetivos. Este ano, a IBM implantou em seus escritórios banheiros para gênero neutro.

Flavio Pripas destacou que o aniversário do Cubo se tornou um evento de calendário, que acontecerá uma vez por ano, sempre no segundo semestre, com o objetivo de celebrar o encontro entre empreendedores, grandes empresas, investidores e universidades. Nos vemos no próximo?