* Por Nils Kauwertz

Seu negócio tem presença digital, certo? Um site, uma página no Facebook, um perfil no Instagram ou um canal no Youtube. Essa é uma das exigências básicas da atualidade. Uma das suas maiores preocupações, além da qualidade do conteúdo postado, é o número de seguidores, tenho certeza disso.

Existe uma lenda que diz: “mais seguidores, mais vendas”. Como muitas outras lendas, essa é apenas um mito. Porém, sempre vão existir pessoas que acreditam no conto e que vão em busca do “Eldorado” prometido. Essas pessoa vão buscar de todas as formas se adequar ao que é dito para receber a recompensa prometida.

Assim como aconteceu na busca pela “cidade de ouro”, quando muitos e muitos exploradores se perderam pelas selvas das Américas, a corrida por mais seguidores leva muitos empreendedores a recorrer a dois caminhos fáceis, porém perigosos. O primeiro é a compra de seguidores, para tentar aumentar ou certificar a credibilidade do seu negócio, e o segundo a parceria com falsos influenciadores, uma tentativa de aproximação mais humanizada junto ao público do influenciador escolhido.

Escolher um desses caminhos, ou até mesmo os dois, vai ser as escolhas mais desastrosas que sua empresa pode tomar a nível de gestão de redes socais, e vou te explicar o “porquê”.

No primeiro caso, comprar seguidores. Essa é uma ação comum para micro influenciadores, aquelas pessoas que estão começando nas redes sociais e querem parecer ser mais importantes do que realmente são. Eles compram 10, 15, 20 mil seguidores fantasmas, em alguns casos esses “bots” (ou robôs) até comentam nas fotos, mas sempre com frases como “nice”, “great photo”. Algumas empresas também caem na tentação e encomendam um caminhão de seguidores fantasmas, tudo para parecer mais estruturado no mercado e passar confiança para os novos consumidores, mas isso pode ser uma má ideia.

Por que o número de seguidores não vai ajudar seu negócio e pode, até mesmo, atrapalhar o desempenho de suas estratégias na redes sociais? Vamos lá, o Facebook funciona baseado em seu algoritmo, que sempre passa por ajustes. Em uma das últimas mudanças foram feitas alterações para que apareçam mais conteúdos de amigos do que de empresas, afinal a rede social nasceu com a ideia de amigos compartilharem suas vidas. As empresas precisam ter um conteúdo extremamente relevante para aparecer no feed de notícias de um usuário. Nessa missão, apenas fãs reais vão poder te ajudar, afinal, são eles que interagem com suas publicações. Se você tem 10 mil fãs falsos, eles não vão curtir, reagir ou comentar suas publicações, e isso vai significar para o Facebook que seu conteúdo é pouco interessante, com isso, suas publicações serão cada vez mais escondidas.

Na hora de fazer parcerias com influenciadores é importantíssimo avaliar: quem é o influenciador, qual seu público, qual sua linguagem e como ele pode ajudar sua empresa a alcançar mais pessoas. Existe o pensamento comum: “fama e seguidores, esse cara tem tudo”, e muitas vezes, as empresas fazem investimentos caros que não vão retornar em forma de reconhecimento de marca ou aumento de vendas. Um exemplo básico, você não vai buscar um gamer, pessoas com canais sobre jogos de computador, para vender maquiagem.

Outro perigo no campo dos influenciadores é a quantidade de pessoas que compram seguidores e likes. A Mediakix, uma empresa americana e especialista em Marketing de Influenciadores, fez um experimento e criou duas “influenciadoras” do zero. A primeira era uma modelo contratada e a outra simplesmente não existia, todas as publicações eram de bancos de imagem. Para cada uma a empresa comprou 15 mil seguidores. A primeira alcançou a marca de 50 mil seguidores e a segunda 30 mil. As duas conseguiram assinar DOIS contratos de patrocínio.

Imagina, sua empresa tem um orçamento para fazer uma ação com influenciadores e investe em um fantasma que tem uma base totalmente inexistente na vida real e são apenas robôs? Seria trágico.

As redes sociais se tornaram parte importante de todo empreendimento, é preciso tomar as ações e estratégias desse campo com muito cuidado e seriedade, da mesma forma que a administração e as finanças da empresa.

Não pule etapas, não vai existir crescimento milagroso e nem o “Eldorado” das redes sociais. Procure oferecer conteúdo relevante e de qualidade aos seus fãs, evite promoções e se autopromover o tempo todo. Pense como empresa, mas tome ações como uma pessoa normal, seja prestativo nos contatos e evite respostas padronizadas. Existem muitas formas de ter sucesso nas redes sociais, trabalhe duro e encontre a sua.


Nils Kauwertz, CEO & Cofundador: Apaixonado por marketing, empreendedorismo, educação e tecnologia, fundou a Wunder Digital. Acredito que a educação e tecnologia estão ligadas para revolucionar as micro, pequenas e médias empresas do Brasil. Quer bater um papo? Pode me conectar no Linkedin: Nils Kauwertz.