* Por Antonio Cardoso e Rafaela Kelly

Empreender é sinônimo de mudar o mundo e o Startup Chile leva isso ao pé da letra. Com um dos objetivos de democratizar o acesso ao empreendedorismo criaram um programa voltado para mulheres: o The S Factory ( TSF ), que visa aumentar o número de mulheres empreendedores. Para isso trago um depoimento da Rafaela Kelly, brasileira que faz parte do programa:

Muito se sabe sobre a Start-UP Chile, sobre os benefícios que o maior programa de aceleração da América Latina proporciona para centenas de startups globais todos os anos. Todavia, Start-UP Chile tornou-se quase sinônimo do programa SEED. O que muitos não sabem é que há muito mais que SEED no menu. O TSF, um programa pré-SEED com duração de 4 meses também é oferecido pela Start-UP Chile. Este programa é especialmente direcionado para Elas – mulheres empreendedoras que estão começando a desenvolver uma ideia inovadora. O TSF oferece uma atenção privilegiada a quem está por aqui pois além de haver menos startups por batch (30), o que facilita o contato entre todos, há um co-working especial para nós. Além disso, como é um programa pré-SEED é possível manter um flow de segurança financeira e crescimento, já que pode-se aplicar ao SEED logo em seguida.

Mas não porque é um programa para Elas que tudo são flores. O objetivo do programa é sair com um MVP. Desde o dia 1 um batalhão de atividades mandatórias está planejado. Workshops, mentores, reuniões, pitch training, e muito networking. Além disso as meninas do TSF organizam atividades de pitch e mentorias extras para se preparar para as obrigatórias. Há um mix muito grande de conhecimento e experiências no programa, a maioria das founders nunca tiveram uma startup antes, não sabem muito de negócios e por isso precisam de todo tipo de ajuda para desenvolver a ideia. Por outro lado, há outras que já tiveram startups ou empresas ou até já passaram por outras aceleradoras. Adicione a esse mix uma variedade imensa de nacionalidades. O programa em si é o starting perfeito para se desenvolver como empreendedor.

Cheguei aqui com a CloQ apenas em sketch. Eu nunca trabalhei tanto na CloQ como agora. Fim de semana ou feriado, dia ou noite, toda hora é hora. Nas primeiras semanas eu saia do coworking à noite e continuava a trabalhar em casa até às duas horas da manhã. Antes de chegar em Santiago eu dormia sempre por volta das 11 horas da noite. Com essa mudança repentina eu achei que alguma coisa de Santiago tinha mudado meu relógio interno. Cheguei até a pensar que era o ar! Depois de três semanas assim entendi que não era Santiago, era o TSF. Tudo acontece muito rápido, em um dia estou no welcome pitch, no outro estou eu dando um pitch. Com tantas atividades do SUP tenho que trabalhar na CloQ em qualquer tempo livre que me sobra. E como estou sozinha aqui, meu time está remoto, eu tenho que estar presente em todas as atividades.

Se eu recomendo o TSF?  Em dois meses de programa temos o MVP desenvolvido, um networking expandido, parcerias, uma família SUP, e mais que isso, eu tenho uma validação pessoal que isso é o que eu amo fazer. Desenvolver a CloQ é meu principal objetivo e aqui no TSF eu consigo colocar 100% na CloQ. O que esperar dos dois meses restantes? Muito trabalho, demo day, muito mais networking e o maior desafio de todos, continuar desenvolvendo a CloQ depois do TSF.

Sobre a CloQ: É um aplicativo que, em uma simples interface, oferecerá ao cliente a oportunidade de solicitar um empréstimo, sem precisar enviar comprovante de renda ou residência, e receber esse empréstimo em algumas horas em uma e-wallet nativa ao telefone.


Formado em economia pela IBMEC, Antônio Cardoso é cofundador e diretor de marketing do Aussi, um aplicativo mobile voltado para ajudar os empresários de pequeno porte, conectando-os entre si, de forma gratuita, para que todas suas dúvidas e problemas sejam sanados e resolvidos sem custo algum para micro e pequenas empresas. E juntamente com seus parceiros de negócios Marllon Calaes e Felipe Ferraz, passa um período no Startup Chile, juntamente com outras 99 startups, para seguir no desenvolvimento e aprimoramento do Aussi.

 

Rafaela, da startup CloQ, é nascida e criada em subúrbio no Recife, cresceu trabalhando na lojinha de rua da mãe. Na loja todos os clientes tinham carnê, quase não há movimentação de cartão de crédito e débito. Agiotagem era e ainda é comum. Cresceu vendo a necessidade de uma oferta de crédito justa para os pobres e os desbancarizados. Estudou adm na UFPE e foi para fora pra aprender mais de negócios, em Georgetown, nos Estados Unidos, e na Vrije Universiteit Amsterdam.