* Por Antonio Cardoso

Olá leitores do Startupi, trago para vocês hoje a segunda parte do artigo que conta os principais benefícios e desafios ao se empreender em outro país, ouvindo a opinião de diversos empreendedores brasileiros no Chile. Se você não leu a primeira parte do artigo, pode ser encontrada neste link.

Qual foi o maior desafio nesse período no Chile?

Braulio Bonoto, da Psicologia Viva: Como decidimos abrir uma operação aqui, entender a cultura de se realizar negócios em outro país não foi simples, técnicas que utilizamos na área de vendas do Brasil aqui são ineficientes. Também tivemos que criar uma nova marca com o propósito de ser global, todas as outras operações o negócio foi renomeado para Psyalive.

Fabiola Borba, da Signa: O maior desafio pra mim nessa experiência foi em relação a língua. O Chile tem um espanhol quase que próprio, onde as pessoas falam rápido, carregando diversas expressões e palavras só usadas aqui no Chile. Mas nada que algumas semanas de esforço não resolvam. Além disso, a língua de Sinais Chilena foi outro grande desafio, já que as línguas de sinais são diferentes em cada país. Tive que aprender um pouco para poder conversar e conhecer  o meu público, os surdos!

Rui Barbosa, da Stadyo: leva um tempo para você se acostumar com algumas diferenças culturais, pequenas coisas como não poder tomar cerveja com os amigos em uma praça (você não pode beber álcool em locais abertos, com exceções, da mesma forma que nos Estados Unidos e em muitos outros países). Outro exemplo é a dificuldade de encontrar cortes de carnes equivalentes aos que estamos acostumados, como por exemplo, a picanha – não me interprete errado, existe, mas você tem de aprender e procurar.

Tiago Santo, da Husky: foi um desafio interno da empresa mesmo, de ajuste do nosso modo de operação. Nos custou três meses de trabalho intenso.O inverno de Santiago também exigiu adaptação, para alguém que foi criado em Cuiabá.

Você indicaria para outro empreendedor?

Braulio: Isso vai depende do grau de maturidade, pois como o programa não apresenta nenhuma metodologia de aceleração, se o empreendedor está tendo sua primeira experiência acho que o programa agrega pouco. O estágio da startup pode ser ainda um protótipo, o que importa é quanto o empreendedor conseguirá retirar de conhecimento para crescer rápido e errar menos.

Fabiola: eu super indico o Start-Up Chile para todos os empreendedores que pensam globalmente. O programa é uma vivência cultural. Você está a todo o momento entendendo outros mercados e fazendo conexões com outros empreendedores de diferentes partes do mundo.

Rui: com certeza! Se você tem uma ideia escalável  – não precisa ser uma plataforma web, um app, nem mesmo TI -, tem um MVP e executou alguma forma de validação, sugiro que se inscreva – aliás, as inscrições estão abertas para a geração 19 (encerra em 5 de setembro).

Tiago: sem dúvida. O TSF é uma oportunidade única no mundo para mulheres empreendedoras, e o SEED é o lugar ideal para startups em início de tração.

No geral a visão de todos os empreendedores é positiva quanto ao Startup Chile, apesar de ser cheia de desafios. Sem dúvida o custo benefício é muito importante de ser avaliado porque empreender em outro país requer um nível maior de dedicação e foco. Espero que com essa série de artigos você consiga avaliar melhor se é o seu momento ou não de aplicar para o programa. Ficou com alguma dúvida? Alguma outra pergunta? É só comentar aqui que te respondemos 😊.


 Formado em economia pela IBMEC, Antônio Cardoso é cofundador e diretor de marketing do Aussi, um aplicativo mobile voltado para ajudar os empresários de pequeno porte, conectando-os entre si, de forma gratuita, para que todas suas dúvidas e problemas sejam sanados e resolvidos sem custo algum para micro e pequenas empresas. E juntamente com seus parceiros de negócios Marllon Calaes e Felipe Ferraz, passa um período no Startup Chile, juntamente com outras 99 startups, para seguir no desenvolvimento e aprimoramento do Aussi.