Nataly Martinelli possui formação em administração e psicologia e sempre se interessou por áreas que envolvessem o ser humano como base de estudo. Nos últimos dois meses, ela começou a tratar pacientes que sofrem de fobias e ansiedade, utilizando óculos de Realidade Virtual como peça chave para a imersão nas situações em que eles consideram apavorantes. Conversamos com ela para entender melhor sobre a técnica e os resultados já obtidos. Confira abaixo!

A realidade virtual é uma tecnologia desenvolvida há cerca de vinte anos, mas seu custo começou a torná-la acessível a tratamentos no Brasil nos últimos dez anos. Diversos empreendedores já entenderam as possibilidades da tecnologia e já criaram diversos modelos de negócios. Uma startup, inclusive, criou uma exposição em realidade virtual aqui no Brasil com apoio da Intel. Gigantes como Google, Samsung e Sony também já investiram e apostaram nesse mercado e muitos acreditam que a Realidade Virtual tem potencial para ser a próxima grande plataforma de computação, melhorando setores que vão desde a educação aos cuidados de saúde e contribuições significativas para a economia global.

Nataly parece que entendeu o recado e buscou capacitação em um curso sobre Realidade Virtual aplicada para Psicologia, lecionado por meio de EAD, porém na língua espanhola e inglesa. Ela se qualificou tanto no curso básico como avançado do sistema vinculado. Sendo por meio do EAD e possuindo tanto vídeos como material escrito, a carga horária acaba não sendo fixa e depende de cada aluno, mas Nataly ressalta que a Realidade Virtual trata de uma simulação de terapia de exposição, também amplamente tratada nos cursos de Psicologia. “Os temas abordados no curso avançado eram especificações das aplicações do sistema a alguns sintomas, como TOC, paciente que estão em processo de tratamento oncológico e outros”.

Casos de fobias, medos ou ansiedade que podem ser tratados com a Realidade Virtual:

  • Síndrome do Pânico
  • Medo de voar
  • Medo de injeções e agulhas
  • Medo de animais
  • Medo de dirigir
  • Medo de falar em público
  • Agorafobia
  • Medo do escuro
  • Claustrofobia
  • TOC
  • Ansiedade
  • Ansiedade antes de exames/provas

O programa utilizado na Realidade Virtual é vinculado a uma startup Europeia que desenvolveu os vídeos que permitem que o paciente tenha contato direto com seus medos, conta Nataly Martinelli.

O método coloca o paciente gradualmente frente a frente com suas maiores dificuldades, e semelhante a um jogo de videogame, ele vai subindo de nível. Um exemplo, no caso do tratamento da aerofobia – medo irracional de voar, inicialmente a pessoa irá viver a experiência de se preparar para ir ao aeroporto, posteriormente irá percorrer o trajeto até o aeroporto, para depois vivenciar a experiência do portão de embarque, pouso, decolagem e turbulências. Essa ferramenta é mais indicada para adolescente e adultos, mas existe um módulo especifico de medo de escuro que pode ser utilizado com crianças.

Os óculos são fundamentais para que a pessoa possa vivenciar a experiência, porém, existe um conjunto de atividades que são feitas em cada sessão de terapia, explica a psicóloga. “Nas minhas sessões trabalho com hipnose, acompanhamento do nível de estresse, parcerias para reforço no processo de dessensibilização junto com os óculos de Realidade Virtual, tudo para ter um resultado efetivo”.

Nataly conta que os sintomas sentidos pelos pacientes durante a utilização da Realidade Virtual são muito próximos aos vivenciados na situação temida em si. “Eu tive pacientes que tiveram reações fisiológicas durante e após as sessões. A variação de ansiedade e a própria sudorese são sintomas normais da exposição”. E por que interpretamos como real a experiência da Realidade Virtual? Nataly afirma que a fobia externa reações inconscientes, ou seja, o cérebro é enganado pela própria amígdala central, onde são processadas as decisões rápidas e o córtex, que é a região das decisões elaboradas, acaba recebendo esses estímulos posteriormente.

Apesar disso, os pacientes vêm demonstrando uma enorme receptividade, por ser algo novo e efetivo. Ela conta que em diversos casos teve pacientes com grandes históricos de tratamentos convencionais e que ficaram totalmente surpresos com o retorno da Realidade Virtual.

“É extremamente difícil provar a cura completa de um paciente, pois os níveis de estresse são reduzidos ao longo do tratamento, porém não existe limite formal de quando que começa uma fobia. O relato de diversos pacientes vem sendo amplamente estudados e demonstraram uma enorme eficácia na redução desses níveis. Venho notando resultados similares, posso citar inclusive um caso de uma paciente com fobia de avião. A mesma iniciou o tratamento com o nível de ansiedade na escala 10, sendo o máximo, hoje ela continua em tratamento, mas com o nível de estresse relativo no grau 3, após sete sessões. Esta paciente tinha uma viagem marcada após a segunda sessão e não conseguiu viajar, enquanto no momento presente já consegue pensar em viajar”, conta Nataly.

Nataly conta que no momento existem poucos profissionais que atuam com a Realidade Virtual no Brasil aplicada para o tratamento de fobias. “O diferencial do meu tratamento é que esta ferramenta possui tratamentos para diversas fobias, como também relaxamentos e mindfulness. A minha inspiração para se especializar nessa área foi ajudar as pessoas a superarem as suas dificuldades de forma rápida e efetiva”.

O valor do tratamento depende da sua duração e isso tem variações dependendo de cada caso. Nataly Martinelli possui formação em administração e psicologia. Com cursos sobre Realidade Virtual aplicada para Psicologia, Hipnose Clínica e Capacitação em Orientação Profissional e Planejamento de Carreira, ela atua com adolescentes, adultos e idosos, com foco em transtornos de ansiedade, medos e fobias, na clínica Solar PSI.