* Por Tomaz Chaves

Olá pessoal, tudo bem? Conforme prometi em meu primeiro artigo, vou começar a compartilhar com vocês a rotina e os desafios do empreendedorismo em lawtechs e legaltechs.

Para iniciarmos as nossas conversas sobre o tema proposto, é preciso abordar um ponto de extrema importância: muitas pessoas acreditam que para se ter um negócio, basta uma ideia. Ou, que para se ter um negócio de sucesso, basta surgir uma ideia “matadora”, daquelas sacadas que ninguém teve antes. Ledo engano. A verdade é que existe um verdadeiro abismo entre a ideia e o negócio consolidado. Uma outra verdade é que para se ter um negócio, não necessariamente você precisa ter tido uma boa ideia. Você pode melhorar algo que alguém já faz, por exemplo. Esse foi o caso do Juris Correspondente.

Fiz essa apresentação pois considero importante deixar claro que empreender é realizar algo, e não somente ter boas ideias. E, para se realizar alguma coisa importante, é preciso partir para a ação. Cuidado, não se engane pensando que partir para a ação significa não planejar e estudar.  Esses serão os primeiros passos de quem quer começar a empreender! A minha dica aqui é: faça isso rapidamente, comece a validar a sua ideia e vai otimizando a coisa toda ao longo do percurso!

Eu comecei a minha trajetória como empreendedor em 2008, após um intercâmbio em Portugal e algumas tentativas frustradas de atuar de forma tradicional no meio jurídico. Me juntei a dois amigos da época de escola, elaboramos um plano de negócios e lançamos uma plataforma de cupons de desconto, o Bugio. A empresa não deu muito certo, porém foi uma verdadeira escola, pois pudemos colocar muita teoria em prática e aprendemos na marra, por meio de muitos erros e acertos, o que é empreender. Incubamos a empresa, tentamos buscar investidores, evoluímos o nosso modelo de negócios e, mesmo com todos esses esforços, vimos a entrada dos gigantes das compras coletivas, com um modelo mais rentável que o nosso, sangrar o mercado que estávamos começando a aprender a explorar. Não foi fácil saber a hora de desistir e também não foi fácil começar de novo.

Após encerrarmos as atividades do Bugio, eu não havia desistido da ideia de empreender, porém precisava ganhar dinheiro e, para isso, comecei a atuar como advogado correspondente (correspondentes são advogados que prestam serviços para outros colegas). Não é que muito rapidamente identifiquei ali a oportunidade para começar tudo de novo? Na época, existiam em torno de duas ou três plataformas divulgando serviços de correspondentes. O modelo de negócios estava claro, era escalável, era de nicho, resolvia um problema, enfim, eu não precisava inventar a roda, eu precisava começar a agir (planejar e estudar) novamente!

No final de 2012, me juntei a dois programadores e um web-designer para iniciarmos o desenvolvimento do Juris Correspondente. Como eu não tinha dinheiro, convidei-os para serem meus sócios. Começamos tudo do zero e a continuação dessa história eu conto na semana que vem. Afinal, muitas coisas interessantes aconteceram nesses últimos cinco anos!

Abraços e até lá!


Empreendedor por vocação e advogado formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Tomaz Chaves é CEO da Dubbio e da Juris Correspondente, e cofundador da AB2L, associação que reúne empreendedores de lawtechs – empresas inovadoras que desenvolvem soluções tecnológicas para a área do Direito.