* Por Maria Alice Maia

Globalizar é sonho para muita startup, mas ainda realidade para poucas. Sendo uma startup que está passando por isso nesse momento, percebi que o caminho é mais curto do que pensamos, mas mais complexo do que parece.

Local first, global second

O primeiro passo para a internacionalização é ter uma boa operação local. Você precisa conhecer seu negócio, seu unit economics, saber seus riscos e seus potencializadores de receita. O amadurecimento (como empresa e, por que não dizer, como fundador) é fundamental para que o passo da internacionalização traga resultados. Mas mais que conhecer o negócio, antes de olhar para o mercado externo é preciso ter uma operação bem consistente no nacional. Uma operação internacional exige esforço e foco do empreendedor. Por isso, muitas vezes o time e a operação nacionais vão precisar rodar sozinhos.

Conheça o Mercado

O Brasil é o mercado dos sonhos para muita startup daqui de fora. Com quase 208 milhões de pessoas e um PIB de 1,8 bilhões de dólares, ter 0,1% de share em um mercado restrito já consegue te garantir uma boa receita. Quando você sai do Brasil, precisa ajustar o mindset. É preciso ler sobre o mercado, cavar informações, de dados públicos a privados. Informações sobre o tamanho do mercado e principais competidores são um primeiro passo, mas são só o começo.

Leis e Impostos

Aqui, o Brasil deixa a desejar. O que vale conhecer é a lei específica para o seu mercado, buscar informações no ministério ou secretarias. Em alguns países, a lei varia por estado ou até cidade. Informação importante, principalmente para quem precisa ter equipe local: busque saber quanto é o salário mínimo. Impostos são importantes para entender incentivos e planejar melhor sua estrutura de custos, mas para isso o melhor é buscar a consultoria de um contador.

Idioma e Cultura de Negócios

Cada país tem seu próprio jeito de fazer negócios, e os custos e ciclo de maturação do seu negócio vão variar muito. É preciso entender como se comunicar, como fazer publicidade, o que é aceito, o que é bem visto e o que não é. Para esse ponto, a melhor recomendação é: conheça os locais. Nada vai te ajudar tanto quanto isso. Comunicação é muito mais do que idioma, é cultura. Sobre o idioma, a principal observação é se você está expandindo para um idioma que vai te abrir portas em um único ou em múltiplos países. Isso porque, além de exigirem a tradução da plataforma, idiomas adicionais implicam em atendimento adaptado.

A verdade é que a internacionalização traz implicações das mais diversas para o negócio mas, acima de tudo, traz um ambiente global e um aprendizado maior para o time. O negócio que nasce global, se torna mais forte no âmbito local.


Maria Alice Maia é CEO e Fundadora do NaHora.com, primeira startup de vendas-relâmpago de passagens aéreas da América Latina. Acelerada pela Startup Farm no mercado brasileiro, Maria Alice lidera agora a expansão do negócio para o mercado chileno, com o apoio do Start-Up Chile.