* Daniel Dahia

Se arrependimento matasse, o CEO da Snap, Evan Spiegel, provavelmente estaria com a faca no pulso. Em um Yatch no sul da Itália.

Segundo uma fonte do site americano Business Insider, a Google tentou comprar o Snap por 30 bilhões de dólares no final de 2016, logo antes do fantasminha realizar sua IPO (Inicial Public Offering). Evan Spiegel, CEO e cofundador da empresa, não teria demonstrado interesse em vender. Hoje, a empresa vale só 15 bilhões na bolsa – metade da proposta feita.

Depois de recusar a oferta, Spiegel liderou mais uma rodada de investimento valorizando a startup em 20 bilhões. Os 30 bilhões seriam, então, um premium de mais de 50% sobre o valor de mercado. A própria Google investiu nessa rodada.

Evan Spiegel e Bobby Morphy, cofundadores, garantiram por meios legais que tem 100% de autonomia para tomar todas as decisões na empresa. Exatamente como o Facebook, onde Mark Zuckerberg possui poder de decisão integral, o Snap é uma monarquia absolutista em que os investidores não tem direito de voto.

Evan Spiegel

Mas porque a Google precisaria do Snapchat? Por uma serie de motivos.

Em primeiro lugar, a Google sempre fracassou com redes sociais. Suas tentativas de entrar no meio com o Google +, por exemplo, não resultaram em nada. A Snap seria, então, uma forma de participar da onda, sem ter que desenvolver um produto do zero. São 166 milhões de usuários instantaneamente.

As funções do Snap poderiam também ser muito bem integradas ao Google Search. O Snapchat lançou há alguns meses o Search Stories, que permite procurar Stories no mundo todo. A nova funcionalidade de visualizar as histórias no mapa também poderia ser integrada com o Google Maps. Informações sobre a localização de usuários são valiosas para propaganda – e o Snap poderia complementar muito bem campanhas feitas através da Google.

Para finalizar: vídeo. A Google tem o maior portal de vídeos da internet, o Youtube. E grande parte da comunicação feita no Snapchat é através de videos. Poderia haver uma integração muito positiva entre as capacidades de vídeo das duas empresas (imagina poder fazer um live pelo Snapchat e cair direto na sua página do Youtube?).

Sempre defendi que a decisão de não vender por 3 bilhões para o Facebook há anos foi a correta. Não há o que discutir aqui: só o bônus que os fundadores ganharam na IPO já seria o valor que embolsariam na venda.

Agora resta saber se a recusa feita em 2016 vai valer a pena.


Daniel Dahia acredita que a tecnologia é a principal forma de moldar o Universo. Estudante e cofundador do Spotshopp, startup de varejo que conecta lojas e clientes durante o momento da compra. Escreve sobre tecnologia e empreendedorismo desde pequeno e atualmente é colaborador do MacMagazine e Startupi.