Por Walter Sabini Junior

O brasileiro tem alma empreendedora. Hoje, praticamente quatro em cada dez brasileiros são donos de um negócio ou estão envolvidos na formação de uma empresa, segundo a pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), realizada e patrocinada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) no Brasil. Comigo não foi diferente.

Em 1996, comecei minha trajetória como empreendedor com a criação da Virtual Criações Gráficas, uma agência de design gráfico com foco em revistas, catálogos, anúncios e embalagens. Após dois anos criei o departamento web a pedido dos clientes que queriam ter sua empresa na internet e a partir daí foram oito anos de aprendizado, meu grande MBA prático, para entender que para sobreviver e crescer eu precisava de um produto que gerasse faturamento recorrente.

O departamento web cresceu e se desmembrou em três áreas – Virtual Criações, responsável pelo desenvolvimento web, a Virtual target, que era o módulo de e-mail marketing, e Virtual Metrics, que era o analytics (webtrends) e que ocupou toda a estrutura da companhia na época. Lá em 2007 após muitos sites corporativos e lojas virtuais desenvolvidas, as quais não potencializavam o negócio e apenas faziam a roda girar, decidi focar 100% da atenção no módulo Virtual Target, que se transformaria na plataforma de e-mail marketing mais utilizada no mercado brasileiro. A partir de então mudei o nome para Virid Interatividade Digital, companhia inovadora no uso do e-mail marketing no Brasil – adquirida em 2011 pela Serasa Experian Marketing Services, que incorporou o produto Virtual Target ao seu portfólio.

Já com um conhecimento pleno do mercado de e-commerce e, capitalizado, passei a idealizar novos projetos. Primeiro tentei diversificar meu investimento e decidi investir uma parte do dinheiro em uma franquia de lojas de marcas de roupa, mas após oito meses percebi que, se saísse rápido, o prejuízo seria menor. Ou seja, este foi o segundo MBA profissional, provavelmente o mais caro da minha vida. A lição que aprendi foi a de não investir mais em áreas que não conhecia ou nunca havia desbravado.

Com isso, voltei ao mercado digital fundando a HiPartners Capital & Work, com o objetivo de acolher em um único escritório todos os projetos que decidisse investir. Entre eles estavam a Smart (2012), plataforma para e-commerce, a Precifica (2013), plataforma de precificação dinâmica para lojas virtuais, e a GreenClick (2014), ferramenta que converte a audiência de websites em árvores plantadas para neutralizar a emissão de gás carbônico gerado pelo consumo de energia dos servidores, um projeto social. Já em 2015, a Smart foi adquirida pela B2W. Porém, o projeto mais ambicioso se tornou realidade no mesmo ano, a FX Retail Analytics, que tem como missão levar às lojas físicas a inteligência da análise de dados que o e-commerce possui.

É comum que muitas micro e pequenas empresas fechem as portas no primeiro ano de existência. Além dos ventos muitas vezes desfavoráveis que afetam a economia brasileira, a principal razão para o fracasso está na falta de planejamento. Com os pés no chão, as chances de vencer a insegurança e ser bem-sucedido aumentam muito. Entretanto, constituir um negócio exige mais do que uma boa ideia, capacitação e análises de mercado.

Alguns aprendizados eu considero como fundamentais na trajetória de um empreendedor e compartilho aqui as minhas dicas de ouro para quem quer abrir um negócio:

Controle a empolgação inicial: Todo projeto inovador gera entusiasmo. Como empreendedor sempre fiquei animado com ideias que tivessem a capacidade de mudar o cotidiano. Assim, já cometi o erro de montar e visualizar a entrega de um produto no mercado, sem ter uma equipe capaz de entregá-lo. Com o tempo, aprendi a controlar essa empolgação inicial, e submeter de antemão minhas ideias a diversos testes, a fim de minimizar os erros.

Namore bastante antes de casar: Essa analogia faz total sentido no universo de um empreendedor, pois na rotina de uma empresa em crescimento, em um primeiro momento não é possível vislumbrar potenciais problemas. O ideal é conhecer bem a equipe e possíveis sócios e investidores antes de fechar uma parceria. Nesse tempo de estrada, aprendi que só é possível seguir em frente quando as pessoas que te cercam mostram que são capazes de entregar o que você propôs.

Só aposte no que acredita: Encarar a empreitada exige que o profissional viva o seu segmento. Participei de incontáveis reuniões, palestras, eventos e outras ações durante o processo de desenvolvimento de cada projeto. É esta vivência que funciona como um termômetro para que o empreendedor acredite no sucesso do seu empreendimento, o que é essencial. Se bater qualquer dúvida ou receio, é hora de refletir para evitar se arrepender.

Invista em pessoas capacitadas: Tecnologia é importante, uma boa gestão é imprescindível, mas o sucesso começa com os profissionais envolvidos. Desde o início, procurei contratar bons colaboradores e qualificá-los sempre que possível. Com uma equipe capacitada, soluções para eventuais problemas e ideias inovadoras aparecerão com maior facilidade nas reuniões.

Realize na prática: Encontrar boas ideias é fácil; o problema é tirá-las do papel e executá-las no mercado. Atuando no mercado digital, um dos principais obstáculos que enfrentei foi garantir escalabilidade da solução. Ou seja, fazer com que essa ideia inovadora atenda às necessidades dos clientes e consiga crescer exponencialmente.

Encare novos desafios: Com o tempo, o empresário tende a acumular funções e precisa estar disposto a novas situações em seu cotidiano. Houve momentos em que precisei atuar em áreas que até então desconhecia, e, principalmente, delegar funções e lideranças. Empreendedor não pode ter receio de novidades!

Aprenda com erros: É natural que a empresa passe por intemperes em sua jornada, sobretudo nos primeiros anos. Na adversidade, aprendi que os profissionais precisam e conseguem aprender coisas novas para crescer. Toda solução inovadora envolve passar por deslizes e ajustes.

* Walter Sabini Junior é CEO da HiPartners Capital & Work, cofundador da Precifica e sócio-fundador da FX Retail Analytics