* Por Maria Alice Maia

Vez ou outra, sempre que o NaHora.com é convidado para falar em eventos ou quando converso com outros fundadores, a dúvida que aparece com mais frequência é sobre time e sócios. E é uma das perguntas que mais fico feliz em responder. Isso porque, da minha experiência, as suas escolhas sobre time e sócios vão definir quem sua empresa vai ser e aonde vocês vão chegar.

Startup não é para todo mundo

A cada segundo no NaHora.com, nós confirmamos na pele que a vida de startupeiro(a) não é para qualquer um. Acordar com um plano e ir dormir com outro, viver altos e baixos que são reflexo da versatilidade e vulnerabilidade de uma startup. Dormir descrente e acordar com esperança. Virar a noite para aquela entrega importante, dormir à tarde porque não se dorme bem há dias.

A startup, mais do que conhecimento técnico, exige equilíbrio e inteligência emocional. Mais do que experiência, exige maturidade e senso de responsabilidade. Quando o time é pequeno, seus desafios são maiores, as conquistas são gigantes e as frustrações também. A primeira informação a reconhecer quando se recruta para uma startup é que conhecimento técnico aqui não tem impacto sem vontade de fazer acontecer e de aprender. Você pode contratar o “as” do marketing: ele não vai ter em uma startup o resultado que tinha naquela multinacional de bens de consumo.

“Aprender com” ou “Aprender junto”

No primeiro recrutamento aberto que fizemos para o NaHora.com, encaramos o primeiro dilema: trazer alguém do mercado, com experiência em startups e na área ou trazer alguém novo? Esse vai ser sempre um dilema. Quando se traz gente nova, o resultado pode demorar mais para acontecer, entre tantos erros e acertos. Mas quando acontece, a chance de não ser replicável pela concorrência é enorme.

Trazer gente experiente significa resultados rápidos, mas pode trazer a armadilha da receita de bolo: se faz o mesmo e, no fim, o resultado é igual ao do restante do mercado. A reflexão é válida, e a decisão depende do momento do negócio.

Entrevistar é o Básico

Startup é questão de mão-na-massa. O time precisa confiar que cada posição vai fazer o seu melhor e que, no fim das contas, se um não fizer, o negócio todo se compromete. Por esse motivo, a entrevista deve passar pelo time todo e até mentores e parceiros, eu recomendaria.

Isso porque a escolha deve ser de mão dupla: para você ter a confiança de entregar a empresa na mão de alguém, precisa ter a segurança de que ela escolheu você. E nas entrevistas, é preciso deixar claro rotina, desafios e cultura.

Ser transparente o máximo possível, e recomendar que o time seja transparente também. Envolver o time no recrutamento os prepara para futuras contratações, e afina seu “gut feeling” para entrevistas. Entrevistar não é uma ciência exata, e quanto mais se pratica, mais se aprende a conhecer e compreender pessoas.

Crescimento Acelerado

Se por um lado o crescimento acelerado representa desafio, metas e responsabilidade, por outro isso vai significar que seu time vai passar a ter autonomia muito cedo. Com a empresa crescendo, por mais que você se esforce, não vai ser possível acompanhar tudo. E é bom que isso fique claro: autonomia não significa abandono.

O fundador pode e deve acompanhar o time e oferecer ajuda quando as coisas travam. Mas com o crescimento, a autonomia de decisão deve estar com o time. E é somente com a confiança dos fundadores que eles vão sentir a segurança para isso.

Desenvolvimento

Seja recorrente ou pontual, formal ou informal, financeiro ou não, reconhecimento é fundamental. O time precisa saber quando acerta e quando erra (e para isso, feedback e transparência são essenciais). Voltando ao primeiro tópico, o startupeiro é motivado por desafio, aprendizado e resultado. E é nesse último ponto que está o reconhecimento.

A chave do reconhecimento é buscar entender o que é reconhecimento para cada um do time e garantir que ele seja cumprido. Trazer as pessoas certas é difícil, implica em recrutamento, fit, treinamento e entrevistas. E o melhor que podemos fazer é não deixar esse processo se transformar em turnover.


Maria Alice Cabral é CEO do NaHora.com, a primeira plataforma de ofertas relâmpago de passagens aéreas da América Latina.