Você sabe o que são criptomoedas? Com certeza já ouviu falar em Bitcoin, a moeda virtual que ganhou notoriedade há quase uma década. Hoje em dia, no Japão, já é possível pagar desde restaurantes até conta de gás com a criptomoeda, por exemplo. Em países como a Polônia, Israel e China, há diversos esforços dos governos locais para regulamentar a moeda e suas transações, tornando a atividade do uso destas ainda mais frequente. Embora muitos países do mundo já tenham abraçado a tendência sem volta do chamado “ouro digital”, o Bitcoin e outras moedas digitais ainda estão ganhando seu espaço no Brasil.

Para falar sobre o assunto, Rubens Neistein, fundador da Braziliex, participou do Directions e falou, em entrevista com Geraldo Santos, sobre o cenário destas moedas no Brasil, o que são elas, como podem ser utilizadas e o futuro que aguarda os investidores e entusiastas desta moeda a partir de agora.

A Braziliex é uma empresa brasileira que permite negociar em real diversas criptomoedas. Na plataforma, os usuários podem negociar diretamente uns com os outros moedas como Bitcoins, Ethereum, Monero e Dash, todas moedas digitais. A empresa ainda oferece uma API para que desenvolvedores possam realizar transações por meio de seus próprios programas.

Bitcoin

Para entender melhor este universo, é necessário entender primeiro o que são Bitcoins. De acordo com Rubens, a moeda funciona como uma forma de dinheiro, mas 100% digital. Além disso, ao contrário das moedas tradicionais, as criptomoedas não são emitidas por nenhum governo, ao contrário do real ou do dólar, por exemplo.

Ela é um software de código-fonte aberto, sustentado por  uma rede de computadores distribuída (peer-to-peer) em que cada nó é simultaneamente cliente e servidor. Não há um servidor central nem qualquer entidade  controlando a rede.

A utilização funciona como uma conta bancária numerada que  pode existir no computador do próprio usuário da criptomoeda. Assim, é possível transferir Bitcoins (ou outras) entre carteiras de usuários sem a necessidade de terceiros, sejam eles órgãos ou bancos.

Uma característica que Rubens destaca é a finitude da produção do Bitcoin. Ao contrário do real, onde a Casa da Moeda brasileira produz cédulas diariamente, no mundo só existirão 21 milhões de Bitcoins. Como ele é criado por um processo de mineração na internet, a quantidade de Bitcoins liberados por vez tende a ser cada vez mais decrescente, até que este número chegue enfim à escassez.

Clique abaixo e confira a primeira parte da entrevista, onde Rubens, além de dar detalhes sobre este universo, fala sobre o papel da Braziliex. Confira:

Blockchain e Pagamentos

Durante a entrevista, Rubens também explicou o que são os tão falados blockchains. De acordo com ele, a tecnologia funciona como um grande livro-razão, único e compartilhado por  todos os usuários da moeda simultaneamente. Nele, todas as transações realizadas com Bitcoins são registradas, sendo verificadas e validadas, assim como aconteceria em bancos tradicionais.

Entretanto, este registro público universal e único não pode ser  alterado, é portanto um registro imutável. Lá estão  registradas todas as transações já realizadas na história do Bitcoin, bem como os saldos atualizados de cada usuário. Para o entrevistado, esta tecnologia é vista pelos grandes bancos tradicionais como algo que tem muito para inovar o próprio mercado deles. “O próprio Bradesco tem uma área de blockchain para investigar, investir e desenvolver esta tecnologia. Isso porque os bancos sabem que esta tecnologia pode baratear muito o custo de suas transações”, explica.

Sobre os pagamentos com as criptomoedas, o fundador da Braziliex diz que é necessário primeiro criar no Brasil uma cultura para utilização delas, para que a população entenda que elas valem como dinheiro e são seguras de utilizar. “É como quando começaram os e-mails. No início, nem todo mundo tinha, mas começamos a ver necessidade em ter, porque as pessoas estavam deixando de usar outras ferramentas para se comunicar e enviar documentos e passaram a enviar tudo por e-mail. Hoje, todos usam”, diz.

Para ele, quando a demanda de consumidores começar a ser grande o suficiente para que os estabelecimentos comecem a aceitar Bitcoins e outras criptomoedas, será questão de tempo até que locais como postos de gasolina, supermercados e lojas comecem a aceitar a forma de pagamento virtual.

Clique abaixo e assista a segunda parte da entrevista, onde Rubens fala sobre a aproximação dos grandes bancos e empresas com este mercado, blockchain e muito mais. Confira: