* Por Maria Alice Maia e Caroline Sartório

Há exatos dois meses o NaHora.com recebeu a notícia de que tínhamos sido escolhidos para participar da maior aceleradora da América Latina, que fica em Santiago, no Chile. No Brasil, já fizemos parte do programa de aceleração da Startup Farm, decisão tomada depois de conhecer outras aceleradoras, e que, para nós, foi a principal razão da nossa evolução, como negócio e como empreendedores. Quando aceitamos vir ao The S Factory, criamos uma alta expectativa: “Se a aceleração do Brasil nos ajudou a sair do zero às primeiras 80 vendas em apenas 2 semanas, imagine o que não poderemos fazer em 4 meses no Start-Up Chile?”

Hoje, completamos três semanas de Chile e já podemos falar que a experiência vem sendo tão intensa e enriquecedora quanto esperávamos. Afinal, juntar cerca de 30 startups lideradas por mulheres do mundo todo não poderia resultar menos que aprendizado todos os dias. Até agora, é possível separar em quatro partes o que estamos vivenciando aqui na nossa rotina:

Colaboração

Metade dos participantes é formada por estrangeiros. Desses, uma boa parte não é fluente no espanhol (e acredite, por mais que você seja, nada é igual ao espanhol do Chile).  Nós, estrangeiros, estaríamos no sufoco tentando procurar apartamento, abrir conta em banco, solicitar a identidade local, e fazer os trâmites nos órgãos públicos daqui, não fosse a colaboração dos empreendedores hispano-hablantes. Chilenos, Peruanas, Colombianas… Não importa quão implícita seja sua cara de dúvida, alguém vai te perguntar se pode ajudar.

Ajuda Proativa

A colaboração, por si só, não é o melhor. Você já ajudou alguém de forma honesta, buscando o desenvolvimento do outro? Regularmente, apresentamos nossos projetos para as outras, em buscas de dicas, recomendações e observações que, por estarmos do lado de dentro, deixamos de enxergar. Mas a sessão de “pitacos” não é só formal. Isso acontece a cada dia no coworking: de apresentações de contatos e clientes ao compartilhamento de metodologias. Já pensou que pode ter uma startup em outro continente com o mesmo desafio que você? Vai por mim, existe.

Busca por Conhecimento

Aqui, você precisa ler, estudar e formular pensamentos, para, então, participar dos workshops que acontecem às sextas-feiras, onde a leitura é discutida e os pensamentos compartilhados. Antes de virmos, já tínhamos na Caixa de E-mails um livro de 281 páginas, que baseia a metodologia daqui, para ler durante o voo. Na intranet do programa, mais livros recomendados. Na primeira reunião de checkpoint, adivinhem a primeira pergunta? Precisei confessar que parei na página duzentos e alguma coisa.

Disciplina para Questionar e Crescer

Falando em checkpoint, o quarto e último hábito que o programa nos deu foi a busca pelo crescimento, e o acompanhamento disso. O programa é divertido, fazemos amizades, trabalhamos em um bom clima, mas isso teria pouco resultado se não aprendêssemos a questionar o que temos e mapear o que não temos. Entender o que precisamos ter e o que não é nosso foco. E é para isso que as reuniões de checkpoint funcionam: de tempos em tempos, somos convidados a refletir sobre o negócio, questionar nossa estratégia e, algumas vezes, reestruturar nosso dia a dia. De uma forma sutil, criamos a disciplina para buscar o crescimento.

E como diz William James, se fazemos algo com assiduidade durante 21 dias, isso se tornará um hábito. Com esse ambiente multicultural, inovador, de interação e criação colaborativa, apesar de adquiridos aqui, serão hábitos que vamos levar para o Brasil com certeza.


Caroline Sartorio é responsável pela área de Marketing no NaHora.com, a primeira plataforma de ofertas relâmpago de passagens aéreas da América Latina. Maria Alice Cabral é CEO e cofundadora da Startup.