A Visa comemorou em junho 30 anos no Brasil e este ano, comemorará também um ano do Innovation Center em setembro, espaço dentro do escritório da companhia, em São Paulo, que tem o objetivo de discutir e viabilizar projetos de inovação com importantes players do mercado brasileiro para cocriar o futuro das soluções de pagamento, aproximar-se dos clientes e expor os ativos da Visa.

O STARTUPI foi visitar o espaço e conhecer melhor as iniciativas que a Visa vem tomando no Brasil para o fomento do ecossistema de startups. Erico Fileno, diretor executivo da empresa, disse que desde a inauguração do Innovation Center, a empresa buscava uma forma de atrair parcerias e viabilizar programas de aceleração para rodarem no Brasil.

“A gente já tinha a experiência do Visa Everywhere Initiative, que foi feito primeiramente só para o mercado norte-americano”, diz o diretor. O desafio premia startups que se cadastram e tem suas soluções selecionadas. Entretanto, para que o modelo funcionasse também no Brasil, a Visa entendeu que precisaria dar “um passo atrás” para que o ecossistema de inovação do Brasil pudesse acompanhar os demais.

“Ou seja, primeiro precisamos trabalhar a base de fomentar o ecossistema, porque é diferente promover um programa de aceleração nos EUA, onde já tem empresas e um ecossistema muito mais maduro. Assim, em setembro do ano passado, a Visa se uniu à Startup Farm e desenharam juntos o primeiro programa de aceleração da empresa.

Conheça o Innovation Center, espaço para inovação na sede da Visa:

Everywhere Initiative

A Visa lançou recentemente o Everywhere Iniciative da Visa na América Latina e no Caribe. Organizado em parceria com a Finnovista, cuja missão é promover o desenvolvimento de empreendedorismo entre as fintechs, esse concurso regional é um programa de inovação concebido para engajar a comunidade de startups e promover o desenvolvimento da “próxima grande inovação” em pagamento.

Os participantes da edição regional do Everywhere Initiative terão a chance de disputar um prêmio de US$50 mil e de colaborar com a Visa na criação de um piloto para a ideia vencedora e de participar do desenvolvimento do futuro dos pagamentos.

Por meio desse programa, a Visa pretende criar uma estrutura de colaboração ativa na região, ligando a comunidade de fintechs aos bancos e comércios que estão trabalhando para construir novas soluções de pagamento. O concurso Everywhere Initiative da Visa é realizado na América do Norte, Europa, Ásia e, agora, na América Latina e no Caribe. As semifinais brasileiras acontecem dia 28 de setembro, em São Paulo.

Aceleração

No Brasil, as atividades dos programas de aceleração ainda são recentes. “A gente montou essa primeira parceria com a Farm e, desde outubro, temos com eles cinco programas rodando durante o ano todo. Na virada do ano a gente fechou uma parceria com a GSV Labs, onde a gente trabalha com startups mais maduras, que já estejam tendo seu primeiro faturamento, um primeiro Serie A. Muitas das startups já tiveram Seed”, explica Erico. Ao todo, são sete programas de aceleração da Visa: dois com a GSV Labs e cinco com a Farm.

Com a Startup Farm, a Visa funciona como um patrocinador do programa, e todo o modelo de negócio é da própria aceleradora, com equity e contrato de entrada, por exemplo. Neles, as startups passam por cinco semanas de aceleração e depois há alguns meses em diferentes fases do projeto.

“A parceria com a Farm, dentro do Google Campus, chamou a atenção do Google, que ofereceu uma parceria com o Launchpad para a Visa via Farm. Foi assim desenvolvido um programa de uma semana com o Google. As startups aceleradas pela Farm, ao final, vão para uma semana de experiência do Launchpad no Vale do Silício, fazendo visitas técnicas em grandes empresas do Vale”, disse Erico.

Segmentos

Os programas Ahead Visa 2 e 3, que estão acontecendo agora, não necessariamente são focados em fintechs, muitas startups são selecionadas por terem, além de uma solução inovadora, uma forma de pagamento ao final da jornada, como por exemplo um app de compra e safra agrícola.

Neste momento, a Visa está focando em melhorar a experiência de pagamento do usuário, mas não focando exclusivamente em meios de pagamento. Podem entrar na mira da empresa startups que trabalhem com inteligência artificial, IoT, mobilidade e reconhecimento facial, por exemplo. “A Visa tem muito interesse nesses segmentos e tem ajudado essas startups a expandir o seu negócio, para que se possa fazer pagamento com estas tecnologias.”

Para Erico, a necessidade de fomentar startups brasileiras surgiu na montagem do planejamento estratégico de como atuar com a inovação no Brasil. De acordo com ele, a estruturação da empresa é muito focada em ganhar velocidade e ter tração rápida numa área nova, por isso a necessidade de trabalhar com inovação aberta.

“Uma das frentes é justamente trabalhar com parceiros. Por isso nos aproximamos de startups e fintechs, no contexto de nos aproximarmos de pessoas empreendedoras que estão desenvolvendo soluções ágeis em diversas áreas. Desenhamos os programas de aceleração para funcionarem como uma porta de entrada de como as startups poderiam e podem trabalhar com a gente”, explica.

Uma mudança de posicionamento global também foi um marco neste engajamento. A Visa sempre foi uma empresa conhecida por estar inserida no mercado financeiro. “A visa decidiu que não é uma empresa do mercado financeiro, nós somos uma empresa de tecnologia.”

Esta mudança global também implicou uma série de fatores: de 3 ou 4 anos para cá, a companhia deixou de ter como centro/clientes-base bancos e viram que existia um novo mercado onde eles poderiam atuar. A partir daí, a empresa começou a se aproximar do comércio, do varejo, e das startups. “Saímos de ‘made by Visa’ para o ‘enabled by Visa'”, diz o executivo.

Outro importante marco desta nova fase da Visa foi a abertura de APIs da empresa. “Deixamos de ter inovação só dentro de uma sala, com profissionais da Visa, para abrirmos as APIs e começarmos a fazer as inovações junto com parceiros, clientes e startups. Os programas do Brasil refletem também esta transformação global.”

Fomento

O objetivo da Visa com os programas de aceleração é fazer com que as empresas tenham um crescimento sólido e rápido. Na Califórnia a Visa tem um Corporate Venture, mas que só realiza investimentos em startups mais avançadas, fazendo aportes de séries B em diante.

Então, o objetivo atual é criar uma “escada”, para que a Visa do Vale do Silício veja que é interessante investir nos empreendedores brasileiros também. “Além disso, um dos nossos grandes focos é promover negócios dos nossos clientes com estas startups. Internamente, temos um padrinho para cada startup. Então, se uma startup demonstra que precisa ter contato com determinado banco, o padrinho dela vai atrás do executivo e a startup apresenta seu pitch diretamente para o banco. A gente quer promover esta conexão”, explica Erico.

Uma das atividades-foco do Innovation Studio é, inclusive, uma mudança comportamental do pessoal da Visa. A empresa já promoveu hackathons internos e, de acordo com o diretor, os colaboradores da empresa têm participado cada vez mais dos programas de cocriação. “A gente lançou um chamado para serem mentores de startups, o que tem motivado os colaboradores. Os encontros com os mentores têm acontecido semanalmente, para que possamos realizar com frequência essa troca de experiência, porque para nós é muito enriquecedor.”

Palo Alto

A Visa abriu recentemente as portas de seu novo escritório no Vale do Silício – epicentro de inovação, disrupção e descobertas de alta tecnologia. Com o objetivo de contribuir para a geração de ideias ligadas à próxima evolução das tecnologias de pagamento, a empresa comemora estar no palco de algumas das maiores revoluções tecnológicas dos últimos tempos, como o primeiro computador pessoal, carros conectados e autoguiados, além das casas inteligentes. O novo escritório atua como um epicentro que reúne, em um só local, profissionais de tecnologia, acadêmicos e pensadores globais.

Com mais de 5.700 metros quadrados divididos em três andares, o novo escritório tem as equipes de dados, pesquisa, processamento de rede, fidelização e ofertas da Visa. O escritório de Palo Alto permite que a empresa aproveite a diversidade de talentos da Bay Area, ajudando a construir elos mais fortes com os cientistas de dados, engenheiros e empreendedores de amanhã.

Além disso, o novo escritório também tem parcerias com várias organizações para promover a educação nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês) e com uma série de empresas e entidades sem fins lucrativos, para fornecer recursos e educação na área de tecnologia à grupos sub-representados na indústria.

Objetivos

Para o próximo ano, Erico conta que a ideia é ampliar os programas de aceleração, tanto com early stage quanto com startups maiores, e receber ainda mais empresas em cada ciclo de aceleração. “Com a GSV pretendemos fazer duas entradas por ano e trabalhar com um número maior de startups. Neste primeiro ano trouxemos bancos e comércios para participar, mas queremos colocar eles mais inseridos dentro deste contexto. Por isso, podemos pensar em fazer programas em parceria com estes bancos e comércios.”

Outro ponto relevante é a vontade dos executivos da Visa de trazerem uma ponta do Corporate Venture para o Brasil. Assim, Erico acredita que a Visa em território nacional teria mais autonomia para poder aportar em startups brasileiras, como já acontece em outros lugares do mundo, como Dubai, Londres e Tel Aviv, por exemplo.

Para conhecer mais ações da Visa no Brasil e ao redor do mundo voltadas à inovação, acesse aqui.