O Movimento 100 Open Startups é uma plataforma internacional que conecta startups e grandes empresas. Na última sexta-feira, como parte da rede colaborativa desta iniciativa, algumas grandes companhias do Brasil apresentaram, em um DemoDay, seus maiores desafios com relação à inovação e quais obstáculos as startups podem ajudá-las a superar.

O evento, que ocorreu no CUBO em São Paulo é parte de uma série de DemoDays que o Movimento está promovendo por todo o país, a fim de apresentar as principais empresas listadas no ranking de Startups Mais Atraentes para o Mercado em diversas categorias para companhias espalhadas de norte a sul do Brasil.

“Uma grande empresa, no passado explorava uma inovação e um posicionamento que ela atingiu por um sucesso e, podia de certa forma, sentar no horizonte e observar de longe as ameaças para assim decidir quando inovar novamente. Agora essa imagem mudou bastante. Hoje, a grande empresa está imersa em um ambiente onde a inovação vem de todos os lados e a disputa dela agora é para atrair as oportunidades e se posicionar dia a dia”, diz Bruno Rondani, cofundador do Movimento.

Confira abaixo algumas das empresas que apresentaram seus pitches e saiba quais são os desafios delas:

Empresas

Accenture

A primeira empresa a se apresentar foi a Accenture. Paulo Vinicus, da área de inovação da empresa, disse que inovação aberta não é um conceito estritamente relacionado às empresas de tecnologia, sendo composto por cinco elementos: “universidades, governo, prestadores de serviços, clientes e as startups”, diz.

Para ele, todas as indústrias estão sendo impactadas pela força das startups de uma forma que nunca antes foram, e um grande desafio é fazer com que as corporações entendam que seus maiores concorrentes hoje não são outras empresas tão grandes. “A gente precisa tirar o romantismo que envolve todo este ecossistema. Faz parte da maturação do mercado, mas a gente precisa tratar a inovação de uma forma menos passional e mais prática.”

Pieracciani

Em seguida, Valter Pieracciani, fundador da Pieracciani – empresa especializada em consultoria de gestão e inovação, disse que um grande desafio hoje das empresas é a falta de estratégias para implementar processos inovadores. “Alguns dos grandes motivos das empresas se aproximarem das startups são redução de custo, cultura de inovação, agilidade, diversificação, tecnologias novas e a ‘cultura da startup’. Mas isso não adianta muita coisa se a empresa não tiver em mente exatamente onde quer chegar com esta inovação”, explica o especialista.

“Hoje nós fazemos uma lista das 100 startups mais atraentes para a indústria e é relativamente uma lista curta. Se nós precisássemos fazer uma lista das 100 empresas que melhor fazem open innovation, muito provavelmente nós não encontraríamos, no meio de 200 mil empresas que existem no Brasil”, diz Valter, alertando às empresas a importância de se preparar para incorporar os processos de startups.

Matera

Edgar Magalhães, líder de Projetos de P&D da Matera – fornecedora de soluções e serviços de TI -, explicou aos presentes os pontos de interesse da empresa em relação às startups. “Queremos nos conectar com startups que trabalhem com tecnologias que não necessariamente sejam o core da Matera, como marketplace, meios de pagamento, geolocalização, IoT, analytics, economia compartilhada e Blockchain.”

A Matera trabalha com vários métodos de entrada de parceiros para inovação. Entre eles estão o Matera Startup, onde interessados se cadastram no site da empresa e entram em contato sobre soluções que podem beneficiar a parceria e por meio do Movimento 100 Open Startups. A empresa também investe em fases pré-startups, como hackathons.

Oncoclínicas

Na sequência, João Alvarenga, diretor de TI e Inovação da Oncoclínicas, disse que o grupo tem investido fortemente em inovação e novas tecnologias nos últimos anos, tendo investido cerca de R$400 milhões, incluindo fundos de private equity e uma parceria inédita com a Microsoft no segmento de saúde.

O grupo tem interesse em startups focadas em: cloud (contingência e disaster recovery) para agendamento e autorização online de tratamentos; mobilidade, para o portal do paciente; apps, para digitalização e automações diversas; big data, para CRM; EMR, para segurança da informação; inteligência artificial, para inteligência cognitiva e mining, e reconhecimento facial. ”

Roche

Madalena Carneiro, gerente de novos negócios da Roche – empresa de pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos biotecnológicos -, falou em seguida que 30% do portfólio de produtos da companhia vem de parcerias com startups, em sua grande parte biotechs. “Grande parte dos nossos produtos assiste problemas complexos em áreas como câncer, doenças respiratórias e esclerose múltipla. Nosso objetivo é compreender o que os pacientes precisarão em um pipeline de 12 anos para poder atender a estas necessidades, e aí entram as nossas parcerias”, explica.

A empresa está com inscrições abertas para o desafio “Transformando a Jornada Oncológica” que, em parceria com a 100 Open Startups, busca soluções inovadoras na área da saúde. A startup vencedora receberá serviços de consultoria (como construção de modelo de negócio, estratégia de crescimento ou estruturação interna) e subsídio de insumos para materiais de bancada ou escritório ou patrocínio para participar de um evento ou congresso internacional de referência. As inscrições estão abertas até 31 de julho e podem ser feitas aqui.

Novozymes

Emerson de Vasconcelos, presidente da Novozymes para a América Latina, também falou sobre as necessidades da companhia de biotecnologia dinamarquesa. Hoje a empresa detém 48% do mercado de biotecnologia industrial, e 14% do faturamento anual da companhia é voltado para Pesquisa & Desenvolvimento. A empresa está presente em mais de 130 países e tem centros de tecnologia em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.

“Nós já atuamos em conjunto com startups em 2015 e algumas soluções saíram desta parceria. Nós não buscamos apenas startups científicas ou da área de biotecnologia. Nós buscamos também formas de inovar na nossa área de administração e nos nossos processos”, disse Emerson.

Edenred

A Edenred é um grupo francês que atua no Brasil há 42 anos. Rafael Carazza, gerente de desenvolvimento de negócios, falou sobre as soluções do grupo em conjunto com startups. A companhia é detentora das marcas Ticket (incluindo os benefícios ao trabalhador Ticket Restaurante e Ticket Alimentação); Ticket Log e Repom, de frotas; Accetiv, de incentivos e recompensas, e Edenred, de soluções pré pagas.

O grupo tem mais de 750 mil clientes no mundo, com 43 milhões de usuários. Só no Brasil, 126 mil empresas utilizam suas soluções, com 6 milhões de usuários. Há 1,4 milhão de estabelecimentos credenciados com a marca no mundo todo, e 320 mil deles se encontram no Brasil. O objetivo de programas de Open Innovation da companhia é explorar oportunidades fora do modelo tradicional de negócio, gerando novas receitas e promovendo inovação disruptiva. “Queremos antecipar tendências e agir proativamente na busca de vantagens competitivas e acessar novas tecnologias e modelos de negócio”, explicou Rafael.

A empresa está trabalhando hoje com dois programas de aceleração: O Liga Autotech e um interno. Ambos têm dois ciclos por ano, com 10 e 15 startups, respectivamente. Os principais macrotemas selecionados são fintech, corporate payment, data & big data, economia criativa, fidelização e relacionamento, benefícios, soluções de transporte, automação e internet das coisas, gestão de frotas, mobilidade, mobile payment, e-commerce e cultura.

DOW

Tammy Fukuoka, de P&D da DOW Brasil, explicou que a corporação de produtos químicos, plásticos e agropecuários investe cerca de US$1,6 bilhão anualmente em pesquisa e desenvolvimento. 25% das vendas da empresa são provenientes de produtos de inovação. Para isso, a DOW tem mais de 6.800 pesquisadores em todo o mundo, estando 280 deles no Brasil.

No Innovation Fair, evento realizado pela empresa, a DOW conecta startups, pesquisadores e empreendedores através da inovação aberta para endereçar grandes desafios da atualidade. Temas como alimentos frescos, construção e infraestrutura, agricultura, água, químicos renováveis e materiais, processos e produtos são debatidos e desenvolvidos para gerar novos produtos e soluções mais eficientes, produtivas e renováveis. “Eu gostaria de convidar as startups para nos procurarem e discutirem estes temas com a gente.”

Citrosuco

Fabio Thomazelli, head de marketing da Citrosuco também apresentou seu case. A companhia é a maior empresa de suco de laranja e ingredientes do mundo. Hoje, a empresa produz 2.5 bilhões de litros de suco de laranja anualmente, e exporta 40% de toda a produção deste produto do Brasil, sendo detentora de 20% do mercado global deste segmento. “Nosso desafio, como empresa, é aproveitar melhor nossos produtos mais rentáveis, e para isso contamos com o apoio das startups”, disse Fabio.

Hoje a Citrosuco realiza o Open Innovation Lab, programa de aceleração através de metodologia de imersão no conheimento interno da empresa, com promoções e direcionamento de experts externos. Também participa de encontros de Inovação da Votorantim, para aproveitar a estrutura do grupo para buscar melhores práticas e trocar experiências e, principalmente, busca constantemente eficiência em Big Data Agrícola, Indústra 4.0 e Inteligência Virtual no meio jurídico.

Fibria

A Fibria, empresa brasileira com forte presença no mercado global de produtos florestais, também foi representada por Ricardo Penchei. No ano de 2016, R$72 milhões foram investidos pela empresa em inovação. Hoje, há 372 patentes para avanços tecnológicos em harmonia com o meio ambiente. 92% da produção da empresa, que é líder mundial em produção de celulose de eucapilto, é exportada para Ásia, Europa e EUA.

A Fibria Innovation é uma unidade de pesquisa e desenvolvimento da empresa, nos EUA, especializada em lignina (substância presente na fabricação de alguns tipos de papel). No Brasil, há centros de tecnologia da Fibria em Jacareí (SP) e Aracruz (ES). As linhas de pesquisa estudadas pela companhia são: biorrefinaria, biotecnologia, recursos naturais e melhoramento genético. A empresa busca startups que agreguem valor em tecnologias florestais, logística florestal e celulosa, uso e aplicação de bioprodutos e controle de produção autônoma.

Atlas Schindler

Marici Santos, da Atlas Schindler, explicou que um dos maiores desafios da companhia é a revolução da urbanização, algo que impacta diretamente a companhia. “Como uma empresa, que ano que vem faz 100 anos no Brasil, pode colocar inovação e novas perspectivas dentro dos seus processos? Pensando nisso, começamos a nos tornar parceiros de startups”, disse.

“Hoje nossos clientes, diretos e indiretos, necessitam de informação rápida e online a todo momento. De que forma a gente pode contribuir dentro deste cenário? Como a Atlas pode se conectar aos smart buildings? Que tipo de cadeia a gente vai construir daqui pra frente em termos de relacionamento?”, explicou Marici, demonstrando alguns dos desafios que a corporação terá que superar e que, para isso, conta com a ajuda de startups.

100 open startups

Startups

Após o pitch das grandes empresas, startups selecionadas do ranking 100 Open Startups também apresentaram suas soluções para o auditório lotado do CUBO. As startups a se apresentarem no início foram as primeiras colocadas no ranking das 100 startups mais atraentes para a indústria de todo o Brasil.

A primeira delas foi a GoEpik, eleita em primeiro lugar na lista de startups mais atraentes para a indústria. A startup é uma plataforma de realidade aumentada, mista e virtual aplicada à indústria 4.0. “Resolvemos queda de produção, multas, ociosidade e perda de clientes, unificando o mundo real ao virtual”, explicou o CEO.

A Beenoculus, segundo lugar no ranking geral do Movimento e em primeiro lugar em Futuro da Educação, apresentou sua solução também. “A neurociência diz que a emoção gera aprendizado. E a realidade virtual é o meio de comunicação mais eficiente para isto”, disse Rawlinson, CEO da startup. A empresa foca na realidade virtual e aumentada para a educação.

A VGResíduos, terceira colocada no ranking geral do Brasil, é uma plataforma de comercialização que otimiza a gestão para melhor aproveitamento e destinação de resíduos industriais. A empresa já tem mais de 200 clientes e mais de 600 propostas em negociação atualmente, por todo o mundo.

Em seguida, as principais startups do estado de São Paulo presentes no ranking também realizaram seus pitches para apresentar suas soluções.

A primeira colocada do estado é a Lean Survey, uma plataforma de pesquisa de mercado no modelo crowdsourcing. Por meio da solução da startup, é possível que seus clientes realizem pesquisas ágeis, de baixo custo e em todas os municípios brasileiros.

Em segundo lugar de SP ficou a Evnts, plataforma tecnológica de reservas de hotéis para eventos, que em vez de concentrar suas vendas em turistas comuns, especializou-se no atendimento a grandes eventos e a grupos de viajantes. A plataforma centraliza todas as opções de hospedagem e integra as informações com a página de cada evento.

A Nama, Top 1 em aplicação empresarial, apresentou sua solução em seguida. A startup utiliza inteligência artificial para a criação de chatbots. O seu case de maior sucesso até agora, o Poupinha (para o governo de São Paulo), já acumula milhares de agendamentos concluídos com sucesso.

A terceira colocada em Gestão de Pessoas, Pin People, se apresentou em seguida. A startup tem uma solução de poeple analytics, que atua ma solução, retenção e desenvolvimento de pessoas nas empresas clientes a partir de dados de inteligência artificial.

A Cuco Health, empresa que alcançou o primeiro lugar do raking na categoria Saúde, funciona como um assistente virtual de saúde, engajando os pacientes para uma melhor gestão dos cuidados da saúde destes.

Em quarto lugar no ranking de gestão de pessoas, a Reachr é um software completo de recrutamento digital, criada exclusivamente para organizar todo o processo de recrutamento, facilitando o dia-a-dia dos profissionais de Recursos Humanos.

A Omnize é um software de relacionamento multicanal feito para que as empresas atendam seus clientes com eficiência por chat, voz e vídeo. Em breve, a empresa disponibilizará também sua plataforma em WhatsApp, redes sociais, e-mail e outros.

Por fim, a EuNerd se apresentou. A startup é uma empresa que oferece, por assinatura, todos os serviços de TI por demanda. Em seis meses de existência, a startup atingiu o Break Even, segundo Bruno Ramos, CEO.

Banca Avaliadora

Na banca de jurados presente na ocasião estavam Eduardo Sperling (Inseed), Rafael Levy (IVP), Felipe Brito (Fundo Pitanga), Richard Zeiger (MSW Capital/BRStartups), Cesare Iacovone (Bravia Capital), Bruno Paludo (Distrito Ventures), Daniel Schor (Ocean Ventures), Felipe Guth (SPVentures) e José Scodiero (Baita Aceleradora).

Open Innovation Week 2018

A Open Innovation Week 2018 marcará a décima edição realizada no Brasil. E para esta edição de 10 anos que ocorre em março, o evento será realizado em uma parceria inédita entre a Wenovate, entidade responsável pelo evento, e o STARTUPI, mais completo portal de conteúdo focado no ecossistema de startups.

Geraldo Santos (Startupi), Bruno Rondani (WeNovate), Rafael Paganotti Figueiredo (FINEP)

“Quando nós fizemos nosso primeiro evento, há 10 anos, o STARTUPI também foi nosso parceiro. De 2008 para cá, o ecossistema amadureceu como um todo, o Movimento 100 Open Startups cresceu muito e o STARTUPI também. Nesta próxima edição nós decidimos nos unir e trazer todas as comunidades possíveis relacionadas a startups, e o portal é um grande aliado nesta missão”, completa Bruno Rondani.

Para Geraldo Santos, diretor geral do STARTUPI, “é um prazer fazer parte deste programa que é um dos mais completos do mercado em termos de aproximação de grandes empresas com startups e, principalmente, na geração de negócios entre estes dois mercados. Desde que assumimos a gestão do Startupi há 2 anos, pivotamos e hoje além de continuar sendo o mais completo portal de conteúdo exclusivo para o ecossistema de startups no País, o Startupi oferece capacitação e treinamento para investidores-anjo e grandes empresas. Somamos a esta parceria todo know-how gerado em quatro anos com as edições DEMO (Brasil e Latam) e temos certeza de que vamos fortalecer ainda mais o Open Innovation Week e torná-lo um evento global. Com isso, consolidamos o que temos feito nos últimos anos no mercado, incentivando e fomentando a integração entre startups, investidores e grandes empresas”, conclui Geraldo.