* Por André Rodrigues

O vídeo introdutório do WWDC, conferência mundial para desenvolvedores da Apple que aconteceu em Junho, retratou um mundo pós-apocalíptico, onde o caos e desespero se instaurou por um motivo inusitado: um novo funcionário desastrado desliga os servidores da gigante de Palo Alto e, ao som da música “All Right”, absolutamente todos os apps de iPhones, iPads e Apple Watches são deletados. Terminando com os dizeres: “Continuem criando aplicativos. O mundo depende de vocês.”, o clipe mostra uma preocupação concreta da empresa pioneira do universo mobile que conhecemos hoje.

Essa preocupação não é à toa. Centralizar a distribuição de aplicativos é estratégico para a Apple enquanto modelo de negócios, já que ela fica com uma fatia importante da receita gerada – não só da compra dos apps como de qualquer compra realizada dentro dos aplicativos.

Estamos acompanhando a evolução de tecnologias que estão aproximando a internet da experiência de um aplicativo nativo, como o progressive web app – conjunto de técnicas para desenvolver aplicações web, adicionando progressivamente funcionalidades que antes só eram possíveis em apps baixados das lojas.

É possível traçar um paralelo com o que já vivemos nos desktops. As pessoas costumavam utilizar apenas softwares instaláveis nos seus computadores. Depois de uma série de avanços técnicos e com as conexões de internet se tornando melhores, passaram a utilizar cada vez mais aplicações online.

O desafio de adoção e engajamento dos aplicativos é real há algum tempo. Mas isso não decreta a morte imediata, sequer a médio prazo, dos aplicativos como conhecemos hoje. O número de aplicativos baixados na App Store, segundo o site Statista, cresceu de 100 para 130 bilhões de Junho de 2015 a Junho de 2016. Ao olharmos para o Brasil, segundo uma pesquisa realizada pela comScore em Setembro de 2016, aplicativos representam 90% do tempo de um usuário em um dispositivo móvel.

A previsão a ser feita aqui é que, apesar dos desafios de adoção e o surgimento de novas tecnologias, apps não devem perder espaço. No entanto, devemos enxergar uma movimentação onde eles deixarão de ser extensões de serviços e conteúdos web e passarão a explorar ainda mais o potencial de hardware dos smartphones, como os sistemas de localização e GPS, realidade virtual e aumentada e inteligência artificial.

Em resumo, não devemos presenciar a morte dos aplicativos tão cedo. O que vamos testemunhar é o sucesso daqueles apps que, de fato, valem a pena ser baixados e que utilizam de maneira plena o potencial que a tecnologia oferece.

*André Rodrigues é CEO da startup mobLee