*Por Fernanda Santos e Marystela Barbosa

Essa semana aconteceu o Fórum E-Commerce Brasil 2017, principal evento de e-commerce da América Latina e o terceiro maior evento de e-commerce do mundo, de acordo com a Forrester Research. E pela primeira vez o evento contou com uma arena exclusiva de empreendedorismo, realizada em parceria com o STARTUPI. Bitcoin, inovações do mercado Chinês, aceleração e investimentos foram alguns dos temas abordados no espaço. Confira abaixo um pouco do que rolou!

Igor Piquet, Head of Business Acceleration da Endeavor Brasil, destacou alguns dados sobre o empreendedorismo no Brasil. 3 em cada 4 brasileiros enxergam o empreendedorismo como uma opção de carreira, mas apenas 9% estão buscando preparo para isso. 10% dos brasileiros querem gerar empregos nos próximos anos. O Brasil ocupa a posição 123 no ranking de países para se fazer negócio e os brasileiros gastam 2038 horas lidando com burocracias.

Igor também mostrou a diferença do ecossistema em 2000 para hoje. “Tudo era muito diferente, no ano em que a Endeavor surgiu existiam poucos programas, investidores e iniciativas de fomento ao empreendedorismo. Hoje existem diversos coworkings, programas de aceleração e cada vez mais estão surgindo iniciativas de grandes empresas voltadas para esse mercado”, comenta.

Inteligência Artificial

Outra mudança que vem acontecendo no ecossistema são os fundos e programas de aceleração focados em um segmento específico, como por exemplo, o caso da Propz, empresa para soluções de Inteligência Artificial e Big Data para o varejo físico, que irá inaugurar no próximo mês o 1º Retail Big Data Lab para o varejo, laboratório que funcionará dentro do Oasis by Distrito, espaço de inovação especializado em tecnologias para o segmento varejista. O intuito da iniciativa é aproximar empresas inovadoras dos varejistas e proporcionar acesso do mercado aos experts da Propz para viabilizar projetos, desenvolver novas ferramentas e obter resultados cada vez mais efetivos para o segmento.

Israel Nacaxe, COO da Propz participou de um painel sobre inteligência artificial para startups do varejo. Ele explicou sobre as maiores dificuldades do chamado varejo de alta frequência, que são estabelecimentos como supermercados, farmácias e lojas de conveniência.

Para ele, o principal entrave destes comércios é entender a jornada do consumidor. “Dados são o que movimenta a economia hoje, mas nem sempre nós precisamos olhar para onde o consumidor está navegando, mas o que ele compra faz diferença e ele deixa importantes rastros durante esta transação, é muito importante que a gente entenda eles”, explica.

Hoje, alguns aspectos durante a jornada de compra são mais importantes que o preço do produto que o usuário compra no e-commerce ou varejo físico. “O momento de ativação e a relevância da oferta são mais importantes que o preço do produto. Se eu te oferecer o produto errado no momento de decisão, eu tenho mais chances de ativar o consumidor do que oferecer o produto certo no momento errado”, diz.

Investimento-anjo

Maria Rita Spina, Diretora Executiva da Anjos do Brasil e Claude Ricci, Sócio da Lotus Venture, participaram de um painel para falar sobre investimento-anjo e valuation para e-commerce ao lado de Geraldo Santos, diretor-geral do STARTUPI.

Maria Rita falou sobre a importância do investimento-anjo para todas as startups. “Nós, da Anjos do Brasil, fazemos o trabalho de ajudar e coordenar investidores de todo o País para fomentar o ecossistema empreendedor no Brasil e torna-lo cada vez mais sólido. O investimento-anjo é importante porque não entregamos apenas o capital financeiro, mas auxiliamos os empreendedores com mentorias e todo o know-how de quem investe e já passou por isso. Para nós, este é o principal objetivo de um anjo”, explica.

Além desta principal diferença entre outras formas de levantamento de capital, é importante ter sempre em mente que o investidor-anjo entra quase sempre com uma participação minoritária na empresa em um contrato de dívida conversível, ou seja, ele não entra no contrato social da empresa. Nestas circunstâncias, empreendedores e investidores combinam uma série de regras de governança para que possam interagir como se fossem sócios da empresa, garantindo assim uma gestão equilibrada do negócio.

Claude, agraciado pelo Prêmio Anjos do Brasil para Investidor Anjo 2017, explicou aos presentes no auditório o que é valuation e como as startups de e-commerces podem calcular este valor. “Primeiramente, este exercício de avaliação é altamente subjetivo. Existe uma série de modelos para este cálculo, mas nenhum específico para e-commerce”, diz o especialista. Valuation é o termo em inglês para avaliação de empresas. O principal objetivo desta conta é calcular quanto o investidor pagará pelas ações de uma empresa. Para isso, soma-se o valor da empresa com o valor dos aportes já recebidos.

“Para receber um aporte, é fundamental entender que tipo de investidor você quer na sua empresa, porque é como um casamento. Tenha também muito claro o motivo pelo qual você precisa de um investimento quando for conversar com o investidor”, ressalta Claude.

Soluções

E existem startups que estão ajudando o varejo a crescer e oferecem soluções de diversos tipos para impulsionar os negócios. A Arena de Empreendedorismo do Fórum E-commerce Brasil recebeu Tomás Duarte, CEO da TrackSale e Rodrigo Ricco, CEO da Octadesk para um bate papo sobre o mercado e suas soluções.

A Tracksale tem como objetivo melhorar a experiência de compra do consumidor por meio da metodologia Net Promoter Score (NPS) e outros indicadores que medem a experiência do cliente. A startup disponibiliza mais de 70 relatórios inteligentes que cruzam dados estratégicos e geram insights para tomada de decisão e indicam quais falhas e gargalos foram encontradas em cada empresa.

Atualmente, possui mais de cem clientes ativos e realizou o monitoramento de mais de mil marcas que fizeram parte de seu portfólio. A startup já implantou sua tecnologia em empresas como Electrolux, Locaweb, Fiat, Casas Bahia, Brastemp, Sul América, Amil. Allianz, Lojas Americanas, dentre outras.

Já a Octadesk, é uma plataforma de sistemas voltada para a gestão de relacionamento com cliente e tem como missão elevar a qualidade do relacionamento entre empresas e clientes no Brasil. Por meio de um sistema automatizado, empresas têm acesso em um único local a todo o histórico de atendimento, feitos por diferentes canais.

Atenta às tendências do mercado e aos constantes avanços tecnológicos, além de um sistema desktop que integra os departamentos envolvidos no atendimento ao cliente, a Octadesk também investe em tecnologia mobile para ganhar agilidade nos processos, em chat para contato em tempo real e em inteligência artificial para automatizar, personalizar e escalar o atendimento. O objetivo principal da startup é, além de facilitar o trabalho das equipes, suportar qualquer etapa da jornada do cliente e aumentar seu nível de satisfação e fidelização.

Internacionalização e Experiência

Nós sabemos que para o empreendedor é importante ter referências e conhecer e conversar com pessoas que já passaram por essas experiências e podem fazer a diferença no momento de criar um novo negócio, por isso, Tânia da 33/34 e Guilherme da RD compartilharam suas experiências.

Guilherme Porto, Consultor de Marketing Digital da Resultados Digitais, falou sobre o crescimento da empresa. A RD, de Florianópolis, é uma plataforma de marketing digital de resultado para pequenas e médias empresas. Hoje, ela já atende mais de 1200 clientes ao mês e tem cerca de 600 funcionários.

A empresa nasceu em 2011 e já ganhou o prêmio por três anos seguidos GPTW de melhor empresa para se trabalhar em Santa Catarina, recebeu R$62 milhões em seu mais recente aporte liderado pela TPG (investidora da Uber, Spotify, Airbnb, Azul, entre outras) e criou o RD Station, software de automação de Markekting Digital.

Guilherme também falou sobre os projetos da Resultados Digitais de se tornar global. “Nosso projeto de internacionalização é sobre a questão do addressable Market (mercado atingível). Você tendo um monitoramento claro e já tendo dominado seu mercado core, não deixando pecar a operação por ali, você entende que já existe um mercado com características e demandas parecidas, faz sentido implementar uma estrutura fixa. A estrutura pode ser enxuta no início, mas deve ter uma margem para escalabilidade. É possível manter uma operação de marketing digital de um país central operando em rede mundial”, diz Guilherme.

33/34, criada por Tânia Gomes, é uma marca de sapatos focada especificamente em mulheres que calçam as numerações 33 e 34. A startup, que é um e-commerce de nicho, nasceu da dificuldade da fundadora de encontrar calçados com a sua numeração.

Nascida há cerca de 2 anos, a startup já recebeu alguns aportes, o mais recente de cerca de R$1 milhão, e migrou do e-commerce para vender também em lojas físicas. Sobre internacionalização, Tânia diz que é um caminho natural para sua empresa. “Começamos vendendo de outras marcas, agora nossa marca própria vende em outros e-commerces. Hoje, nossa loja física é uma extensão da experiência da compradora. Nosso modelo é altamente escalável e pode sim ser replicado no exterior por termos uma série de atributos, um deles é o design brasileiro que é altamente sexy para o mercado internacional”, diz a empreendedora.

Multicanalidade

A Movile, uma das empresas que lideram o mercado de mobile commerce global, também não poderia ficar de fora da arena empreendedorismo. Larissa Cerchiaro, Coordenadora de Parcerias e Marketing da companhia, foi quem compartilhou algumas curiosidades. No mês passado a Movile recebeu mais um investimento de US$53 milhões que segundo informações, será utilizado para impulsionar o crescimento nos segmentos de delivery, ingressos e educação, além de alavancar o desenvolvimento da Rapiddo, plataforma “online-to-offline“ (O2O) que agrupa diversos serviços em um único local.

A Movile conta com 15 escritórios espalhados pelo mundo, é a plataforma número 1 de delivery e venda de ingressos na América Latina e  possui o aplicativo mais rentável globalmente para crianças. Larissa também abordou o tema Multicanalidade, que na Movile é divida em três pilares. A primeira delas é uma plataforma que chama Movile Messaging, mas Larissa adiantou que estão no projeto de rebrading e em setembro lançarão uma nova marca, a Wavy. Nessa plataforma são feitas mais de 320 mil interações por mês, atingindo mais de 40 mil pessoass de diversas maneiras: e-mail, SMS, mensagem de voz. Outra plataforma existente é a ChatClub, que é voltada a empresas criarem e terem seus chatbots e a Google RCS, ainda em desenvolvimento.

A Movile foi selecionada pelo Google para participar do programa de acesso preliminar às mensagens corporativas conhecidas como Rich Communication Services (RCS) na América Latina e já testa o novo padrão na região.

O RCS oferece recursos mais avançados para a experiência de mensagens de texto, como a capacidade de compartilhar fotos em alta resolução e criar e editar bate-papos em grupo. Além disso, esse tipo de mensagem possibilita que os usuários recebam confirmação de leitura, úteis para monitorar o alcance e o engajamento em relação à comunicação enviada. A expectativa é que o novo formato de mensagens mude a maneira como as empresas se comunicam com os clientes, permitindo que as marcas enviem mensagens mais relevantes e interativas.

Durante sua apresentação, Larissa também falou sobre os canais de comunicação, muito importante para quem está desenvolvendo um e-commerce por exemplo. Um dado que me chamou a atenção foi sobre o SMS, de onde a Movile nasceu. Segundo a Teleco/Google Global Messaging Summit, hoje no Brasil temos 284 milhões de linhas de celulares ativas. 168milhões são smartphones e 116 milhões featurephones e o único aplicativo em comum com todas essas linhas é o inbox de SMS. E sabe qual é a taxa média de leitura? 97%. “Você consegue com uma mensagem curta, rápida e de baixo custo falar com seu consumidor”, comenta Larissa citando o case da Colombo, cliente da Movile, que fez uma ação promocional e disparou 5 milhões de SMS para a sua base de clientes. Essa ação gerou 18 mil vendas que resultou em 1 milhão de receita.

A Movile está sempre de olho na inovação e recentemente, foi a única empresa brasileira a conquistar um Leão de Bronze na categoria Direct do Festival Cannes Lions. O projeto premiado foi o chatbot “Amigo Anônimo”, criado em comemoração aos 70 anos dos Alcoólicos Anônimos (A.A) no Brasil.

Desenvolvido pelo ChatClub, em parceria com a J.Walter Thompson e o Creative Shop, do Facebook, o serviço abriu mais um canal de ajuda para quem busca apoio. Desenhada para manter o anonimato, a ferramenta disponível no Messenger do Facebook oferece ajuda e orientação para a recuperação de dependentes do álcool, incluindo as primeiras informações sobre como lidar com a doença, suporte em momentos de recaída e acesso a horários e endereços para atendimentos presenciais em unidades do A.A.

China

Como referências são muito importantes, In Hsieh, CEO da CBIPA (China Brazil Internet Promotion Agency), compartilhou dados super interessantes fazendo entender por que a China é o mercado mais inovador de E-commerce do mundo. Para começar, no Single Day, Black Friday da China, foram vendidos US$14,3 bilhões enquanto os EUA no Black Friday e Cyber Monday vendeu US$5,8 bilhões.

Muitas pessoas também possuem na cabeça a imagem da China relacionada com poluição, pastelaria, lugares cheios, muitas bicicletas, comidas exóticas e pessoas com rostos idênticos, mas se existe um rosto muito familiar e que com certeza está reconhecido internacionalmente não só no mercado de tecnologia, mas também no de empreendedorismo, é Jack Ma, Fundador do Alibaba. Sua empresa representa sozinha mais de 80% do mercado local do comércio eletrônico.

In Também destacou que das 10 maiores empresas de internet de capital aberto e unicórnios por valuation, quatro são da China.

Outro ponto destacado foi sobre a região de Shenzhen, considerada o Vale do Silício do Hardware e o berço das próximas Teslas e Apples do mundo. Confira e conheça mais sobre a região no vídeo abaixo:

“Todas as mudanças que estão acontecendo na China localmente, impactam os outros países, todas as pessoas que acessam um e-commerce como empresa ou consumidor, podem ser impactados”. In também citou exemplos de inovações que irão impactar outros mercados, uma delas é o Mobile Payment. A China é considerado o primeiro país que deixará de utilizar o dinheiro em papel.

In conta que nas grandes cidades é bem corriqueiro a não utilização de dinheiro, a pessoa pode ir aos estabelecimentos e pagar com o QR Code, restaurantes, barraquinhas de rua e até os mendigos e cantores de rua possuem um QR Code para pedirem dinheiro para as pessoas. “O QR Code não pegou em nenhum país do Ocidente, mas se vocês pensarem faz muito sentido, por que uma URL em letras ocidentais para um oriental é muito complicado, o QR Code é muito mais simples e as pessoas precisam entenderem o potencial disso, pois existem muitas oportunidades de negócios”, destaca In.

Bitcoin

E falando em inovações nos meios de pagamentos, Rubens Neistein, Diretor Executivo da Braziliex, falou sobre Bitcoin e Criptomoedas como alternativa de pagamento para lojistas. Bitcoin é um software de código-fonte aberto, sustentado por uma rede de computadores distribuída (peer-to-peer) em que cada nó é simultaneamente cliente e servidor. Não há um servidor central nem qualquer en0dade controlando a rede. Ele funciona como uma conta bancária numerada que pode existir no seu próprio computador.

Com o Bitcoin você pode transferir fundos de A para B em qualquer parte do mundo sem jamais precisar confiar em um terceiro.

Outros destaques da Arena Empreendedorismo foi o Demo Day E-Commerce Brasil e as sessões de mentoria, onde os participantes do evento puderam tirar suas dúvidas com diversos especialistas do mercado.

Já o Demo Day contou com o apoio do Movimento 100 Open Startups. Seis startups dos segmentos que vão desde Inteligência Artificial à Lawtech, puderam apresentar um pitch de cinco minutos das suas soluções. Para saber os detalhes do Demo Day clique aqui.

Aconteceram também, nos dois dias de evento, Feiras de Contratações realizadas em parceria com a Gama Academy. 25 alunos de Programação, Sesign, Vendas e Marketing, fizeram uma breve apresentação de seus currículos para as mais de 40 empresas presentes na Arena. Após os pitches, os alunos e os executivos se reuniram para falar sobre possíveis contratações, em uma média de 3 reuniões por aluno. O resultado foi super positivo com contratações ainda durante a feira.

Abaixo, Guilherme Junqueira, fundador da Gama Academy, fala sobre a experiência.