* Por Exame.com

O Nubank conquistou o seu público ao oferecer um cartão de crédito sem anuidade e com todos os seus recursos controlados por um aplicativo para smartphones. Lançada neste ano em sociedade com a Omni Soluções Financeiras, a Trigg tem uma proposta semelhante, ainda que com um conceito inusitado: pagar para que você use o cartão de crédito.

Em vez de oferecer o acúmulo de pontos em programas de fidelidade para trocá-los por produtos ou milhas de passagens aéreas, a empresa trabalha com cashback. Basicamente, você ganha dinheiro, em forma de desconto nas suas faturas, conforme usa o cartão. Quanto mais você usa, maior é o desconto.

Diferentemente do modelo de negócios do Nubank, a Trigg cobra anuidade pelo cartão, que é um Visa Gold Internacional. São 118,90 reais por ano (em bancos, o preço por ano é de cerca de 300 reais). Esse valor, no entanto, pode ser praticamente abatido se o gasto mensal do usuário for de 1.400 reais. Nesse caso, o valor restituído seria de 117,60 reais.

Se o valor médio por ano for mais alto do que esse valor, o consumidor vai ganhar dinheiro no balanço financeiro do ano. Apenas os gastos mensais maiores ou iguais a 5 mil reais dão o máximo de retorno, 1,3%. O site da Trigg tem uma calculadora que permite saber quanto dinheiro será restituído de acordo com o gasto no cartão. Por isso, esse cartão é voltado para quem coloca a maioria das despesas no crédito, e não em quem usa o recurso apenas quando já não tem dinheiro na conta para pagar no débito.

Assim como o Nubank, a Trigg se define como uma fintech, ou seja, uma empresa de tecnologia que atua no setor financeiro. Por isso, tudo pode ser feito via aplicativos de smartphones Android e iPhones. Quer solicitar um cartão? Você terá que fazer isso pelo próprio app. E não é preciso esperar o cartão físico chegar, um número já é gerado para que você possa começar a usá-lo.

Marcela Miranda, sócia e chefe de operações na Trigg, conta que oferecer o máximo de autoatendimento possível via aplicativo é algo necessário atualmente.

“As pessoas querem resolver seus problemas rapidamente. Trabalhamos com esse foco. Temos uma equipe de tecnologia de peso hoje, focada em interface, inovação e desenvolvimento”, afirmou Miranda, em entrevista a EXAME.com. “Toda movimentação é dentro do app. Há suporte, SAC, chat no app, mas o que gente tenta fazer é que o atendimento seja mais consultivo do que de resolução de problemas.”

Ela conta que a proposta da empresa surgiu a partir de uma série de pesquisas realizadas no ano passado para identificar possibilidades de negócios. Um dos levantamentos indicou que menos de 20% dos usuários de cartões de crédito aproveitavam os seus pontos para convertê-los em milhas de programas de fidelidade. Muitas vezes, os pontos expiravam antes de um montante adequado para esse fim fosse acumulado.

Nessa brecha, a estratégia usada pela empresa foi o cashback. Porém, só foi possível adotá-la cobrando a anuidade do cartão, explicou Miranda.

“O próprio Nubank entende agora que precisa ter benefícios. Eles vão lançar um cartão beta com milhagem que terá anuidade. Não tem como, é matemática, não tem como dar benefícios sem cobrar anuidade. Nessa discussão de estratégia de produto, decidimos oferecer um cartão com um valor maior do que não cobrar anuidade”, disse a sócia da Trigg.

Outra opção que os usuários do cartão da empresa têm é doar o crédito de cashback para o programa de startups Triggers. As empresas iniciantes são aceleradas por seis meses e recebem mentoria de executivos de YouTube, Twitter e Johnson & Johnson. Depois desse período, a vencedora recebe investimento de 50 mil reais e todo o crédito doado pelos usuários do cartão de crédito.

Ser mulher em uma fintech

Marcela Miranda conta que não encontrou dificuldades em atuar no setor financeiros por ser mulher.”É um desafio não por ser mulher, mas por estar à frente de uma empresa que veio para mudar o mercado tradicional, muito quadrado, regulamentado. O Banco Central olha para nós com 25 olhos a todo momento. Esse é o desafio bem grande”, declarou Miranda.

“Ser mulher nesse meio é algo que a gente acaba se adaptando ao ritmo. Trabalho com um time grande tecnologia onde 95% são homens. Em algum momento, isso perde o foco e a vida segue. O desafio maior é sobreviver ao Brasil hoje em dia.”

* Por Lucas Agrela, para Exame.com