Sim. Um novo ciclo de IPOs está a caminho apesar da turbulência político-econômica do país, de acordo com a visão compartilhada por Allan Hadid, Sócio do BTG Pactual e COO do BTG Pactual Asset; Bruno Saraiva, Diretor de Investment Banking no Brasil do Bank of America Merril Lynch; Cristiana Pereira, Diretora Comercial e de Desenvolvimento de Empresas da B3, e Sergio Spinelli, Sócio do Mattos Filho, durante debate realizado no Congresso ABVCAP 2017. Entre os fatores que sustentam o posicionamento otimista dos especialistas, está o recente follow-on, mantido por uma empresa de shoppings centers, apesar do cenário político incerto.

Allan Hadid ponderou que, num prazo curtíssimo, o cenário é mais desafiador, mas o Brasil tem espaço para boas empresas. Ele também lembrou que o país ficou por décadas com poucas companhias listadas na bolsa, predominando apenas bancos e empresas públicas, ou seja, com muito pouco espaço para empreendimentos privados e de outros setores. Nos anos 2006 e 2007, o mercado se inverteu, mas com um grave problema: pulando a fase de estruturação. Hadid recordou que, desta safra com mais de 100 ofertas, muitas não sobreviveram. Para ele, o momento mais recente é diferente: está mais salutar com as empresas se estruturando, preparando-se adequadamente para aproveitar as janelas de mercado.

Dentro deste cenário, Sergio Spinelli compartilhou sua percepção de que, atualmente, existem companhias mais maduras na CVM, destacando a presença de investidores de Private Equity – o que confere um apoio profissional dentro do processo. Bruno Saraiva concordou com o moderador e ressaltou que as operações ancoradas por fundos de PE ajudam no sucesso do IPO. “É muito mais fácil”, afirmou o Diretor, explicando que esse é um sinal de que a empresa está mais preparada, contando com, por exemplo, números mais claros e governança mais estruturada. Para Saraiva, isso ajuda muito, afinal, o potencial investidor se sente mais seguro porque sabe que o PE já avaliou e chancelou aquele empreendimento.

Entre as ressalvas feitas durante o debate, Cristiana Pereira disse ser muito difícil, neste momento, uma empresa pequena fazer uma oferta no mercado. Por outro lado, as que planejam um processo de IPO estão menos apressadas, se estruturando e se habituando com as práticas de uma companhia aberta, reforçou a Diretora Comercial e de Desenvolvimento de Empresas da B3. E é justamente esse comportamento que deve ser seguido, pois a principal recomendação dos especialistas é: estar pronto! Afinal, janelas abrem e fecham, mas “correr sem estar preparado vai criar dor de cabeça”, alertou Hadid, lembrando ainda que o mercado de capitais é uma fonte contínua para investidores, durante a sessão do evento organizado pela ABVCAP.

Sobre o Congresso ABVCAP

Organizado pela Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital, o evento acontece anualmente e este ano reuniu, nos dias 5 e 6 de junho, em São Paulo, mais de 450 participantes, entre eles: reguladores, autoridades governamentais, investidores e gestores de fundos nacionais e internacionais, CEOs e CFOs de grandes empresas, corporate ventures, family offices, empresas de auditoria, escritórios de advocacia especializados em PE&VC e empresários.

São patrocinadores do Congresso da ABVCAP 2017: KPMG, BNDES, Coller Capital, Duff & Phelps, Lexington Partners; Santander, EY, Mazars Cabrera, TozziniFreire Advogados, Bank of America Merril Lynch, Deloitte, EMIS, PwC, Donnelley Financial Solutions, Mattos Filho Advogados, Pinheiro Neto Advogados e SS&C GlobeOp. O evento também tem parceria institucional da Apex-Brasil, FUMIN/BID e PRI.