Durante o segundo dia do Congresso ABVCAP 2017, no Teatro Santander, em São Paulo, especialistas se reuniram na 10ª sessão paralela para discutir o fluxo de investimentos da classe de ativos, desde a entrada de capital a partir do investimento-anjo – primeiro elo do capital empreendedor, até sua saída. Participaram da mesa redonda, Camila Farani, Presidente da Gávea Angels; Carlos Kokron, Vice-Presidente da Qualcomm e Diretor Executivo da Qualcomm Ventures para a América Latina; Leopoldo Schipman de Lima, Diretor de Investimentos da CVentures; Santiago Fossati, Diretor da Kaszek Ventures e o moderador José Alberto Aranha, Vice-Presidente da Anprotec (Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores).

De acordo com Camila Farani, um investidor-anjo é um executivo ou ex-executivo que ocupa o cargo de conselheiro e investe de 5% a 10% de seu capital em conjunto com outros investidores, somando uma quantia máxima de 30%, classificando a primeira etapa de captação, a qual receberá futuramente aportes de fundos maiores de PE & VC. Para a executiva, essa figura está cada vez mais presente no mercado de participação brasileiro, mas ainda tem muito que avançar. “No Brasil, esse tipo de investimento equivale a R$8 milhões, enquanto nos Estados Unidos, a participação é de U$24 bilhões”, afirmou.

Leopoldo de Lima, destacou a importância do investimento anjo para o Brasil. “A um tempo atrás, tudo acontecia dentro de casa. Hoje, a pesquisa e o desenvolvimento estão acontecendo de forma terceirizada. Mas é preciso ter cautela, pois as startups são muito frágeis e podem ser asfixiadas durante esse processo se o investimento não acompanhar o crescimento orgânico e gradual de cada perfil empreendedor”, declarou.

Para os especialistas, tão importante quanto inovação e tecnologia, a gestão e os processos operacionais das startups precisam ser considerados pelos investidores para que elas se mantenham vivas no mercado. Além disso, eles foram unanimes em apontar que a saída de um investimento anjo é mais desafiadora do que a entrada, principalmente pelo fato de o Brasil ser embrionário nesse tipo de investimento. Ao contrário dos Estados Unidos, que tem maturidade nesse setor e costuma ter retorno em quatro anos, a saída no Brasil se dá em cinco anos. Desde a aprovação da nova lei, que possibilita as startups optantes pelo Simples Nacional receberem aporte de capital de um investidor-anjo pessoa física ou jurídica sem a necessidade de o investidor fazer parte da sociedade, esse mercado está cada vez mais atraente e possível a todo tipo de investidor.