*Por Exame.com

A crise econômica atual teve como reflexo a maior taxa de desemprego da história recente: hoje, 14 milhões de pessoas procuram emprego. Nesse mar de competição pelas poucas vagas que restam, muitos resolvem empreender, abrir um negócio e virar de vez o próprio patrão. O movimento é percebido especialmente nos dois extremos do mercado de trabalho: os mais jovens e os mais experientes.

A tendência foi analisada pelo estudo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), feito em parceria com o Sebrae. A pesquisa, divulgada recentemente, estuda a atividade empreendedora pelo mundo.

No Brasil, duas mil pessoas entre 18 e 64 anos de idade e 93 especialistas em empreendedorismo foram entrevistados no ano de 2016. A pesquisa foi executada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ)

O avanço dos mais experientes: motivações

Três faixas etárias do estudo tiveram um aumento no número de empreendedores: a de jovens entre 18 e 24 anos (19,7% dos empreendedores em 2016); a de adultos entre 45 e 54 anos (16,6%); e a de adultos entre 55 e 64 anos (10,4%).

Guilherme Afif, presidente do Sebrae, ressalta que os trabalhadores com mais idade possuem dificuldade em se manter no mercado de trabalho tradicional, com carteira assinada. “Esse empreendedor mais experiente também enxerga no empreendedorismo a possibilidade de obter ou suplementar a renda, se já for aposentado. Ele sabe que a aposentadoria pública mal dá para pagar remédio”, diz Afif.

Sandro Vieira, presidente do IBPQ, avalia que o aumento do empreendedorismo em idades mais avançadas possui relação tanto com a situação de desemprego quanto com as perspectivas de uma aposentadoria pública cada vez mais tardia.

“Dentro de uma condição na qual a própria previdência tem um colapso em seu modelo, quanto maior o tempo no mercado de trabalho, maior a capacidade de ele contribuir com geração de riqueza própria e para o país, por meio da criação de empregos”, analisa Vieira.

De acordo com o presidente do IBPQ, os setores que mais têm atraído a participação dos empreendedores mais experientes são o de alimentação – de produção à distribuição e venda – e de acessórios e vestuário. “Mais da metade dos empreendimentos são nessas duas áreas. A participação tecnológica nessa faixa não é tão intensa, então as pessoas se sentem mais segura em empreender em negócios mais tradicionais do ponto de vista gerencial.”

*Foto: Empreendendo na melhor idade: aumentou o número de pessoas a partir de 45 anos de idade que abrem suas próprias empresas (Foto/Thinkstock)

*Por Mariana Fonseca da Exame.com