* Por Estadão Conteúdo

Após o Itaú Unibanco confirmar que negocia a compra de parte da XP Investimentos, a corretora terá seu pedido de IPO (abertura de capital na Bolsa) cancelado. O contrato prevê que o Itaú tenha preferência de compra de até 75% da corretora.

Agora, o banco comprará 49%, conforme antecipou a colunista do Estadão Sonia Racy, com o controle permanecendo na mão do sócio-fundador, Guilherme Benchimol, e outros minoritários.

O valor, segundo uma fonte, deve ficar em torno de R$ 6 bilhões, com injeção extra de capital entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões. A previsão é os papéis sejam assinados ainda hoje.

As negociações foram antecipadas na terça-feira,9, pela Coluna do Broad. Se a chegada da XP à B3 se concretizasse, a arrecadação com o IPO poderia chegar a R$ 4 bilhões, embora o documento divulgado pela empresa não tenha trazido detalhes da operação, como faixa de preço ou cronograma da oferta.

A negociação com o banco foi interrompida agora de manhã e deve ser retomada na parte da tarde. A saída dos fundos General Atlantic e Dynamo, que somados têm 49,5% da corretora, não deve ser imediata.

O movimento do Itaú para comprar uma fatia da XP resolveria dois problemas de uma só vez: além de incorporar um ativo novo, o banco eliminaria um concorrente que há tempos assediava clientes de sua plataforma de alta renda.

O Itaú, além de ter capital de sobra, é conhecido por um histórico de aquisições relevantes. Em 2016, além de desbancar o Santander na disputa pela operação de varejo do Citi no Brasil, arrematou uma fatia adicional de 40% na joint venture de crédito consignado que mantinha com o mineiro BMG desde 2012. Antes, havia comprado a Recovery, empresa de gestão de créditos inadimplentes, que pertencia ao BTG Pactual.

A negociação ocorre após a própria XP ter feito movimentos de aquisições, incorporando concorrentes como Rico e Clear. O Itaú não é o primeiro a tentar comprar uma participação na XP. A corretora já atraiu o interesse de fundos como o Temasek.

O movimento do Itaú pode ainda acelerar o processo de consolidação das corretoras. A aquisição mais recente no setor foi a Easynvest, pelo fundo americano Advent, no último mês de março.

Entre os principais concorrentes da XP estão Guide, Gradual, Easynvest e Genial, dentro no conceito de plataformas abertas de investimento. Os bancos médios também tentam atrair investidores para suas plataformas digitais – entre os players que utilizam esta estratégia estão Intermedium, o BMG e Sofisa.