Hoje em dia, cerca de 70% de todos os alimentos produzidos no planeta são desperdiçados antes de chegarem à mesa do consumidor final. A Associação Brasileira de Supermercados estima que cerca de R$6 bilhões anuais são literalmente jogados fora por conta do desperdício de alimentos. Para ajudar a resolver este problema, entre tantos outros que a indústria alimentícia ainda possuí, uma startup está criando uma fazenda urbana.

A ideia de criar este projeto surgiu quando Giuliano Bitencourt, um dos fundadores da BeGreen, voltou do MIT em 2014 apaixonado pela ideia de poder cultivar dentro das grandes cidades. O Massachusetts Institute of Technology tem um laboratório que estuda fazendas urbanas e a inspiração para fundar a startup veio deste laboratório.

A empresa, então, surgiu em 2015, produzindo alfaces orgânicas comercializadas em supermercados e entregues em restaurantes de Belo Horizonte. Neste mês, a startup está lançando o que eles dizem ser a primeira fazenda urbana da América Latina.

Cultivo

Trata-se de um modelo de cultivo que reduz custos operacionais pela proximidade com os consumidores e aumenta a produtividade com Internet das Coisas. Utilizando uma área 20 vezes menor, a startup pode produzir a mesma quantidade de alimento que uma fazenda convencional de 30 mil metros quadrados, graças à tecnologia de sensores presente na estufa que, com ajuda de um software regula fatores como umidade, temperatura, PH, entre outros, e alcança o ponto ideal para desenvolvimento da planta.

Além disso, a produção consome 90% menos água e sem emissão de gás carbônico, já que não há custos logísticos, pois os consumidores compram o alimento diretamente do local de produção. Para esta fazenda urbana, o local de produção escolhido foi a área externa do Boulevard Shopping Belo Horizonte.

Os sócios Giuliano Bitencourt e Pedro Graziano

“A BeGreen Boulevard é mais do que apenas uma produção de hortaliças dentro de um shopping. Ela é um espaço para cultivar experiências e uma vida mais sustentável, produzindo hortaliças sem prejudicar o meio ambiente, compartilhando conhecimento, comendo o que faz bem e comercializando alimentos agroecológicos. Aqui você poderá comprar as folhas produzidas na fazenda e outros produtos agroecológicos, comer bem, visitar as nossas estufas, caminhar ao ar livre e vivenciar novas experiências em eventos e workshops”, diz Giuliano Bitencourt.

Tecnologia

De acordo com Giuliano, a BeGreen desenvolveu uma tecnologia que produz peixes e hortaliças em consórcio. Esta produção é 100% monitorada por sensores conectados a rede (IoT) que atuam em determinados aparelhos, o que otimiza o cultivo da planta.

A BeGreen desenvolveu um sistema de Controle Inteligente de Variáveis de Cultivo (como pH, O2, CO2, iluminação, condutividade elétrica, umidade e temperatura), em que é possível reduzir os custos de cultivo e aumentar a taxa de produtividade. Estes sensores estão ligados a rede e atuam em determinados aparelhos para que o controle seja efetuado e, caso necessário, ocorram correções no cultivo.

De acordo com a startup, a parceria com o Boulevard Shopping Belo Horizonte e a BeGreen foi firmada porque o estabelecimento possui um espaço para uma futura expansão, com acesso interno e pouco utilizado. “Este local sempre foi visto como uma oportunidade de implementação de um projeto inovador. A BeGreen procurava um local dentro da cidade para colocar em prática a ideia de uma fazenda urbana. Além destes interesses, a sintonia entre a filosofia da startup e o caminho que o Shopping quer seguir foram fundamentais para a parceria”, explica.

A BeGreen Boulevard ocupará uma área de até 2.700 metros quadrados e deverá produzir 40 mil pés de hortaliças por mês. “Nossa forma de cultivar realça o sabor e melhora a textura das hortaliças, sem utilizar nenhum químico nem agrotóxico na produção”, explica ele. Isso acontece graças ao sistema inovador de aquaponia, que conjuga o cultivo de plantas à criação de peixes, cujas excreções servem para adubar as plantas, fechando um ciclo sustentável e sem poluentes.

Próximos passos

Para este ano, a Startup BeGreen pretende lançar mais uma fazenda, levando este modelo de cultivo para outros estados, e concretizar um software de gestão de cultivo. “Nosso maior objetivo é mostrar que é possível unir tecnologia e sustentabilidade em prol da sociedade. Ter um negócio produtivo que vai gerar mais empregos, menos lixo, sem prejudicar o meio ambiente”, ressalta Giuliano. Para viabilizar a expansão, a startup está com rodada de captação aberta para levantar R$ 500 mil de investimento seed.

Para ele, startups alimentícias já são uma realidade fora do Brasil. “Aqui, ainda existem poucas que estão endereçando este problema. Contudo, acredito que no futuro próximo veremos outras startups nascendo para resolver problemas deste setor. Acredito também que alguns investidores irão se interessar por este mercado e começarão a investir”, finaliza.